“The Night Circus” – Erin Morgenstern

Lido: Março 2020
Rating: 5/5

“The Night Circus” é um livro de fantasia que se passa num mundo muito semelhante ao nosso, com alguns elementos mágicos extra. A história foca-se num Circo Mágico e misterioso que só aparece à Noite, que viaja de cidade em cidade sem nunca ser notado.

The circus arrives without warning. No announcements precede it. It is simply there when yesterday it was not.

Todos os visitantes se apercebem de imediato de que o circo é mágico, único e diferente. Erroneamente, acham que a magia do circo é resultado de ilusões extremamente inteligentes desenhadas pelos seus proprietários. Mal eles sabem que a magia do local é tão verdadeira como os leões dos truques com animais. O Circo serve como palco para o duelo entre dois aprendizes de mágico: Celia e Marco.

Estes jovens mágicos são aprendizes de dois grandes feiticeiros que discordam na forma de ensinar a sua arte, pelo que ao longo dos anos vão escolhendo estudantes dotados para se defrontarem como forma de provar qual a melhor doutrina.

We lead strange lives, chasing our dreams from place to place.

Mas o duelo de Celia e Marcus é tudo menos violento – os dois mágicos acrescentam tendas e atrações maravilhosas ao circo como forma de demonstrar as suas capacidades, à medida que se vão conhecendo e revelando um ao outro. O duelo só termina quando um morrer – ou assim tinha sido até ao momento.

To be rather than to seem.

Mas este livro fantástico é sobre muito mais do que este duelo apenas. Aliás, eu diria até que o duelo está longe de ser o principal do belíssimo retrato de Morgenstern. O circo é o seu verdadeiro protagonista. Somos levados numa viagem que começa com a criação da ideia, os planos para cada tenda e acto, a contratação de cada participante, o desenho das tendas e dos fatos, e até do mágico relógio que recebe todos os visitantes à entrada.

People see what they wish to see. And in most cases, what they are told that they see.

Este livro está escrito de uma forma bela, imersiva e tão mágica como a sua própria historia. Somos tão bem conduzidos pela aventura que nos sentimos parte dela – sentimo-nos um visitante do Night Circus. É uma história poderosa sobre as artes, o amor, a magia, a amizade e a procura pela felicidade e pelo lugar no mundo que cada um de nós deve realizar ao longo da sua vida.

Este livro é uma obra de arte pura, e ninguém poderá ficar-lhe indiferente.

Life takes us to unexpected places sometimes. The future is never set in stone.

Poema da Semana #4 – Anoitecer

Anoitecer (Elisabete Brito)

Lá fora, as notas de luz desmaiam lentamente
Para que o clarão do luar
E a fulgência das estrelas
Comecem a espraiar-se por esta imensidão de céu.

O matiz do vermelho e do laranja é mais vibrante
E o olhar mergulha no horizonte
Até que por fim sobrevenha o crepúsculo
Com o seu manto
E aqui e ali comecem a emergir
Um após outro
Artificiais pontos de luz.

-Elisabete Brito
in Antologia Para os Sentidos (2016)

Os Livros de Março

Livros lidos em Março de 2020

Março foi um mês peculiar, por razões que de certeza todos conhecem e compreendem. Passei metade do mês em casa, em isolamento social e tele-trabalho, pelo que acabei por conseguir ler mais do que o costume. Ainda assim, a ansiedade provocada pela situação que estamos a atravessar e as dificuldades que estou a sentir na adaptação a esta nova rotina “caseira” não me permitiram ler ainda mais. De qualquer forma, gostei de quase todos os livros que li este mês, e até encontrei dois livros que (quase) de certeza irão estar presentes no meu top de livros do ano.

Sem mais demoras, fiquem então com os livros que li em Março, um resumo simples e a classificação que dei a cada um. Irei escrever posts individuais sobre alguns destes livros, tanto aqui como no instagram (@naspantufasdarita).

  1. Letter to My Daughter, by Maya Angelou
    Este livro é uma colecção de ensaios e crónicas escritos por Maya Angelou ao longo da vida dela. Segundo a própria autora, é um conjunto de histórias, reflexões e conselhos para mulheres e raparigas do Mundo todo, consideradas por ela como as suas “filhas”. É uma leitura rápida e interessante, e algumas das crónicas são genuinamente poderosas. Infelizmente, achei que não havia grande fio condutor entre os ensaios, e que a coleção é um pouco aleatória. Ainda assim, recomendo este livro a qualquer pessoa interessada em Direitos Humanos, e irei definitivamente ler mais obras da autora.
    Rating: 4/5
  2. The Night Circus, de Erin Morgenstern
    Este livro foi IN-CRÍ-VEL. Definitivamente o meu favorito do mês, e um concorrente forte a livro favorito do ano. É uma obra de fantasia e realismo mágico, ou seja, passa-se no mundo “real” mas incorpora um sistema de magia muito particular e bem desenvolvido. Conta-nos a história de um Circo que só abre à noite, e que é diferente de todos os Circos que alguma vez existiram (e irão existir, infelizmente – é impossível ler esta história sem desejar que este circo fosse real). Ao longo do livro percebemos que o Circo é uma arena para um duelo entre dois aprendizes de mágicos, Celia e Marco. O ponto forte desta obra é definitivamente a capacidade que a autora tem de construir a atmosfera e as personagens. Irei em breve fazer um post sobre o “Night Circus”!
    Rating: 5/5
  3. Carta de uma Desconhecida, de Stefan Zweig
    Este livro é extremamente curto e rápido de ler – eu li-o numa tarde de domingo enquanto apanhava sol na varanda, e gostei bastante. É literalmente o que o títutlo diz que é: uma carta, escrita por uma mulher, enviada ao homem que ela considera o “amor da vida dela”, mas que não sabe o nome nem a verdadeira identidade dela. Ao longo da carta, vamos descobrindo qual a ligação entre a mulher e o homem, um conhecido romancista, e como se desenrolou a sua história de amor. É um livro bonito e poético com uma mensagem algo devastadora – que o amor não correspondido, aliado à falta de amor próprio ou auto-estima, pode ser tão destrutivo como a mais perigosa das doenças.
    Rating: 4/5
  4. Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago
    Este livro e autor dispensam apresentações. Considerada por muitos a obra prima de Saramago, “Ensaio Sobre a Cegueira” conta-nos a história de uma sociedade muito semelhante à nossa, na qual um vírus com consequências horríveis começa a infectar a população e a espalhar-se rapidamente. Parece familiar, certo? Foi precisamente pelos paralelismos com a situação que atravessamos atualmente que decidi ler este livro agora. No caso da obra, o vírus é o da cegueira – ao longo de vários dias, toda a população cega. Toda, com a excepção de uma mulher, cujo nome nunca chegamos a saber. Tratada apenas como “a mulher do médico”, esta heroína trágica é bem mais do que isso – é definitivamente a sua própria pessoa, essencial para o desenrolar da narrativa e sobrevivência de todos os que a rodeiam. Acima de tudo, esta é uma história sobre a natureza Humana, e a forma como o Ser Humano responde à adversidade e reage quando obrigado a entrar em modo de sobrevivência. É um livro para ser lido, relido e discutido várias vezes ao longo da vida, que recomendo a toda a gente. Apesar de ter gostado do “Memorial do Convento” quando o li no secundário, gostei bem mais deste, e fiquei com muita curiosidade de ler a sequela (“Ensaio Sobre a Lucidez“) e outras obras do reconhecido autor.
    Rating: 5/5
  5. Life Class, de Pat Barker
    Esta obra de ficção histórica passa-se durante a primeira Guerra Mundial, numa prestigiosa escola de artes em Londres. Conta-nos a história de Paul, um jovem que sonha ser pintor mas receia não ter nem o talento nem a vontade necessária para alcançar a sua aspiração. Na primeira parte do livro, vemos o mundo de Paul através dos seus próprios olhos – os seus amores e desamores, as aulas de pintura e as saídas boémia aos fins de semana. Somos apresentados ao seu grupo íntimo, no qual se destaca Elinor, que acabará por ser a segunda protagonista do livro, e com quem Paul viverá um romance intenso. Quando começa a guerra, Paul voluntaria-se com a cruz vermelha e é enviado para a Bélgica, primeiro como enfermeiro e depois como motorista de ambulâncias. Aí, vivemos com ele os horrores da guerra e o sofrimento que esta causou a muitos homens e mulheres, e somos testemunhas do impacto que a guerra tem na relação de Paul e Elinor, através das cartas que estes trocam. Este livro é delicioso – apesar de me ter partido o coração, adorei a narrativa e a forma como esta é construída e guiada, e gostei mutio de Paul. No entanto, detestei a Elinor, que me fez revirar os olhos várias vezes ao longo da obra. Ainda assim, gostei muito, e vou definitivamente ler a sequela, que se foca no irmão de Elinor, Toby.
    Rating: 4.5/5
  6. Steelheart, de Branson Sanderson
    Brandon Sanderson é considerado um dos mais prestigiados autores de Fantasia da atualidade. Mais conhecido pelas suas obras de Fantasia Épica, “Steelheart” inicia uma das trilogias mais suaves do autor, uma mistura de Fantasia, Aventura e Ficção Científica. Conta-nos a história de um mundo em alguns seres humanos, os Epics, começaram a desenvolver capacidades acima da média, equiparadas aos “poderes” que os Super-Heróis tradicionais que conhecemos têm. No entanto, e ao contrário dos Super-Heróis clássicos, neste mundo todos aqueles que têm poderes são maus, cruéis e assassinos. A personagem principal deste livro, David, é um rapaz normal que não se conforma com o Mundo em que foi condenado a viver, e que dedica toda a sua juventude a procurar formas de combater os Epics, juntando-se a um grupo de rebeldes com alta tecnologia e desejo de sangue. Esta aventura corrida é extremamente interessante, e o mundo está muito bem conseguido e construído. Acho que Sanderson está definitivamente de parabéns pela narrativa que assina. No entanto, as personagens e o diálogo foram uma desilusão – são unidimensionais, não evoluem, e é muito díficil conseguirmos gostar a sério de qualquer uma delas, pois sabemos demasiado pouco sobre quem realmente são. Ainda assim, foi uma leitura divertida e fácil, pelo que irei ler a sequela, e talvez até acabar a trilogia.
    Rating: 3.5/5

E assim, ficam aqui todos os livros que li em Março! E vocês? TIveram um bom mês de leituras?

Poema da Semana #3

Melhor destino que o de conhecer-se
Não frui quem mente frui. Antes, sabendo,
Ser nada, que ignorando:
Nada dentro de nada.
Si não houver em mim poder que vença
As parcas três e as moles do futuro,
Já me deem os deuses
O poder de sabê-lo;
E a beleza, incriável por meu sestro,
Eu goze externa e dada, repetida
Em meus passivos olhos,
Lagos que a morte seca.

Ricardo Reis
22-10-1923

Slaughterhouse-5

Lido: Fev 2020
Rating: 4/5

“Slaughterhouse-5”, de Kurt Vonnegut, é geralmente classificado como um “clássico antiguerra”. Publicado em 1969, o livro passa-se durante a Segunda Guerra Mundial, focando-se principalmente no bombardeamento de Dresden, vivido pelo próprio autor. É um trabalho de ficção sobre factos reais que Kurt testemunhou. Apesar da ligação pessoal de Vonnegut à história, apenas o primeiro e último capítulo são contados na primeira pessoa.

O livro inicia-se com uma confissão:

All this happened, more or less. The war parts, anyway, are pretty much true.

A personagem principal, Billy Pilgrim, é um americano enviado para a guerra com apenas 20 anos, durante a qual vive (e sobrevive) vários eventos traumáticos. Depois do fim da guerra, de volta à sua terra, é internado num hospital psiquiátrico por ter dificuldades em adaptar-se à vida “normal”. Eventualmente, é considerado “curado”, casa-se e torna-se num optometrista famoso.

Na sua vida pós-guerra, Billy descobre que consegue viajar no tempo e visitar acontecimentos do seu passado e futuro – consegue ficar “unstuck in time”, como o próprio descreve. Para além disso, a certa altura o nosso infeliz protagonista é raptado por um grupo de Aliens que o levam para o seu planeta e o expõem num zoo cheio de seres humanos. Estes momentos são um reflexo do stress pós-traumático de que Billy sofre como consequência do que viveu na guerra, mas são-nos contados como sendo eventos reais.

Well, here we are, Mr. Pilgrim, trapped in the amber of this moment. There is no why.

Eu gostei muito deste livro, apesar de o ter achado algo confuso. Quando acabei de o ler senti que não o tinha compreendido da forma que gosto de perceber os livros, o que me levou a fazer bastante pesquisa sobre o autor e a história em si. No entanto, ao contrário do que seria de esperar, todo este trabalho apenas contribuiu para me fazer gostar ainda mais da história, das personagens, da escrita e, consquentemente, do autor. É um livro difícil e pesado, sim. Mas é também um livro transformador.

What he meant, of course, was that there would always be wars, and that they were as easy to stop as glaciers. I believe in that, too.

A narrativa é bem construída e extremamente inteligente, e o autor é capaz de descrever eventos e sofrimentos horríveis de forma semi-poética sem nunca diminuir o quão nefasta toda a situação foi. É decididamente um livro que hei de reler várias vezes ao longo da minha vida e que recomendo a qualquer pessoa que tenha interesse por livros sobre a guerra.

People aren’t supposed to look back. I’m certainly not going to do it anymore.

All the Light We Cannot See

Lido: Janeiro 2020
Rating: 5/5

“All the Light We Cannot See”, de Anthony Doerr passa-se durante a segunda Guerra Mundial e foca-se em duas jovens personagens: Marie e Werner.

“All the Light We Cannot See” – Anthony Doerr

Marie é uma jovem francesa com uma história trágica, tendo ficado orfã de mãe muito cedo. Com apenas oito anos, um problema de saúde leva-a a perder a visão. O seu pai, chaveiro do Museu de História Natural da cidade, faz tudo o que pode para ajudar Marie a adaptar-se à sua nova realidade, preparando-a para viver no mundo de forma independente.

In a corner of the city, inside a tall, narrow house at Number 4 rue Vauborel, on the sixth and highest floor, a sightless sixteen year old named Marie-Laure LeBlanc kneels over a low table covered entirely with a model.

Werner é um jovem órfão alemão que cresceu num orfanato com a irmã. Muito astuto e inteligente desde criança, encontra um rádio estragado que consegue reparar, iniciando assim a sua “carreira” improvisada e mecânico de rádios da cidade. As suas capacidades chamam a atenção das autoridades que o recrutam para estudar num colégio privado destinado a formar a juventude Hitleriana, com o objetivo de formar soldados para a guerra.

Five streets to the north, a white-haired eighteen-year-old German private named Werner Pfenning wakes to a faint staccato hum.

As nossas personagens surgem em lados opostos da História – Marie vê-se obrigada a abandonar a cidade em que vive quando os alemães começam a bombardeá-la, e Werner faz parte das forças militares que invadem França e lutam pelo exército germânico.

History is whatever the victors say it is. That’s the lesson. whoever wins, that’s who decides the history.

Construída com analepses e prolepses temporais e viagens no espaço, esta história apresenta diversas personagens secundárias e acessórias que contribuem para a sua misticidade. A narrativa de Anthony Doerr é fluída e extremamente bem construída, e cada frase deixa-nos com vontade de ler a frase seguinte.

The sea seems big enough to contain everything anyone could ever feel.

Eu adorei este livro. Depois de ter lido “The Book Thief” há uns anos, receei nunca mais encontrar um livro da segunda guerra mundial que me fizesse sentir da mesma forma – até ler “All the Light We Cannot See”. O retrato de guerra é feito de forma quase dissimulada, já que nenhuma das nossas personagens está em contacto directo com as figuras “mais relevantes” nem tem um papel activo no conflito, o que nos permite ter uma ideia de como a guerra é vivida pelas populações e pessoas comuns.

Senti frequentemente que este era um livro antiguerra: tal nunca nos é dito diretamente, mas a forma como o conflito é descrito, e as reflexões e vivências que as nossas personagens sofrem, levam-nos a esquecer que país é que está a “ganhar” ou a “perder” ou quem é que tem a “razão”. Chegamos à inevitável conclusão de que ninguém ganha numa guerra e de que nada justifica as atrocidades e violações dos Direitos Humanos cometidas.

Everyone remembers the last war, and no one is mad enough to go through that again.

Não quero revelar demasiado do enredo – acho que o livro merece ser mantido em segredo, e que cada leitor tem direito à fantástica viagem que é a sua leitura. Fica o aviso: é um livro para chorar muito, mas também rir, refletir e, acima de tudo, entreter. Entrou automaticamente para a minha lista de livros favoritos do ano (apesar de ter sido apenas o segundo que li!), e talvez até da vida toda.

Science is made up of mistakes, but they are mistakes which are useful to make, because they lead little by little to the truth.

O livro tem também bastantes cientistas e engenheiros, cuja paixão pelo que fazem é descrita de uma forma deliciosa. Como bioquímica, encontrei várias passagens que me relembraram o porquê de gostar do que faço, algo que contribuiu para gostar ainda mais da história, das personagens e, consequentemente, do autor.

Recomendo de forma generalizada esta obra, independentemente de idade ou nível de interesse por história ou temas de guerra do leitor, acredito que este livro tem qualquer coisa para toda a gente.

Poema da Semana #2 – Mulher ao Espelho

Mulher ao Espelho (Eugénio de Andrade)

A beleza não é lugar de perfeição.
Quando te vês ao espelho é a morte
que contemplas na sua chama. Até o sol,
que nos teus cabelos tanto aquecia
as mãos daqueles a quem davas o calor
mais íntimo, é agora um lugar frio.
Não digas que não és culpada: a traição
morava contigo, e sempre os homens,
sejam reis ou pastores, foram brutais
no seu desejo, como se amar uma mulher
não fosse o seu desígnio mais fundo
e só vingassem nela uma ferida oculta.
Não te escondas para chorar no escuro.
De nada te servem lágrimas agora
nem a lembrança furtiva de noites
abertas à demência, ao vigor, à raiva
de membro que ao rasgar-te a carne
te convertiam em sucessivas vagas
de luminosa sombra prolongadas.
Tu, coroada pelo amor de um rei,
já não despertas mais que piedade,
se tão cruel veneno pode ter um nome.
Estás só na casa imensa. Só e velha.
Escuta, são as pombas que regressam,
um ar fresco do sul varre o balcão,
traz sílabas leves, feitas de memória:
“Muito me tarda o meu amigo, muito…”
Fecha as portadas. Agora dorme. Dorme.

Eugénio de Andrade
1985

Dia Mundial da Poesia

Hoje celebra-se o dia mundial da poesia. Como tal, decidi partilhar alguns dos meus livros de poesia favoritos escritos por autores portugueses. Sempre gostei muito de ler poesia. Gosto de a ler em voz alta, repetir estrofes e frases vez após vez, até sentir que percebi o que queriam dizer. Ás vezes, confesso, sou obrigada a desistir e seguir em frente frustrada – parece que o sentido das palavras ou frases me escapa. Ainda assim, muitos defendem que a poesia é para ser sentida e não entendida, pelo que continuo a ler com gosto.

Muitos dos meus poetas favoritos são extremamente conhecidos e de renome, o que é normal – os seus livros povoam as estantes dos meus pais, e o gosto pela sua obra foi-me transmitido por eles e por provessores de Português ao longo do tempo. Ainda assim, há alguns “poetas da nova onda”, se é que posso dizer isto, de que gosto bastante. Destaco Amadeu Liberto Fraga e Cláudia R. Sampaio. Colecciono as obras destes dois autores desde que os descobri, e gosto cada vez mais do seu trabalho.

Sempre que há uma Feira do Livro ou encontro um alfarrabista, gosto de comprar livros de poesia “desconhecidos”, baratos e, tipicalmente, mal tratados. Acabo sempre por descobrir autores e poemas interessantes que nunca teria descoberto numa livraria comum ou online. Talvez um dia faça um post sobre eles!

Mas, por agora e sem mais demoras, segue a lista dos meus poetas portugueses favoritos:

  • Alexandre O’Neil
  • Florbela Espanca
  • Eugénio de Andrade
  • Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Manuel António Pina
  • Elisabete Brito
  • Cláudia R. Sampaio
  • António Pinheiro
  • Amadeu Liberto Fraga
  • Fernando Pessoa

Recomendo que explorem todos estes autores, se ainda não os conhecerem! Nos mais estabelecidos ou conhecidos costumo começar por antologias poéticas. São normalmente uma coleção extensa e completa das principais obras que definem os autores.

Boas leituras.

Atypical (Netflix)

Atypical, criada por Robia Rashid, é uma séria da Netflix com 3 temporadas (e uma 4ª a caminho) sobre Sam, um rapaz de 18 anos no espectro do autismo (interpretado por Keir Gilchrist), que adora biologia marinha, o Ártico e, acima de tudo, Pinguins. Como pessoa que também adora Pinguins, apreciei ver uma personagem que não só partilhava do meu interesse como comunicava frequentemente factos super interessantes sobre estes animais. Ah, e há também muitos vídeos e momentos com Pinguins reais!

A séria explora o dia-a-dia de Sam e da sua família – na escola, em casa e até no trabalho. Sam é assistente de vendas na Techtropollis, uma espécie de Media Market, trabalho no qual a sua elevada capacidade de memorização e organização se revelam altamente úteis.

A sua irmã Casey (Brigette Lundy-Paine), a minha personagem favorita, é também central na história. Casey procura proteger o irmão do mundo enquanto, simultaneamente, o trata de forma tão normal quanto possível. Ou seja, a relação deles é muito semelhante à de quaisquer irmãos de idades próximas – não existe meio termo, ou se estão a dar muito bem, ou muito mal. Mas, acima de tudo, ao fim do dia está tudo perdoado.

A série é simultaneamente cómica e dramática. As performances dos diversos actores são fantásticas, e as personagens estão escritas e construídas de forma realista e quase mundana – sentimos que poderiam ser os nossos vizinhos do lado.

Os episódios são curtos (cerca de 30 min) mas passam a correr, e a série é viciante ao ponto de ameaçar o tão famoso binging. Eu devorei as 3 temporadas em três dias e estou agora ansiosamente à espera da terceira.

É definitivamente uma série para todas as ocasiões – é leve o suficiente para fazer companhia ao almoço, mas profunda e bem construída ao ponto de nos levar a reflectir e a sentir tudo o que as personagens vivem e sentem.

Se alguém tiver recomendações de séries semelhantes, agradeço!

Poema da Semana #1 – The Only Poem

“The Only Poem” by Leonard Cohen

THE ONLY POEM
This is the only poem I can read
I am the only one can write it
I didn’t kill myself when things went wrong
I didn’t turn to drugs or teaching
I tried to sleep
But when I couldn’t sleep
I learned to write
I learned to write
What might be read
On nights like this
By one like me

Leonard Cohen