sobre junho.

junho 2021 – 25 anos, 3 livros lidos, 3 tatuagens novas.

OS LIVROS.

“E se fizéssemos uma tatuagem”, de Rafael Dionísio, foi uma compra precipitada na livraria do LxFactory, em Lisboa – apaixonei-me pela capa, pelo título, pelo formato. Tudo no livro gritou “compra-me”, e a descrição autobiográfica do autor na contra-capa (“Mas o que lhe interessa na vida é a amizade, os copos, o amor e escrever”) tomou a decisão por mim. Gosto imenso de descobrir livros e autores novos e aleatórios, e apesar de não ter adorado o livro como um todo estou muito feliz por o ter na minha coleção. Este livro de short stories passadas em Lisboa contém uma panóplia de contos povoados por personagens tão mundanas quanto especiais. É uma boa companhia para tardes de verão, e marcou bem o tom do meu mês (melancolia e tatuagens, como vão perceber).

“The Seven Husbands of Evelyn Hugo”, de Taylor Jenkins Reid, tem feito furor como um dos livros mais lidos e badalados dos últimos dois anos – e com razão. A premissa é simples, mas a execução é de uma beleza e perfeição tal que só me apetece spammar o Ministro da Educação com e-mails a sugerir que passe a ser leitura obrigatória. Evelyn Hugo, uma das maiores estrelas de cinema (fictícias) de todos os tempos decide, aos 70 anos e após uma vida de segredos e sete casamentos, contar finalmente toda a sua história. É impossível chegar ao fim sem estar convencido de que Evelyn Hugo tem de ter existido num universo paralelo qualquer. Um relato do que é o amor e a amizade, um testemunho ao que cada um de nós está disposto a fazer para conquistar o que deseja, um retrato de perda, doença, dor e da vida, povoado de personagens fortes, realistas, apaixonantes e diversas. Estou ansiosa por ler o resto da obra de Taylor Jenkins Reid, e algo me diz que este livro será relido muitas vezes.

“We have always been here – A Queer Muslim memoir”, de Samra Habib. Muçulmana Ahmadi, Mulher, Queer, nascida num Paquistão que nunca a aceitou como era, e do qual fugiu ainda em criança. Um dos melhores e mais importantes livros que li na vida. Sinto que tenho milhões de pensamentos a transmitir sobre o livro, e ao mesmo tempo sei que nenhum deles se compara ao texto em si. Deixo-vos apenas com algumas quotes e a recomendação exacerbada – leiam este livro.

For me, practicing Islam feeds my desire to understand the beauty and complexity of the universe and to treat everyone, regardless of their beliefs, with respect.

Being surrounded by great people isn’t a fluke. It’s almost like solving a math problem, finding variables, adding and subtracting to figure out a formula that works. Being surrounded by people who fuel you is intentional.

Azaad is a funny word in Urdu. In most instances, it means “freedom”. It’s also used liberally to slut-shame and put down a woman who shows any sign of autonomy or independence.

O ORGULHO.

pride 2021, com as minhas friends a sério Inês e Camille <3

Junho. o mês do Pride (que no Porto calha quase sempre em julho), uma Marcha diferente, mas tão válida e necessária como sempre. De máscaras, distanciados e com um percurso reduzido, gritámos pelos direitos que tardam e se diminuem e retraem. A marcha é um protesto e não uma festa, mas enche-me sempre o coração de um amor refletido em todas as cores do arco-íris, e este ano não foi excepção.

UMA MÚSICA.

UM PENSAMENTO.

Este foi um dos meses mais emocionalmente esgotantes e profissionalmente exigentes dos últimos anos. Ainda assim, esteve recheado de coisas boas, sempre trazidas por pessoas-luz que tornam os dias difíceis um bocadinho mais toleráveis. Olhando para trás, mais do que tudo, sinto-me grata (e lentamente a caminho da plenitude e aceitação). E porque sei que não agradeci nem agradeço o suficiente, o meu pensamento final do mês de junho é, pura e simplesmente, obrigada.

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