BookBuyingTales#2 – JAN/MAR

livros comprados entre janeiro e março de 2021

Eu tenho muitos livros.

Não há forma de contornar esta realidade – estou convencida de que comprar e coleccionar livros é todo um hobbie à parte do prazer de efectivamente os ler. Gosto de olhar para as minhas estantes, de as reorganizar e reconstruir, de sentir a ligação com cada um dos volumes nas prateleiras.

Para além disto, desde que comecei também a ler ebooks no Ipad o universo de livros ao meu dispor aumentou ainda mais, literalmente até ao infinito. Anda assim, e apesar de estar a gostar de ler no digital, o bichinho de comprar livros físicos não foi a lado nenhum.

E por isso, decidi partilhar convosco os livros que comprei neste primeiro trimeste do ano, de janeiro a março:

BookDepository

O BookDepository fez uma promoção IRRESÍSTIVEL em janeiro dos livrinhos clássicos e essenciais da Penguin, e eu decidi investir em alguns dos que estão na minha lista infinita. Gosto muito destas coleções, são uma boa forma de explorar autores e ideias.

Em fevereiro fiz pre-order de “Act your Age, Eve Brown” da Talia Hibbert, o terceiro volume da saga das irmãs Brown. No ano passado li “Get a Life, Chloe Brown” e “Take a Hint, Dani Brown” e adorei, e estou ansiosa por ler este último volume, que muitos dizem ser o melhor da série!

TradeStories

Não é segredo nenhum que eu adoooooooro o TradeStories , uma plataforma portuguesa de venda e compra de livros em segunda mão (escrevi sobre livros em segunda mão aqui), e este mês tive não só a sorte de vender alguns dos meus livros mas a sorte ainda maior de encontrar alguns livros que queria mesmo muuuuuito a preços incríveis. Já li um deles (Livros de Março) e estou ansiosa por pegar nos outros!

os livros de março 📚

📖 The Opposite of Loneliness: Essays and Stories, Marina Keegan

Esta colecção de crónicas e contos póstuma celebra a vida de Marina Keegan, uma jovem licenciada de Yale que perdeu a vida num trágico acidente de automóvel na semana em que acabou o curso. A sua família, professores e amigos decidiram publicar esta colectânea que reúne os melhores trabalhos de Marina ao longo da sua licenciatura. Gostei de algumas das histórias, e sente-se que a voz de Marina era única, irreverente, e cheia de vontade de ser ouvida. Ainda assim, é impossível não sentir que não estamos perante um produto acabado, o que torna toda a situação ainda mais trágica. É uma pena para o mundo literário que não tenhamos o privilégio de ver a voz de Mariana crescer e evoluir. Devemos, então, apreciar este volume pelo que é – pela promessa e vida que contém, e pela lembrança de que nada é garantido e que, infelizmente, muitas coisas acabam ainda antes de terem começado.

📖 Radio Silence, Alice Oseman

Alice Oseman é um dos grandes nomes internacionais do género Young Adult, e Radio Silence é provavelmente o seu livro mais conhecido. Conta-nos a história de Francis, uma jovem britânica a terminar o secundário, muito dedicada à escola e às notas e a entrar na faculdade. Frances sente-se sempre deslocada e incompreendida, como se houvesse uma “Frances na escola” e uma “Frances real”. Quando descobre que o autor do seu podcast favorito é o seu vizinho da frente e irmão gémeo da sua ex-melhor amiga desaparecida há mais de um ano, a vida de Frances muda radicalmente. Este livro é espetacular – mesmo. através de personagens reais e diversificadas conta-nos uma história das ansiedades de terminar o secundário e começar a faculdade, da pressão académica desmedida, das relações de amizade, românticas e até familiares que tanto nos constroem como destroem. Li-o num dia porque simplesmente não conseguia parar, e todos os meus receios de não me conseguir relacionar com o livro por estar já numa fase de vida totalmente diferente foram em vão. Mal posso esperar por ler mais livros de Oseman!

📖 Atomic Habits, James Clear

Eu sei, eu seeeei – já toda a gente leu este livro. E por isso mesmo, por ter sido extremamente popular e recomendado nos últimos anos, eu fui teimosa e demorei a pegar nele. Decidi ouvi-lo como um audiobook, companhia enquanto cozinhava e tratava das tarefas domésticas diárias, e gostei muito deste registo. E, na verdade, acho que todo o hype é justificado – James Clear apresenta uma visão extremamente fundamentada sobre o que são os nossos hábitos e como os podemos construir (e destruir), com estratégias simples de compreender e implementar. Apesar de o livro não me ter impactado ao ponto de me levar a realizar formalmente os exercícios que sugere, tenho sentido que o que aprendi afecta muitas das decisões que agora tomo no meu dia-a-dia. Acho que interiorizei muito do que foi transmitido e que teve um impacto positivo em mim. Recomendo!

📖 The 7 Deaths of Evelyn Hardcastle, Stuart Turton

Wow, por onde começar. Este livro é uma escape room literária. É um livro da Agatha Christie em ácidos. É um knives out melhor construído. É uma aventura constante – não me lembro da última vez que tirei tantos apontamentos num livro. Havia um grande mistério para resolver e Stuart Turton faz um trabalho incrível a dar-nos elementos suficientes para acreditarmos que vamos ser capazes de o solucionar – que vamos ser capazes de chegar lá antes mesmo de o livro chegar. Não quero dizer nada sobre o plot, porque tudo o que disser só vai estragar. Apesar de não ter adorado o final dado à narrativa, o livro está tão bem construído e foi tão genuinamente divertido (apesar de algo creepy, também) que continuo a sentir que adorei. Foi uma aventura!

📖 The Ex Talk, Rachel Lynn Solomon

Depois da aventura que foi o livro anterior, senti que precisava de algo mais leve e divertido para acabar o mês bem disposta – e já sabemos o que leio quando me sinto assim, certo? Um romance! Desta vez o escolhido foi o mais recente livro de Rachel Lynn Solomon, que nos conta a história de Shay e Dominic, que trabalham numa rádio pública e se detestam mas são coagidos pelo chefe a fazer um podcast em que fingem ter tido uma relação de três meses que terminou. Adorei as personagens principais e a narrativa foi muito divertida, apesar de pouco credível. Não foi um romance life changing nem nada que se parece, mas foi o que eu precisava – divertido, steamy qb, e cheio de clichés de comédias românticas que fazem bem à alma.

os livros de janeiro

“If I had my way, I would remove January from the calendar altogether and have an extra July instead.”

Roald Dahl

Janeiro é para muitos conhecido pelo blue month – blue no sentido de melancólico e triste. Outros vêm janeiro como o mês do recomeçar e renascer, uma nova página forçada pelo calendário cheia de entusiasmo pelo desconhecido. Acho que me enquadro simultaneamente nestas duas visões.

Em janeiro o meu doutoramento arrancou em força, e muitas áreas da minha vida sofreram adaptações resultantes da situação pandémica que vivemos. Tudo isto afectou a minha leitura. Ainda assim, faço um balanço positivo qb dos livros que li este mês.

Comecei o mês com The Hating Game, da Sally Thorne, um aclamado romance de escritório em que duas personagens começam inimigas e acabam (spoiler alert mas nem por isso) apaixonadas. Foi um livro divertido e leve que me acompanhou nos primeiros dias do ano e recomendo!

De seguida li The Invisible Life of Addie LaRue, da V. E. Schwab. Esta autora é um nome sonante na fantasia jovem adulta mas nunca tinha lido nada dela. Este livro conta-nos a história de Addie, uma jovem de 23 anos nascida em França no século XVII que se sente presa a uma vida mundana. No dia do seu suposto casamento arranjado reza aos deuses para que a livrem da vida aborrecida a que se sente condenada. As suas preces são atendidas por Luc, um deus da escuridão que lhe oferece algo mágivo em troca da sua alma. A oferta de Luc permite a Addie atingir a imortalidade, mas condena-a a uma vida de esquecimento – ninguém que se cruza com a rapariga se lembra dela, e Addie percorre o mundo como um fantasma de si mesma com uma memória inquebrável. O livro está extremamente bem escrito, as personagens são realistas e apaixonantes e dei por mim ansiosa por explorar o restante reportório de V.E. Schwab. O sentimento mágico da leitura assemelhou-se ao transmitido por The Night Circus, que li no ano passado.

It was messy. It was hard. It was wonderful, and strange, and frightening, and fragile – so fragile it hurt – and it was worth every single moment.

The Invisible Life of Addie LaRue, V.E.Schwab

Seguiu-se So Sad Today, um livro de ensaios da escritora Melisa Broder, autora da conta de twitter com o mesmo nome. É um livro de crónicas altamente pessoais sobre as experiências de Melissa com relações, encontros sexuais, drogas e álcool, saúde mental, entre outros temas. Os ensaios são curtos e diretos, sem grandes floreados, e a escrita assemelha-se grandemente a uma conversa de café, o que me desiludiu bastante. Apesar de me ter relacionado com alguns dos temas e reflexões feitos, no geral não gostei muito do livro nem da superficialidade com que as coisas foram abordadas.

Todos os meses leio um livro em comum com a minha amiga Maria Monteiro, atualmente a fazer PhD na Irlanda, e no último fim de semana do mês fazemos uma vídeo chamada para debater o livro. Este mês lemos The Song of Achilles, da Madeline Miller, pois ambas gostamos de mitologia grega e o livro é muito conhecido e bem recomendado. Apesar de ser evidente que a escrita de Madeline é cativante, confesso que não me apaixonei de todo pela narrativa, e que me senti frequentemente aborrecida. O livro reconta a lenda de Achilles e da Guerra de Troia baseando-se na sua relação com Patroclus, que a história praticamente esqueceu. Apesar de ter gostado muito da personagem de Patroclus e da sua forma de nos conduzir pela história, senti que o livro se arrastou demasiado em alguns momentos. Ainda assim, considero que foi uma boa escolha e irei com certeza ler Circe, o outro livro de mitologia da autora.

No man is more worth than another, wherever he is from.

The Song of Achilles, Madeline Miller

E, por fim, no último fim de semana do mês li Bichos, de Miguel Torga, inserido no “Uma Dúzia de Livros”, o clube do livro mensal da Rita da Nova. Escrevi um artigo inteiro dedicado a este livro (aqui), pelo que não me alongo mais, dizendo apenas isto – demorei demasiado tempo a pegar neste livro e a ler Miguel Torga no geral e estou muito feliz por ter corrigido este erro. Pretendo ler um dos diários dele muito em breve.

E pronto, foi este o meu mês de leituras! Fevereiro vai começar com o Norwegian Wood do Murakami, estou muito entusiasmada, e cá estarei daqui a um mês para vos contar o que achei!

Uma Dúzia de Livros Janeiro: Bichos, Miguel Torga (Rita da Nova)

A Rita da Nova é autora de um dos meus blogues portugueses favoritos (aqui) sobre livros, comida, viagens, gatos, plantas etc Gosto imenso da forma como escreve e interage com os leitores do blogue e passei o ano de 2020 com vontade de me juntar ao seu clube do livro mensal – Uma Dúzia de Livros.

O conceito do clube é muito interessante – em vez de toda a gente ler e debater o mesmo livro, a Rita lança mensalmente um tema para influenciar uma escolha literária de cada pessoa, com base na sua própria experiência e preferência. O tema deste mês era “um livro que toda a gente já leu”. Adorei a ideia, juntei-me ao grupo do goodreads do desafio e usei o último fim de semana do mês para ler Bichos, do Miguel Torga.

Bichos é um livro de contos sobre animais com nomes, personalidades e histórias de gente a sério. Miguel Torga é um dos autores portugueses mais conceituados e lidos de todos os tempos, e nunca ter lido nada do autor era definitivamente uma grande falha.

O livro é composto por um prefácio genial e 14 contos muito diferentes mas igualmente deliciosos e cativantes. Os capítulos do burro, do galo e do gato foram os meus favoritos, e dei por mim angustiada durante o capítulo do touro, que me remete para a barbaridade que são as touradas. É um livro divertido e emotivo que se lê muito bem e muito rápido e uma ótima companhia para um fim de semana chuvoso de janeiro.

Ignorância desculpável, aliás. A gente entende pouco do semelhante. Cada um de nós é um enigma, que a maior parte das vezes fica por decifrar.

Bichos, Miguel Torga

Fico muito feliz por ter finalmente pegado neste livro, e estou muito agradecida à Rita pelo desafio. Em fevereiro o tema é “um livro fora da tua zona de conforto”. Ainda não decidi o que vou ler mas vou definitivamente continuar a participar!

BEST OF 2020 – Não Ficção

Ao longo deste ano apercebi-me de que colecciono livros de Não Ficção a uma velocidade muito superior àquela a que os leio. Isto deve-se principalmente a muitos dos livros que me atraem se relacionarem com temas pesados nos quais passo já grande parte do meu dia-a-dia a pensar, principalmente Ciência e Direitos Humanos. Assim, e sendo para mim a leitura uma atividade principalmente de lazer e escapismo do mundo real, acabam por ficar esquecidos. Apercebi-me, no entanto, de que há livros de não ficção mais “leves” e igualmente eficazes como escape – as biografias e memoirs. E foi precisamente sobre este subgénero que me debrucei mais este ano, e que culminou nesta lista. Em 2021 espero combater a preguiça de ignorar todos os “pesados” da não ficção que me ocupam as prateleiras, mas por agora fiquem com as minhas memoirs favoritas do ano.

1º – Everything I Know About Love

Autor: Dolly Alderton
Lido: Dezembro 2020

Dolly Alderton é jornalista, escritora, colunista do Sunday Times e (acima de tudo) hilariante. Esta memoir é um retrato da sua vida desde a escola básica até chegar aos 30, com todo o crescimento pessoal, histórias embaraçosas e corações partidos que isso acarreta. Com um perfeito equilíbrio entre momentos leves/engraçados e tópicos pesados/dolorosos, à semelhança da vida real, Dolly conseguiu um retrato fidedigno, relacionável e importante da vida de uma millenial no século XXI.

Destaque ainda para a forma importante como relata os seus problemas de saúde mental e a procura de ajuda profissional.

“I am always half in life, half in a fantastical version of it in my head.”

2º – Lab Girl

Autor: Hope Jahren
Lido: Abril 2020

“Lab Girl – A story of trees, science and love” é a memoir de Hope Jahren, uma reconhecida investigadora e professora universitária de Paleobiologia. Segundo a própria, é um livro sobre “trabalho e amor, e sobre as montanhas que se podem mover quando estas duas coisas se juntam.” Estando eu a iniciar o meu PhD em Biomedicina e tendo aspirações de seguir uma carreira académica, este livro foi muito importante – um testemunho de resiliência, trabalho árduo e, acima de tudo, amor pela ciência, que me encontrou precisamente no momento certo.

Review completa: https://naspantufasdarita.fciencias.com/2020/06/30/lab-girl-by-hope-jahren/

Science has taught me that everything is more complicated than we first assume, and that being able to drive happiness from discovery is a recipe for a beautiful life.

3º – This is Going to Hurt

Autor: Adam Kay
Lido: Dezembro 2020

Este é certamente um dos livros mais badalados do ano – esteve nos tops e nas mesinhas de cabeceira de toda a gente o ano todo, e talvez por isso tenha resistido à sua leitura. Mas em dezembro decidi finalmente pegar-lhe e todo o hype fez finalmente sentido. Adam Kay, ex-médio da NHS e agora comediante, compilou os seus diários de quando era um junior doctor a avançar na carreira como obstetra e ginecologista.

As entradas em forma de diário são curtas e diretas, as explicações de termos e conceitos médicos acessíveis, e o tom é humanista e carregado de humor e crítica social.

Num ano em que os profissionais de saúde se destacaram (ainda mais), as críticas que Adam faz ao sistema de saúde, aos horários e condições dos profissionais e a tudo o que envolve a carreira médica são da mais alta importância. Se procuram um livro informativo, intrigante e engraçado que vos prenda do início ao fim então “This is Goin to Hurt” é perfeito.

“I notice that every patient on the ward has a pulse of 60 recorded in their observation chart so I surreptitiously inspect the healthcare assistant’s measurement technique. He feels the patient’s pulse, looks at his watch and meticulously counts the number of seconds per minute.”

Menção Honrosa: Notes on a Nervous Planet, Matt Haig (lido Outubro 2020)

BEST OF 2020 – Romance

Este foi o ano em que me aventurei mais no romance, e fiz uma descoberta incrível – não é tudo Nicholas Sparks! Sem desrespeito para quem gosta, ainda bem que existe, simplesmente não é para mim. Estão a ver aquelas comédias românticas perfeitas para um domingo à tarde debaixo de uma manta a comer gelado? Ou aqueles romances tão poéticos e reais que nos dão sempre vontade de virar a vida ao contrário? Há livros assim!! E eu tive a sorte de ler alguns deles… Aqui ficam os meus favoritos.

1º – Writers and Lovers

Autor: Lilly King
Lido: Agosto 2020

Classificar este livro como Romance é uma decisão pessoal – oficialmente é ficção literária, mas o blog é meu por isso fica aqui. Gostei tanto deste livro que até é difícil explicar o porquê – é um livro sobre livros, um dos meus temas favoritos. Conta-nos a história de Casey, aspirante a escritora que trabalha como empregada de mesa há 5 anos para se sustentar enquanto tenta escrever a obra prima da vida dela.

“It’s strange, to not be the youngest kind of adult anymore”

Chocada pela súbita morte da mãe, Casey sente-se mais perdida do que nunca e incapaz de cumprir os seus sonhos, ao mesmo tempo que vê todos os amigos escritores que tem e conhece a serem publicados. Na sua jornada para ultrapassar a morte da mãe e completar finalmente o seu livro envolve-se com dois escritores muito diferentes mas igualmente fascinantes, que moldam a sua forma de pensar, escrever e agir.

A história é mundana e realista, as pessoas e as relações são tão credíveis que poderiam ser os nossos vizinhos do lado, e foi parcialmente por isso que gostei tanto. Para além disto, a escrita de Lily King é incrivelmente cativante e ritmada, e frequentemente poética. Sempre que me lembro desta obra fico com vontade de a reler. Possivelmente o meu livro favorito do ano!

“It’s a particular kind of pleasure, of intimacy, loving a book with someone.”

2º – Beach Read

Autor: Emily Henry
Lido: Agosto 2020

Outro romance sobre livros e escritores? Yes, Please! Dois autores rivais e muito diferentes (ela, romance; ele, ficção literária) acabam vizinhos por um verão numa vila pitoresca.

A lidar com a morte do pai e o fim da sua relação de longa duração, January sente-se incapaz de escrever sobre o amor. Preso no seu próprio bloqueio literário, Augustus está ainda mais maldisposto do que o costume. Num segundo de loucura, os dois decidem trocar de papéis – January vai escrever um livro triste e dramático, Gus vai escrever um romance. E o resto, é (literalmente) história…

“Again and again he told me I wasn’t myself. But he was wrong. I was the same me I’d always been. I’d just stopped trying to glow in the dark for him, or anyone else.”

3º – Take a Hint, Dani Brown

Autor: Talia Hibbert
Lido: Dezembro 2020

Este livro foi DELICIOSO! Confesso que arrancou alguns giggles juvenis e me aqueceu a alma. Dani Brown é uma estudante de doutoramento e aspirante a professora univeritária que prioritiza o trabalho e a família acima de tudo. Por essas razões, está convencida de que não tem tempo nem capacidade para ter uma relação, e foge de situações sérias ou com carga emocional a sete pés.

Zafir é um ex-jogador de rugby com um aspeto de durão mas que adora romances e o seu projeto de voluntariado dedicada a ensinar inteligência emocional a jovens rapazes. Um par improvável com objetivos e visões do amor e relações muito diferentes, mas que apesar de tudo arranjam maneira de encaixar, nos vários sentidos da palavra… Divertido, leve, emocionante e cativante, um must read absoluto.

“If something keeps you human when pressure makes you feel like a volcano, hold onto that thing by whatever means necessary.”

BEST OF 2020 – Ficção Internacional

Ficção é o género literário que mais consumo e de que mais gosto. Este ano tive a sorte de encontrar diversos novos favoritos, e foi muito difícil seleccionar apenas três para apresentar como os meus favoritos. Por isso mesmo, acrescentei no final uma pequena lista de menções honrosas que poderiam de boa consciência integrar qualquer lista de BEST do ano.

E agora, sem mais demoras, fiquem com os meus três livros de ficção internacional favoritos de 2020.

1º – Where the Crawdads Sing

Autor: Delia Owens
Lido: Outubro 2020

A História de Kya, a rapariga do pântano, abandonada pela família e sem acesso a educação formal. Este livro é uma história de resiliência, amor pela natureza e humanidade. Uma narrativa apaixonante com personagens cativantes que desafia as normas do que é viver em sociedade e reflete as fragilidades de um sistema judicial incapaz de ser. A nível descritivo é um dos livros mais bonitos que já li, e dei por mim genuína e emocionalmente investida nas personagens e no que lhes acontecia.

“How much do you trade to defeat loneliness?”

2º – Midnight Library

Autor: Matt Haig
Lido: Dezembro 2020

Matt Haig é um dos meus autores favoritos, e este era um dos meus livros mais aguardados do ano. Conta-nos a história de Nora, 35 anos, que por uma combinação de circunstâncias decide pôr fim à sua vida. É então transportada para uma biblioteca com todas as vidas paralelas que poderia ter vivido se certas escolhas tivessem sido diferentes – Nora tem agora a possibilidade todos os Universos em que também existe, e descobrir a vida que realmente quer viver.

A person was like a city. You couldn’t let a few less desirable parts put you off the whole. There may be bits you don’t like, a few dodgy side streets and suburbs, but the good stuff makes it worth-while.

3º – Girl, Woman, Other

Autor: Bernardine Evaristo
Lido: Novembro 2020

Girl, Woman, Other segue a história de 12 mulheres diferentes, britânicas e maioritariamente negras, cujas narrativas se interligam de alguma forma. Escrito de forma livre, quase sem pontuação ou marcas de diálogo, apresenta-nos testemunhos de feminidade, relações, temas queer, racismo e preconceito no geral, família, amizade, entre outros. As personagens estão tão bem construídas que é fácil esquecer que não existem. Um dos livros mais poderosos que já li!

“this is not about feeling something or about speaking words

this is about being

together.”

Menções Honrosas

  • Big Little Lies, Liane Moriarty
  • Eleanor Oliphant is Completely Fine, Gail Honeyman
  • O Leitor do Comboio, Jean-Paul Didelaurent

2020 e os Livros

O meu desafio de leitura para 2020 foi de 50 livros – proclamado no goodreads ainda antes do fim de 2019, ano em que li apenas um livro por mês. Tendo 2020 53 semanas, este desafio correspondia aproximadamente a um livro por semana, num ano que se adivinhava ocupado – começar o doutoramento, aumentar os projetos de voluntariado e desenvolvimento pessoal, pensar seriamente sobre sair de casa. Nunca acreditei que chegaria a este número, escolhido por ser redondo e algo desafiante.

Mas 2020 não foi o que se esperava. Uma pandemia, vários estados de emergência e lockdowns, emergências climáticas em crescimento, a crise dos refugiados na Europa a piorar, democracias e direitos básicos ameaçados por todo o mundo, e até o crescimento da extrema-direita e dos fachocoisos no nosso próprio país. Tudo isto me levou a passar muito mais tempo em casa e sozinha do que em qualquer outro ano da minha vida, e deu-me vontade de escapar à realidade e me emergir em novos Mundos como há muito não sentia.

E o resultado foi este – 69 livros lidos, 20 649 páginas, demasiados livros comprados e dias a reorganizar a estante, horas a escrever sobre os livros e transcrever as frases que me marcaram, e um blogue usado muito ocasionalmente. Este ano marcou ainda a minha rendição aos e-books, tanto por razões económicas como de espaço.

(a maioria dos) Livros lidos em 2020

Os Livros foram sempre das melhores coisas da minha vida, mas este ano revelaram-se exponencialmente importantes. Pela companhia, pelas aprendizagens, pelas histórias que movem e as que nem por isso, pela experiência de ler e discutir livros com outras pessoas. Pela Feira do Livro, horas em livrarias, as esperas pelo correio, as compras e vendas em segunda e terceira mão, os empréstimos a amigos e a ânsia de que gostem tanto do livro como nós gostámos.

Por tudo isto, 2020 foram os Livros e os Livros foram 2020.

E assim, segue-se uma lista exaustiva e absolutamente desnecessária de tudo o que li este ano, a saber:

Janeiro

If the Cats Disappeared from the World, Genki Kawamura

All the Light we Cannot See, Anthony Doerr

No and Me, Delphine de Vigan

Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, Unknown Author

February

Call Me By Your Name, André Aciman

Slaughterhouse-Five, Kurt Vonnegut Jr.

March

Letter to My Daughter, Maya Angelou

The Night Circus, Erin Morgenstein

Carta de uma Desconhecida, Stefan Zweig

Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago

Life Class, Pat Baker

Steelheart, Brandon Sanderson

Abril

O Alienista, Machado de Assis

Man Withour Women, Haruki Murakami

Lab Girl, Hope Jahren

Normal People, Sally Rooney

Maio

O Monte dos Vendavais, Emily Bronte

Stay Where You Are and then Leave, John Boyne

The Humans, Matt Haig

The Sun and Her Flowers, Rupi Kaur

Lady Susan, Jane Austen

Little Fires Everywhere, Celeste Ng

Junho

Percy Jackson and the Lightening Thief, Rick Riordan

Vamos Comprar um Poeta, Afonso Cruz

Twilight, Stephanie Meyer

New Moon, Stephanie Meyer

Eleanor Oliphant is Completely Fine, Gail Honeyman

Julho

Sing Yesterday For Me vol.1-3, Kei Toume

Heartstopper vol 1-3, Alice Oseman

Ready Player One, Ernest Cline

Landline, Rainbow Rowell

Yes No Maybe So, Becky Albert & Arisha Saeed

The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald

The Places I’ve Cried in Public, Holly Bourne

Agosto

Firefight, Brandon Sanderson

Get a Life, Chloe Brown, Talia Hibert

The Picture of Dorian Gray, Oscar Wilde

Beach Read, Emily Henry

Writers and Lovers, Lilly King

Big Little Lies, Liane Moriarty

The Kiss Quotient, Helen Hoang

Love and Vodka, Christina Strigas

Setembro

The Story of More, Hope Jahren

The Knife of Never Letting Go, Patrick Ness

Jesus Cristo Bebia Cerveja, Afonso Cruz

A Morte Não Ouve o Pianista, Afonso Cruz

Everything I Never Told You, Celeste Ng

Outubro

The Cruel Prince, Holly Black

Percy Jackson and the Sea of Monsters, Rick Riordan

Notes on a Nervous Planet, Matt Haig

O Leitor do Comboio, Jean-Paul Diderlaurent

Where the Crawdads Sing, Delia Owens

Novembro

Everything I Know About Love, Dolly Alderton

About a Boy, Nick Hornby

The Wicked King, Holly Black

The Queen of Nothing, Holly Black

Dezembro

Girl, Woman, Other, Bernardine Evaristo

Take a Hint, Dani Brown, Talia Hibert

Sky in the Deep, Adrienne Young

My Year of Rest and Relaxation, Otessa Moshfegh

This is Going to Hurt, Adam Kay

The Midnight Library, Matt Haig

Os Poemas Possíveis, José Saramago

A Curse of Roses, Diana Pinguimcha

Meditações do Desassossego, Bernardo Soares

Feira do Livro 2020

O fim de Agosto traz um dos meus eventos favoritos do ano – A Feira do Livro do Porto. Num ano tão atípico e com tantas desilusões como tem sido 2020, a realização da Feira do Livro trouxe-me ainda mais felicidade do que em outros anos. Desde que me lembro nunca perdi uma edição, e é já uma tradição de família passarmos um ou dois dias a explorar as banquinhas da feira.

Palácio de Cristal // Agosto 2020

A Feira abriu ontem (28 de Agosto) e estará aberta até 13 de Setembro, nos jardins do Palácio de Cristal, com o tema “Alegria para o fim do mundo”. Com lotação controlada e limitada, stands de álcool-gel espalhados pelo recinto e obrigatoriedade no uso de máscara, senti-me perfeitamente segura o tempo todo. E a feira não desiludiu.

Saí de casa com uma lista de três livros a comprar, já sabendo que dificilmente teria a força de vontade para me restringir a tal. E assim foi. Como se costuma dizer, “perdi a cabeça”, mas ganhei livros que estou ansiosa por ler, pelo que não me arrependo. Assim, sem mais demoras, fiquem com as minhas comprinhas neste ano na feira.

A primeira banca a que fui, da Poetria (https://www.poetria.pt/) foi de longe a minha favorita. Super bem organizada, com uma variedade de livros de poesia e teatro invejável, e funcionários extremamente simpáticos e prestáveis, foi onde encontrei mais alegria. Aqui comprei quatro livros de poesia:
– “Os Poemas Possíveis”, de José Saramago – confesso que até ao momento não sabia que Saramago tinha um livro de poesia, mas estou felicíssima por o ter encontrado. Este é talvez o livro que mais vontade tenho de ler, sinto que não vai chegar ao fim de Setembro sem a espinha quebrada (metaforicamente, claro!)
– “Penguin’s Poems for Love” – as colectâneas de poesia da Penguin são espetaculares, e uma forma incrível e económica de conhecer novos autores e explorar temas específicos. Já tenho companhia para as noites em que só me apetece abrir um rosé e ler poesia de amor!
– “The Complete Poems”, de Emily Dickinson – andava há meses à procura de uma colectânea da Emily Dickinson que valesse a pena, e na Poetria encontrei-a finalmente. A um preço incrível (16 euros!!!), de elevada qualidade e com mais de 700 poemas, tenho finalmente a edição definitiva que tanto cobiçava.

O Afonso Cruz é um dos meus autores favoritos, e a pouco e pouco tenho procurado coleccionar as suas obras, que tanto me entretêm. Encontrei esta edição limitada d’”As Flores” que combina com a minha edição de “Jesus Cristo Bebia Cerveja” e não resisti a trazê-la comigo. Ainda na Poetria, foi-me recomendado o “paz traz paz”, o novo livro de poesia do mesmo autor, que acabou por vir também embora comigo.

A banca da Booktique (https://booktique.online/index.htm) é das mais populares na feira, pois todos os livros estão à venda por apenas 1 euro. Sim, isso mesmo, 1 euro! Com este preço apetecível e uma selecção de obras invejável é impossível não perder a cabeça. Comprei uma pequena coleção de mini-clássicos e obras obrigatórias em todas as estantes de um “bom português” que faziam falta nas minhas: “O Elogio do Almanaque” e “O Deserto” de Eça de Queirós; “Meditações do Desassossego” do Bernardo Soares; “Ode Marítima” do Álvaro de Campos e “A Chinela Turca” do Machado de Assis. Por lapso, agarrei também no “Livro da Sabedoria” do Salomão, que de certo será também uma agradável leitura.

Por fim, este ano trouxe uma agradável surpresa – várias bancas (incluindo as da Fnac e do El Corte Inglês) tiveram o cuidado de ter uma seleção de livros em inglês (e frequentemente também em francês e espanhol). Assim, não resisti a adquir alguns livros que estavam na minha lista já há algum tempo (como o “Meditations” do Marcus Aurelius o “The Shell Collector” do Anthony Doerr, autor do fantástico “All the Light We Cannot See” e o “Nine Perfect Strangers” da Liane Moriarty, autora de “Big Little Lies”) e outros que me chamaram a atenção no momento, tanto pelas capas, autores e sinopses, e que espero que correspondam à expectativa (“Bridge of Clay” de Markus Zusak, autor de “The Book Thief” e “About a Boy”, do Nick Horby).

Conclusão – a minha tarde na Feira foi um sucesso. O evento não desiludiu e, como sempre, este foi um dos meus dias favoritos do ano. Talvez mais para o fim da Feira volte para explorar mais um bocadinho, mas para já estou bem servida de leituras interessantes e entusiasmantes para me acompanharem nos meses de Outono e Inverno (e possivelmente de novo confinamento) que se avizinham. Boa Feira a todos!

Lab Girl by Hope Jahren

“Lab Girl”, by Hope Jahren
read April 2020
rating: 4/5

Science has taught me that everything is more complicated than we first assume, and that being able to drive happiness from discovery is a recipe for a beautiful life.

“Lab Girl – A story of trees, science and love” é a memoir de Hope Jahren, uma reconhecida investigadora e professora universitária de Paleobiologia. Segundo a própria, é um livro sobre “trabalho e amor, e sobre as montanhas que se podem mover quando estas duas coisas se juntam.”

Tiny but determined, I navigated the confusing and unstable path of being what you are while knowing that it’s more than what peope want to see.

O livro alterna entre dois tipos de capítulos – episódios biográficos da vida pessoal e profissional da autora (enriquecidos por reflexões pessoais sobre o a exigente profissão de uma investigadora ciêntífica, e secções dedicadas às árvores e plantas que Hope tanto admira. Através da romanticização de fenómenos biológicos da Vida das Árvores, a autora desenha paralelismos para a própria vida, que nos fazem sentir mais próximos das nossas amigas produtoras de Oxigénio.

People are like plants: they grow toward the light. I chose science because science gave me what I needed – a home as defined in the most literal sense – a safe place to be.

A descrição da vida de Hope começa quando era uma criança a brincar no laboratório do pai (professor Universitário de Química). Acompanhamo-la durante a sua licenciatura e doutoramento, os duros primeiros anos como investigadora independente e aspirante a líder de um grupo de investigação, o consagrar do objetivo de ser professora universitária, e até o seu casamento com um outro investigador, Clint.

A vida de Hope e a forma como ela equilibrou (ou não equilibrou) a sua vida pessoal e carreira científica provocaram em mim sentimentos contraditórios. Se, por um lado, me revejo na sua paixão pela investigação cientifica, pela capacidade de trabalhar longas e duras horas, pela sede de conhecimento e visão do mundo injusto das bolsas de investigação e candidaturas a projetos, fiquei também muito incomodada com a forma como a autora descura completamente a sua vida pessoal, saúde e bem-estar em prol da ciência, durante grande parte da sua vida.

It was kind of tragic, I reflected, that we all spent our lives working but never really got good at our work, or even finished it.

Desde esquecer-se de comer ou dormir durante dias a fio, até afirmar que não consegue conceber a hipótese de uma vida social e romântica ativa ser combinada com uma carreira científica de suecesso, houve muitos momentos em que me apeteceu abanar Hope e dizer-lhe que o nosso trabalho científico é suposto ser parte da nossa vida, mas nunca a vida toda. A própria autora apercebe-se disto mesmo, ainda que mais tarde do que seria desejado, quando se casa com Clint, e principalmente, quando têm o primeiro filho.

However much you love your job, it ain’t going to love you back.

Acima de tudo, este livro ensinou-me muito – mostrou-me o lado da Hope que gosto de emular no meu dia-a-dia, e também aquele que luto por combater. Recomendo-o definitivamente a [email protected] os cientistas e investigadores que por vezes se sintem [email protected] nas muitas frustações diárias que vêm com a profissão e, espero que tal como a Hope, todos nós aprendamos a equilibrar a ciência e a vida de uma forma que resulta no maior objetivo de todos – a nossa felicidade.

My lab is a place where it’s just as well that I can’t sleep, because there are so many things to do in the world beside that.