sinal de gps perdido

sou terrível a seguir o gps – confundo a esquerda com a direita, o norte com o sul, as saídas e os metros e os kilómetros. não sei nomes de ruas nem auto-estradas nem nacionais nem IPs nem vias equiparadas. saio de casa 15 minutos antes do suposto para prevenir as vezes que me vou perder e o tempo que demoro a estacionar, e se fico sem bateria o melhor é esquecerem que tínhamos planos porque o mais provável é eu nunca chegar ao destino. ou ir parar a lisboa a tentar.

é comum as pessoas assumirem que vou (ou devia) saber o caminho só porque já o fiz duas, três ou dez vezes, quando a verdade é que tenho todas as moradas importantes e dos sítios que mais frequento guardadas como favoritos na aplicação do gps.

houve uma altura em que isto me incomodava – sentia-me inútil, infantil e dependente. três coisas que são, até certo ponto, verdade. mas no fundo não é só no carro ou a seguir o gps que me perco, sou despassarada e aérea por natureza e cada vez vivo melhor com isso.

já me perdi a andar a pé, já apanhei duas vezes o comboio errado no mesmo dia, já fui ter à fnac quando era suposto ter ido ter à “fac” (leia-se, faculdade). engano-me frequentemente no lado do metro ou direção do autocarro (principalmente se for circular). durante o meu Erasmus fiz mais explorações acidentais da cidade do que propositadas, conheci pessoas e lojas e ruas que nunca consegui rever por não me lembrar do caminho que me tinha levado lá.

tenho sempre a cabeça na lua – tropeço uma média de dez vezes por dia, vou contra portas e esquinas e armários e tudo e mais alguma coisa, esqueço-me de esperar pelo verde para peões e arrisco ser atropelada, choco com postes e árvores e caio em escadas e rampas, ruas lisas e em paralelo. e nem sequer uso saltos altos.

comecei este post com a intenção de estabelecer um paralelismo entre o gps e os sinais que as outras pessoas e o mundo à minha volta no geral me dão, e a minha falta de capacidade frequente para interpretar ambos corretamente. às vezes penso esquerda e viro à direita (mas só na estrada); às vezes acho que alguém quer o meu bem e uns meses depois descubro que não. gostava que existisse um gps para relações e para a humanidade, algo que ajudasse nas decisões do dia a dia – será que vale a pena investir nesta amizade ? será que compensa ir a este encontro / aceitar esta proposta / escolher este tema de dissertação / assinar este contrato /alugar esta casa / confiar nesta pessoa etc etc etc

algo que previsse com alguma antecedência o trânsito e os obstáculos que cada caminho possível acarreta e representa e calculasse o percurso mais rápido e sem portagens ou operações STOP. um gps de emoções e de decisões.

mas depois de tudo o que revelei eleva-se uma pergunta mais do que evidente – se este gps existisse, será que seria capaz de o seguir sem me perder? sou despassarada na estrada e por vezes na vida, mas cada vez acho mais que acabo sempre por chegar onde devia – mesmo que depois da hora combinada. e nem tudo é mau. perco frequentemente o sinal do gps, mas encontro sempre algo diferente e inesperado (nem que seja uma rua sem saída), e acumulo histórias e aventuras que valem bem mais do que os minutos perdidos em filas de trânsito evitáveis. e estou genuinamente okay com isso.

BEST OF 2020 – Os Outros

Ensaio Sobre a Cegueira

Autor: José Saramago
Lido: Março 2020

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

Jesus Cristo Bebia Cerveja

Autor: Afonso Cruz
Lido: Setembro 2020

“Quando acordaram de manhã, na mesma cama, ela disse-lhe que queria ter um passado com ele. Não era um futuro, que é uma coisa incerta, mas um passado, que é isso que têm dois velhos depois de passarem uma vida juntos. Quando disse que queria ter um passado com alguém, queria dizer tudo. Não desejava uma incerteza, mas a História, a verdade.”

A Curse of Roses

Autor: Diana Pinguicha
Lido: Dezembro 2020

“Kindness isn’t something you are. It’s something you choose to be, every single moment of every single day.”

Os Poemas Possíveis

Autor: José Saramago
Lido: Outubro-Dezembro 2020

Química

Sublimemos, amor. Assim as flores
No jardim não morreram se o perfume
No cristal da essência se defende.
Passemos nós as provas, os ardores:
Não caldeiam instintos sem o lume
Nem o secreto aroma que rescende.

All The Light We Cannot See

Autor: Anthony Doerr
Lido: Janeiro 2020

“Every hour, she thinks, someone for whom the war was memory falls out of the world.”

The Great Gatsby

Autor: F. Scott Fitzegerald
Lido: Julho 2020

“Angry, and half in love with her, and tremendously sorry, I turned away.”

The Picture of Dorian Gray

Autor: Oscar Wilde
Lido: Agosto 2020

“The books that the world calls immoral are books that show the world its own shame.”

Life Class

Autor: Pat Barker
Lido: Março 2020

“In the face of their suffering, isn’t it self-indulgent to think about his own feelings?”

Call Me By Your Name

Autor: André Aciman
Lido: Fevereiro 2020

“He came. He left. Nothing else had changed. I had not changed. The world hadn’t changed. Yet nothing would be the same. All that remains is dreammaking and strange remembrance.”

BEST OF 2020 – Não Ficção

Ao longo deste ano apercebi-me de que colecciono livros de Não Ficção a uma velocidade muito superior àquela a que os leio. Isto deve-se principalmente a muitos dos livros que me atraem se relacionarem com temas pesados nos quais passo já grande parte do meu dia-a-dia a pensar, principalmente Ciência e Direitos Humanos. Assim, e sendo para mim a leitura uma atividade principalmente de lazer e escapismo do mundo real, acabam por ficar esquecidos. Apercebi-me, no entanto, de que há livros de não ficção mais “leves” e igualmente eficazes como escape – as biografias e memoirs. E foi precisamente sobre este subgénero que me debrucei mais este ano, e que culminou nesta lista. Em 2021 espero combater a preguiça de ignorar todos os “pesados” da não ficção que me ocupam as prateleiras, mas por agora fiquem com as minhas memoirs favoritas do ano.

1º – Everything I Know About Love

Autor: Dolly Alderton
Lido: Dezembro 2020

Dolly Alderton é jornalista, escritora, colunista do Sunday Times e (acima de tudo) hilariante. Esta memoir é um retrato da sua vida desde a escola básica até chegar aos 30, com todo o crescimento pessoal, histórias embaraçosas e corações partidos que isso acarreta. Com um perfeito equilíbrio entre momentos leves/engraçados e tópicos pesados/dolorosos, à semelhança da vida real, Dolly conseguiu um retrato fidedigno, relacionável e importante da vida de uma millenial no século XXI.

Destaque ainda para a forma importante como relata os seus problemas de saúde mental e a procura de ajuda profissional.

“I am always half in life, half in a fantastical version of it in my head.”

2º – Lab Girl

Autor: Hope Jahren
Lido: Abril 2020

“Lab Girl – A story of trees, science and love” é a memoir de Hope Jahren, uma reconhecida investigadora e professora universitária de Paleobiologia. Segundo a própria, é um livro sobre “trabalho e amor, e sobre as montanhas que se podem mover quando estas duas coisas se juntam.” Estando eu a iniciar o meu PhD em Biomedicina e tendo aspirações de seguir uma carreira académica, este livro foi muito importante – um testemunho de resiliência, trabalho árduo e, acima de tudo, amor pela ciência, que me encontrou precisamente no momento certo.

Review completa: https://naspantufasdarita.fciencias.com/2020/06/30/lab-girl-by-hope-jahren/

Science has taught me that everything is more complicated than we first assume, and that being able to drive happiness from discovery is a recipe for a beautiful life.

3º – This is Going to Hurt

Autor: Adam Kay
Lido: Dezembro 2020

Este é certamente um dos livros mais badalados do ano – esteve nos tops e nas mesinhas de cabeceira de toda a gente o ano todo, e talvez por isso tenha resistido à sua leitura. Mas em dezembro decidi finalmente pegar-lhe e todo o hype fez finalmente sentido. Adam Kay, ex-médio da NHS e agora comediante, compilou os seus diários de quando era um junior doctor a avançar na carreira como obstetra e ginecologista.

As entradas em forma de diário são curtas e diretas, as explicações de termos e conceitos médicos acessíveis, e o tom é humanista e carregado de humor e crítica social.

Num ano em que os profissionais de saúde se destacaram (ainda mais), as críticas que Adam faz ao sistema de saúde, aos horários e condições dos profissionais e a tudo o que envolve a carreira médica são da mais alta importância. Se procuram um livro informativo, intrigante e engraçado que vos prenda do início ao fim então “This is Goin to Hurt” é perfeito.

“I notice that every patient on the ward has a pulse of 60 recorded in their observation chart so I surreptitiously inspect the healthcare assistant’s measurement technique. He feels the patient’s pulse, looks at his watch and meticulously counts the number of seconds per minute.”

Menção Honrosa: Notes on a Nervous Planet, Matt Haig (lido Outubro 2020)

BEST OF 2020 – Romance

Este foi o ano em que me aventurei mais no romance, e fiz uma descoberta incrível – não é tudo Nicholas Sparks! Sem desrespeito para quem gosta, ainda bem que existe, simplesmente não é para mim. Estão a ver aquelas comédias românticas perfeitas para um domingo à tarde debaixo de uma manta a comer gelado? Ou aqueles romances tão poéticos e reais que nos dão sempre vontade de virar a vida ao contrário? Há livros assim!! E eu tive a sorte de ler alguns deles… Aqui ficam os meus favoritos.

1º – Writers and Lovers

Autor: Lilly King
Lido: Agosto 2020

Classificar este livro como Romance é uma decisão pessoal – oficialmente é ficção literária, mas o blog é meu por isso fica aqui. Gostei tanto deste livro que até é difícil explicar o porquê – é um livro sobre livros, um dos meus temas favoritos. Conta-nos a história de Casey, aspirante a escritora que trabalha como empregada de mesa há 5 anos para se sustentar enquanto tenta escrever a obra prima da vida dela.

“It’s strange, to not be the youngest kind of adult anymore”

Chocada pela súbita morte da mãe, Casey sente-se mais perdida do que nunca e incapaz de cumprir os seus sonhos, ao mesmo tempo que vê todos os amigos escritores que tem e conhece a serem publicados. Na sua jornada para ultrapassar a morte da mãe e completar finalmente o seu livro envolve-se com dois escritores muito diferentes mas igualmente fascinantes, que moldam a sua forma de pensar, escrever e agir.

A história é mundana e realista, as pessoas e as relações são tão credíveis que poderiam ser os nossos vizinhos do lado, e foi parcialmente por isso que gostei tanto. Para além disto, a escrita de Lily King é incrivelmente cativante e ritmada, e frequentemente poética. Sempre que me lembro desta obra fico com vontade de a reler. Possivelmente o meu livro favorito do ano!

“It’s a particular kind of pleasure, of intimacy, loving a book with someone.”

2º – Beach Read

Autor: Emily Henry
Lido: Agosto 2020

Outro romance sobre livros e escritores? Yes, Please! Dois autores rivais e muito diferentes (ela, romance; ele, ficção literária) acabam vizinhos por um verão numa vila pitoresca.

A lidar com a morte do pai e o fim da sua relação de longa duração, January sente-se incapaz de escrever sobre o amor. Preso no seu próprio bloqueio literário, Augustus está ainda mais maldisposto do que o costume. Num segundo de loucura, os dois decidem trocar de papéis – January vai escrever um livro triste e dramático, Gus vai escrever um romance. E o resto, é (literalmente) história…

“Again and again he told me I wasn’t myself. But he was wrong. I was the same me I’d always been. I’d just stopped trying to glow in the dark for him, or anyone else.”

3º – Take a Hint, Dani Brown

Autor: Talia Hibbert
Lido: Dezembro 2020

Este livro foi DELICIOSO! Confesso que arrancou alguns giggles juvenis e me aqueceu a alma. Dani Brown é uma estudante de doutoramento e aspirante a professora univeritária que prioritiza o trabalho e a família acima de tudo. Por essas razões, está convencida de que não tem tempo nem capacidade para ter uma relação, e foge de situações sérias ou com carga emocional a sete pés.

Zafir é um ex-jogador de rugby com um aspeto de durão mas que adora romances e o seu projeto de voluntariado dedicada a ensinar inteligência emocional a jovens rapazes. Um par improvável com objetivos e visões do amor e relações muito diferentes, mas que apesar de tudo arranjam maneira de encaixar, nos vários sentidos da palavra… Divertido, leve, emocionante e cativante, um must read absoluto.

“If something keeps you human when pressure makes you feel like a volcano, hold onto that thing by whatever means necessary.”

BEST OF 2020 – Ficção Internacional

Ficção é o género literário que mais consumo e de que mais gosto. Este ano tive a sorte de encontrar diversos novos favoritos, e foi muito difícil seleccionar apenas três para apresentar como os meus favoritos. Por isso mesmo, acrescentei no final uma pequena lista de menções honrosas que poderiam de boa consciência integrar qualquer lista de BEST do ano.

E agora, sem mais demoras, fiquem com os meus três livros de ficção internacional favoritos de 2020.

1º – Where the Crawdads Sing

Autor: Delia Owens
Lido: Outubro 2020

A História de Kya, a rapariga do pântano, abandonada pela família e sem acesso a educação formal. Este livro é uma história de resiliência, amor pela natureza e humanidade. Uma narrativa apaixonante com personagens cativantes que desafia as normas do que é viver em sociedade e reflete as fragilidades de um sistema judicial incapaz de ser. A nível descritivo é um dos livros mais bonitos que já li, e dei por mim genuína e emocionalmente investida nas personagens e no que lhes acontecia.

“How much do you trade to defeat loneliness?”

2º – Midnight Library

Autor: Matt Haig
Lido: Dezembro 2020

Matt Haig é um dos meus autores favoritos, e este era um dos meus livros mais aguardados do ano. Conta-nos a história de Nora, 35 anos, que por uma combinação de circunstâncias decide pôr fim à sua vida. É então transportada para uma biblioteca com todas as vidas paralelas que poderia ter vivido se certas escolhas tivessem sido diferentes – Nora tem agora a possibilidade todos os Universos em que também existe, e descobrir a vida que realmente quer viver.

A person was like a city. You couldn’t let a few less desirable parts put you off the whole. There may be bits you don’t like, a few dodgy side streets and suburbs, but the good stuff makes it worth-while.

3º – Girl, Woman, Other

Autor: Bernardine Evaristo
Lido: Novembro 2020

Girl, Woman, Other segue a história de 12 mulheres diferentes, britânicas e maioritariamente negras, cujas narrativas se interligam de alguma forma. Escrito de forma livre, quase sem pontuação ou marcas de diálogo, apresenta-nos testemunhos de feminidade, relações, temas queer, racismo e preconceito no geral, família, amizade, entre outros. As personagens estão tão bem construídas que é fácil esquecer que não existem. Um dos livros mais poderosos que já li!

“this is not about feeling something or about speaking words

this is about being

together.”

Menções Honrosas

  • Big Little Lies, Liane Moriarty
  • Eleanor Oliphant is Completely Fine, Gail Honeyman
  • O Leitor do Comboio, Jean-Paul Didelaurent

2020 e os Livros

O meu desafio de leitura para 2020 foi de 50 livros – proclamado no goodreads ainda antes do fim de 2019, ano em que li apenas um livro por mês. Tendo 2020 53 semanas, este desafio correspondia aproximadamente a um livro por semana, num ano que se adivinhava ocupado – começar o doutoramento, aumentar os projetos de voluntariado e desenvolvimento pessoal, pensar seriamente sobre sair de casa. Nunca acreditei que chegaria a este número, escolhido por ser redondo e algo desafiante.

Mas 2020 não foi o que se esperava. Uma pandemia, vários estados de emergência e lockdowns, emergências climáticas em crescimento, a crise dos refugiados na Europa a piorar, democracias e direitos básicos ameaçados por todo o mundo, e até o crescimento da extrema-direita e dos fachocoisos no nosso próprio país. Tudo isto me levou a passar muito mais tempo em casa e sozinha do que em qualquer outro ano da minha vida, e deu-me vontade de escapar à realidade e me emergir em novos Mundos como há muito não sentia.

E o resultado foi este – 69 livros lidos, 20 649 páginas, demasiados livros comprados e dias a reorganizar a estante, horas a escrever sobre os livros e transcrever as frases que me marcaram, e um blogue usado muito ocasionalmente. Este ano marcou ainda a minha rendição aos e-books, tanto por razões económicas como de espaço.

(a maioria dos) Livros lidos em 2020

Os Livros foram sempre das melhores coisas da minha vida, mas este ano revelaram-se exponencialmente importantes. Pela companhia, pelas aprendizagens, pelas histórias que movem e as que nem por isso, pela experiência de ler e discutir livros com outras pessoas. Pela Feira do Livro, horas em livrarias, as esperas pelo correio, as compras e vendas em segunda e terceira mão, os empréstimos a amigos e a ânsia de que gostem tanto do livro como nós gostámos.

Por tudo isto, 2020 foram os Livros e os Livros foram 2020.

E assim, segue-se uma lista exaustiva e absolutamente desnecessária de tudo o que li este ano, a saber:

Janeiro

If the Cats Disappeared from the World, Genki Kawamura

All the Light we Cannot See, Anthony Doerr

No and Me, Delphine de Vigan

Harry Potter and the Sorcerer’s Stone, Unknown Author

February

Call Me By Your Name, André Aciman

Slaughterhouse-Five, Kurt Vonnegut Jr.

March

Letter to My Daughter, Maya Angelou

The Night Circus, Erin Morgenstein

Carta de uma Desconhecida, Stefan Zweig

Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago

Life Class, Pat Baker

Steelheart, Brandon Sanderson

Abril

O Alienista, Machado de Assis

Man Withour Women, Haruki Murakami

Lab Girl, Hope Jahren

Normal People, Sally Rooney

Maio

O Monte dos Vendavais, Emily Bronte

Stay Where You Are and then Leave, John Boyne

The Humans, Matt Haig

The Sun and Her Flowers, Rupi Kaur

Lady Susan, Jane Austen

Little Fires Everywhere, Celeste Ng

Junho

Percy Jackson and the Lightening Thief, Rick Riordan

Vamos Comprar um Poeta, Afonso Cruz

Twilight, Stephanie Meyer

New Moon, Stephanie Meyer

Eleanor Oliphant is Completely Fine, Gail Honeyman

Julho

Sing Yesterday For Me vol.1-3, Kei Toume

Heartstopper vol 1-3, Alice Oseman

Ready Player One, Ernest Cline

Landline, Rainbow Rowell

Yes No Maybe So, Becky Albert & Arisha Saeed

The Great Gatsby, F. Scott Fitzgerald

The Places I’ve Cried in Public, Holly Bourne

Agosto

Firefight, Brandon Sanderson

Get a Life, Chloe Brown, Talia Hibert

The Picture of Dorian Gray, Oscar Wilde

Beach Read, Emily Henry

Writers and Lovers, Lilly King

Big Little Lies, Liane Moriarty

The Kiss Quotient, Helen Hoang

Love and Vodka, Christina Strigas

Setembro

The Story of More, Hope Jahren

The Knife of Never Letting Go, Patrick Ness

Jesus Cristo Bebia Cerveja, Afonso Cruz

A Morte Não Ouve o Pianista, Afonso Cruz

Everything I Never Told You, Celeste Ng

Outubro

The Cruel Prince, Holly Black

Percy Jackson and the Sea of Monsters, Rick Riordan

Notes on a Nervous Planet, Matt Haig

O Leitor do Comboio, Jean-Paul Diderlaurent

Where the Crawdads Sing, Delia Owens

Novembro

Everything I Know About Love, Dolly Alderton

About a Boy, Nick Hornby

The Wicked King, Holly Black

The Queen of Nothing, Holly Black

Dezembro

Girl, Woman, Other, Bernardine Evaristo

Take a Hint, Dani Brown, Talia Hibert

Sky in the Deep, Adrienne Young

My Year of Rest and Relaxation, Otessa Moshfegh

This is Going to Hurt, Adam Kay

The Midnight Library, Matt Haig

Os Poemas Possíveis, José Saramago

A Curse of Roses, Diana Pinguimcha

Meditações do Desassossego, Bernardo Soares

Feira do Livro 2020

O fim de Agosto traz um dos meus eventos favoritos do ano – A Feira do Livro do Porto. Num ano tão atípico e com tantas desilusões como tem sido 2020, a realização da Feira do Livro trouxe-me ainda mais felicidade do que em outros anos. Desde que me lembro nunca perdi uma edição, e é já uma tradição de família passarmos um ou dois dias a explorar as banquinhas da feira.

Palácio de Cristal // Agosto 2020

A Feira abriu ontem (28 de Agosto) e estará aberta até 13 de Setembro, nos jardins do Palácio de Cristal, com o tema “Alegria para o fim do mundo”. Com lotação controlada e limitada, stands de álcool-gel espalhados pelo recinto e obrigatoriedade no uso de máscara, senti-me perfeitamente segura o tempo todo. E a feira não desiludiu.

Saí de casa com uma lista de três livros a comprar, já sabendo que dificilmente teria a força de vontade para me restringir a tal. E assim foi. Como se costuma dizer, “perdi a cabeça”, mas ganhei livros que estou ansiosa por ler, pelo que não me arrependo. Assim, sem mais demoras, fiquem com as minhas comprinhas neste ano na feira.

A primeira banca a que fui, da Poetria (https://www.poetria.pt/) foi de longe a minha favorita. Super bem organizada, com uma variedade de livros de poesia e teatro invejável, e funcionários extremamente simpáticos e prestáveis, foi onde encontrei mais alegria. Aqui comprei quatro livros de poesia:
– “Os Poemas Possíveis”, de José Saramago – confesso que até ao momento não sabia que Saramago tinha um livro de poesia, mas estou felicíssima por o ter encontrado. Este é talvez o livro que mais vontade tenho de ler, sinto que não vai chegar ao fim de Setembro sem a espinha quebrada (metaforicamente, claro!)
– “Penguin’s Poems for Love” – as colectâneas de poesia da Penguin são espetaculares, e uma forma incrível e económica de conhecer novos autores e explorar temas específicos. Já tenho companhia para as noites em que só me apetece abrir um rosé e ler poesia de amor!
– “The Complete Poems”, de Emily Dickinson – andava há meses à procura de uma colectânea da Emily Dickinson que valesse a pena, e na Poetria encontrei-a finalmente. A um preço incrível (16 euros!!!), de elevada qualidade e com mais de 700 poemas, tenho finalmente a edição definitiva que tanto cobiçava.

O Afonso Cruz é um dos meus autores favoritos, e a pouco e pouco tenho procurado coleccionar as suas obras, que tanto me entretêm. Encontrei esta edição limitada d’”As Flores” que combina com a minha edição de “Jesus Cristo Bebia Cerveja” e não resisti a trazê-la comigo. Ainda na Poetria, foi-me recomendado o “paz traz paz”, o novo livro de poesia do mesmo autor, que acabou por vir também embora comigo.

A banca da Booktique (https://booktique.online/index.htm) é das mais populares na feira, pois todos os livros estão à venda por apenas 1 euro. Sim, isso mesmo, 1 euro! Com este preço apetecível e uma selecção de obras invejável é impossível não perder a cabeça. Comprei uma pequena coleção de mini-clássicos e obras obrigatórias em todas as estantes de um “bom português” que faziam falta nas minhas: “O Elogio do Almanaque” e “O Deserto” de Eça de Queirós; “Meditações do Desassossego” do Bernardo Soares; “Ode Marítima” do Álvaro de Campos e “A Chinela Turca” do Machado de Assis. Por lapso, agarrei também no “Livro da Sabedoria” do Salomão, que de certo será também uma agradável leitura.

Por fim, este ano trouxe uma agradável surpresa – várias bancas (incluindo as da Fnac e do El Corte Inglês) tiveram o cuidado de ter uma seleção de livros em inglês (e frequentemente também em francês e espanhol). Assim, não resisti a adquir alguns livros que estavam na minha lista já há algum tempo (como o “Meditations” do Marcus Aurelius o “The Shell Collector” do Anthony Doerr, autor do fantástico “All the Light We Cannot See” e o “Nine Perfect Strangers” da Liane Moriarty, autora de “Big Little Lies”) e outros que me chamaram a atenção no momento, tanto pelas capas, autores e sinopses, e que espero que correspondam à expectativa (“Bridge of Clay” de Markus Zusak, autor de “The Book Thief” e “About a Boy”, do Nick Horby).

Conclusão – a minha tarde na Feira foi um sucesso. O evento não desiludiu e, como sempre, este foi um dos meus dias favoritos do ano. Talvez mais para o fim da Feira volte para explorar mais um bocadinho, mas para já estou bem servida de leituras interessantes e entusiasmantes para me acompanharem nos meses de Outono e Inverno (e possivelmente de novo confinamento) que se avizinham. Boa Feira a todos!

Hurricane Amy

              “I never thought I would be happy to see you with somebody new”, he says, almost in an inaudible whisper. She smiles, a shadow of the bitterness their last encounter left in her still present in the air. Around them, the concert went on, and they became enveloped by the foggy clouds of cigarette smoke mixed with that being produced by the old machine, glued to the stage. The bright pink and purple lights shone feverishly around them, transfiguring their expressions as their eyes were fixed on each other’s gazes. Amy was somewhat aware of her boyfriend standing 5 meters away from them, at the frontline, too into the music blasting through the speakers to realize she was not dancing right by his side. For once, she did not resent this. She noticed how the corners of Mathew’s eyes were more wrinkled than before, how his beard had darkened at the tips, and his forehead was now higher on his head, pushing his dirt blond curls back. Involuntarily, her hand rose to waist level, on her way to stroke his cheek, muscle memory of the tenderness and intimacy the two used to share. He smiled down at her, nervously. “Yeah”, she answers. “I never thought I’d be happy with somebody else”. Her words come out as a mere murmur, inaudible to anyone else but him, and only because he could read her lips like an open book. As the seconds tick further, Mathew nods, defeatedly.

              “Are you enjoying the concert?”, hands in his pockets, looking everywhere but at her face, wondering where his friends had run off to. Amy smiles at his familiar defense tactics. “Not really. But my boyfriend really likes this band.” “You were never one for live music. I remember”. She takes a step forward, her perfume mixing with the salty taste of the atmosphere that surrounds him. “What else do you remember?” she tempts, biting at her lower lip, red lipstick now staining her front teeth. He rolls his eyes at her impatiently, breathing out of his nose intently. “Stop, don’t do this. I’m happy for you, Amy. It’s good to see you, you look good. I hope everything is well. Have fun, okay?”. He raised his hands in front of his chest defensively, as her eyes became watery. Too tipsy to care about causing a scene and too high to notice Steve walking in her direction, she launched herself forward, rising to her tippy toes to stare Mathew in his eyes. “That’s rich. I don’t remember the last time you said so many words at your own free will. Guess after we broke up you finally learned how to communicate”.

              Mathew’s eyebrows drew together, and his nostrils dilated. Amy smiled, satisfied that she still had the power to get a reaction out of him so easily. Someone bumped against Matthew and he tipped forward, but quickly regained his balance, avoiding contact with the body in front of him. He became aware of a male persona standing behind Amy and eyeing him furiously. Her boyfriend. Many possible answers went through his brain, all of them ending with a well enunciated “Fuck you” and a storm off. However, he suddenly remembered how this whole conversation had started. He remembered how genuinely happy to see her moving on with someone else made him, how that validated that he had too. Amy’s temper and snarky remarks were scratching at poorly closed wounds of the violent fights that had adorned their feisty relationship. He was suddenly inundated with overwhelming certainty that he did not miss her, or want her back, at all. More than so – he had no desire to comply to her stinginess. There was no role for him to play in her mind games, anymore. And so, he smiled widely and sincerely, taking the girl in front of him by surprise. Fuming, Amy’s nails punctured her palms, as she fought for control over her emotions – but she had always been a tempestuous hurricane no one could quite prepare for. “It seems like it, I guess”, he finally answered, turning his back to her. “Take care, Amy”.

              “Fuck off!” she screamed at his back as he cheerfully walked away, finally laying eyes on his mates doing shots at the bar. He could hear sounds of a fight breaking out between a couple behind him and recognized the timber of Amy’s temper propagating in the small, crowded space. The band was not playing any more, and an obnoxious DJ replaced it.

              As he walked home, feeling the soft summer drizzle of the warm July night, Matthew reminisced on the night he had met Amy, at a club very similar to the one he had just left. She had been wearing a flowy white dress, contrasting against the dark tones of the rest of the bar’s population. Dancing completely out of beat as she inhaled tequila shots and floated around the arena, he had been taken by the dangerous feeling that she was different from the rest and that he, therefore, had to have her. She had that “I’m not like other girls” vibe about her, which made her irresistible to him. As he grew older, Matthew came to the realisation that there is nothing wrong with the “other girls”, and that those who make it a point to distance themselves from them and diminish their peers in other to compliment themselves are the girls one should be wary of. But on that night, many moons and lessons ago, he did not know this. And so he pursued her and let her play him for a fool, convinced that this cat and mouse game was the most raw and real romantic quest anyone could engage in.

As the weeks grew longer into the winter and his dates with Amy became more frequent, his friends tried to warn him – they saw right through her façade. But Mathew did not. He was in love, he said. Infatuated, enchanted, transfigured, forever dedicated. Drunk in love, and lust, and completely blind to the manipulative tactics of the girl he fell asleep holding each night. But the years had passed, and after hitting rock bottom and leaving her, all the therapy sessions and disastrous online dating and drunken pizza and star wars marathons served him well, as he grew into a new and improved version of himself.

He was genuinely happy to see her with someone else – not because he thought she was happy or changed, for he had understood long before that Amy had no soul to change, only a gigantic ego to drown herself in further and further. He was happy because her being with someone else reminded him of how free of her he now was. Matthew did not feel the need to move houses or cities or countries any more, he did not look for her in crowded shops or loud cafés, he was able to watch her favourite movie without giving her fleeting image more than a moment’s notice. He had moved on, and moved over, and was happier than ever.

Their love story had had more thorns than roses, but all was well now – Matthew could see it for what it was and move forward with no remorse, en route to the next twirling girl in another bar at another time, but never forgetting his worth again. At least for that, he was grateful. So, as he opened his house door and kneeled on the floor petting his dog, he thanked Amy for the storm she had caused in his life and thanked himself for the strength that took to whisk the hurricane away and bring about his own breaking dawn.