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Os Livros de 2021 Parte I

Em 2021 mergulhei de cabeça no género literário do Romance (a não confundir com a forma literária, estou mesmo a falar de livros de “amor”). Descobri alguns sub-géneros (ou tropes) viciantes, e encontrei nestes livros a escapatória perfeita para os momentos mais difíceis ou pesados do ano. Dos 78 (!) livros que li este, 32 podem ser classificados como Romance. Assim, e porque são bastantes, decidi desafiar-me a agrupá-los em categorias soltas e descrever brevente as premissas, apresentar uma quote, e deixar o meu rating ou opinião geral.

Os livros nesta lista, mesmo os agrupados na mesma categoria, são muito diferentes: alguns parecem fanfiction bem escrita (como os do Off Campus), outros são livros a sérios capazes de fazer rir e chorar simultaneamente, outros ainda tomam um tom mais sério. No geral, todos foram uma boa aventura, e estou muito feliz por ter aberto as portas da minha estante a este género.

Os Sem Categoria
Estes são os livros que não consegui encaixar em nenhuma das categorias óbvias que inventei neste post. Sim, o título é autoexplicativo. Sim, expliquei na mesma.


People We Meet on Vacation, de Emily Henry (autora de Beach Read, o meu romance favorito de 2020) conta-nos a história de Poppy e Alex, que foram de melhores-amigos, a inimigos, a apaixonados. Através de analepses, acompanhamos a evolução da amizade deles, construída através de viagens em conjunto, e testemunhamos também a evolução dos seus sentimentos.
Opinião: Adorei, 5 estrelas, Emily Henry é um tesouro e irei ler tudo o que ela escrever.
“It hurts to want it all, so many things that can’t coexist within the same life.”

Maybe in Another Life é um dos primeiros livros de Taylor Jenkins Reid, a badalada autora de The Seven Husbands of Evelyn Hugo. Segue a premissa de que uma pequena decisão tomada de forma diferente (no caso, ir para casa mais cedo ou ficar no bar até fechar) pode mudar completamente o futuro de uma pessoa. (E sim, estou a ser misteriosa de propósito!)
Opinião: Foi uma leitura rápida, senti que houve algum potencial desperdiçado na história, e gostava que algumas coisas tivessem sido melhor exploradas. 3 estrelas.
“I know there may be universes out there where I made different choices and they led me somewhere else, led me to someone else. And my heart breaks for every single version of me that didn’t end up with you.”

*Suspiro* Nem me apetece dizer grande coisa, este foi o livro de que menos gostei em toda a lista. Foca-se na trope de proximidade forçada entre uma rapariga introvertida e insegura e o seu colega de casa, um actor pornográfico que vive a vida ao máximo. Já há muito me cansei da narrativa “moça insegura que precisa que um moço lhe mostre todo o seu potencial e valor”, e passei o livro a revirar os olhos. Sei que muita gente gostou, mas não foi para mim, de todo. Nem as partes steamy o salvaram. 2 estrelas.
“Every body is different, but none of them are wrong.”


“The Cheat Sheet”
foi o segundo livro de que menos gostei nesta lista. É um friends to lovers, em que dois melhores amigos (uma professora de dança e um jogador de futebol americano) estão profundamente apaixonados um pelo outro mas nenhum quer estragar a amizade então vivem as suas vidas como se fossem amigos. Não gosto muito desta premissa, e irritou-me todos os discursos auto-depreciativos que eles tinham. Gosto dos meus friends to lovers quando não fazem ideia de que querem ser lovers, como em “People We Meet on Vacation“, até tudo rebentar. Ainda assim, é daqueles livros de que muuuita gente gosta, e não foi de todo desagradável de ler. Só não fui uma delas. 2 estrelas.
“Your soul is my favorite in this entire world,”

LGBTQA+
Não sei como é que demorei TANTO tempo a ler romances não heteronormativos, mas é definitivamente uma das categorias a explorar este ano. Em 2021 foram dois, e foram bons. Que venham mais!

“Perfect on Paper” centra-se em Darcy, uma estudante de último ano do secundário que gere um cacifo de dicas amorosas anónimas. Apaixonada pelo tema, Darcy estuda a fundo cada problema e esforça-se imenso nos conselhos que dá. No entanto, parece ser incapaz de os aplicar à própria vida. Bisexual, assumida, e parte do clube queer da escola, Darcy debate-se com a sua identidade e lugar na comunidade LGBTQ caso acabe por namorar com alguém do sexo masculino.
Opinião: Olhem, este livro é lindo! As personagens são realistas e bem construídas, e a narrativa tocou-me muito. 4.5 estrelas (por ser young adult e algo juvenil para mim), recomendo!
“For the first time, the very very first time, I really believed them. That my relationship status did not change me.”

“One Last Stop” , da mesma autora de Red, White & Royal Blue, é um romance de ficção mágico-realista. Seguimos August, de 22 anos, que se muda para Nova Iorque para acabar a faculdade, descobrir quem é, e demarcar-se da forma como a mãe a educou. Acompanhamos a sua aventura com os seus roomates: uma artista, um bruxo e um.. mal-disposto (?), os seus vizinhos que são Drag Queens em part-time, o seu trabalho num Diner tipicamente americano e a rapariga que August conhece no metro.
Opinião: Apesar de ter achado demasiado extenso, gostei imenso da experiência de leitura, e da forma como está escrito. Acima de tudo, senti-me muito ligada às personagens. 4 estrelas!
“Sometimes the point is to be sad, August. Sometimes you just have to feel it because it deserves to be felt.

Enemies to Lovers & Fake Dating
Bem, vamos a isto? Estas são duas das tropes mais exploradas e amadas deste género literário, a certa altura parecia que não havia mais nada para ler! Desde enemies to lovers em locais de trabalho (Hating Game, The Swipe Right, The Ex Talk, Act Your Age Eve Brown) até à quantidade de situações aleatórias em que duas pessoas têm de fingir relações (The Soulmate Equation, The Love Hypothesis) a combinações dos dois (The Unhoneymooners, The Spanish Love Deception), esta categoria está bem recheada, e não se esgota.

“The Hating Game” foi o primeiro livro que li em 2021, e o filme saiu em Dezembro (maaaas o livro é melhor!). Foca-se em dois colegas de trabalho, Lucy e Josh, que se odeiam (huuuum) e estão constantemente a discutir de forma muuito tensa. Quando acabam a competir pelo mesmo emprego são obrigados a passar ainda mais tempo juntos e muitas coisas acontecem (voilá!).
Opinião: Muito divertido, lê-se muito bem e rápido, e as personagens principais são engraçadas e bastante únicas. Algo previsível, como é costume do género, mas cumpre tudo aquilo que promete ser. 4 estrelas!
“The trick is to find that one person who can give it back as good as they can take it.”

“The Right Swipe” , apesar da capa divertida, entra em alguns temas mais pesados, nomeadamente assédio no local de trabalho. Foca-se em dois CEO de empresas de dating diferentes que (sem saberem) tiveram um caso de uma noite no passado. Quando se reencontram numa conferência, surge a oportunidade de fingirem uma relação (juro que isto faz mais sentido do que parece). E tudo se desenrola a partir daí!
Opinião: Vou repetir-me imenso nesta secção MAS: divertido, fácil de ler, capaz de fazer rir e (quase) chorar, e com um bom nível de steamy. 4 estrelas!
“It’s not a weakness to take care of yourself. Asking for and taking what you need to function should never be considered a weakness.”

“The Soulmate Equation” é o mais recente livro do duo Christina e Lauren e aaaaah, adorei. O plot não vai parecer muito diferente dos outros, mas para mim este foi especial. O personagem principal é um PhD em Bioinformática e genética, e como PhD em Bioquímica Computacional adorei todos os aspectos mais nerd do livro. Aqui, este cientista descobre uma técnica de sequenciação genética que permite encontrar o match perfeito para qualquer pessoa, e decide abrir uma empresa com uma app para acompanhar. A nossa personagem principal inscreve-se e (choque!) é o match perfeito do CEO! Toda uma situação e fake dating que é muito engraçada e divertida. 5 estrelas!
“I haven’t been home in years, but I feel that way with you.”

“The Ex Talk” é um romance de enemies to lovers em que dois colegas de trabalho (jornalistas numa rádio) são obrigados a trabalhar juntos: para aumentar as audiências, surge a oportunidade de criar um podcast em que os dois fingem ser ex-namorados.
Opinião: A premissa é parecida com a do Hating Game e do Right Swipe, mas na minha opinião não tão bem executada. Adorei a escrita, e a autora é repetente nesta lista, mas não foi o meu favorito do estilo. Ainda assim, entretenimento garantido! 3 estrelas.
“Make people cry, and then make them laugh,” my dad would say. “But most of all, make sure you’re telling a good story.”

“Act Your Age, Eve Brown” é a conclusão da trilogia das irmãs Brown e spoiler alert é tão bom como os anteriores! Seguimos Eve, a irmã mais nova, que ao contrário de Chloe e Dani sente dificuldade em encontrar a sua vocação, e está constantemente a mudar de emprego e de curso. Cansados, os pais decidem cortar-lhe a mesada, como motivação. Na sua raiva, Eve depara-se com um pequeno Bed&Breakfast gerido por Jacob, o protagonista mal-disposto desta história. Garanto que não precisam de saber mais. É perfeito, é Talia Hibbert no seu melhor, é um retrato fiel e emotivo das relações, do que é descobrir quem somos e o que queremos. Olhem, é ler! 5 estrelas (óbvio)
“I’m going to stay and I’m going to love you and I’m going to try. You taught me how much that matters.”

“The Spanish Love Deception” tomou as redes sociais de assalto este ano. O primeiro livro de Elena Armas apresenta-nos Catalina, nascida em Espanha e emigrada para os Estados Unidos, onde apesar de alcaçar sucesso profissional se debate com dificuldades em construir uma vida pessoal. Entra Aaron, colega de trabalho, secretamente apaixonado, mal-disposto com todos excepto com ela. Toda uma situação de fake dating que os leva a Espanha, ao casamento de irmã da Catalina, e a uma aventura muuito divertida de acompanhar. Um slow burn daqueles que compensa no fim.
Opinião: Adorei! A história, a escrita, as personagens, os elementos da cultura espanhola. Apesar da premissa ser repetitiva não foi cansativo, e estou curiosa para ler o futuro de Elena Armas. 5 estrelas!
“Because it was all you were willing to give me. And I’d rather have you hating me than not have you at all.”

“The Unhoneymooners” é um dos livros mais conhecidos do duo Christina Lauren. Li-o todo numa viagem de avião Varsóvia-Portugal, naquele estado de quem não dorme bem há duas semanas, e mesmo cansada não consegui (nem quis) parar. Imaginem: a vossa irmã vai casar-se com o homem da vida dele, vocês são a dama de honor e odeiam o irmão do noivo. O camarão servido no casamento está estragado, toda a gente fica doente (cena hilariante de ler!) e os noivos perdem a lua de mel. Por isso, tu e o irmão do noivo acabam por ir, tendo e fingir ser o casal recém-casado. E o resto, é história!
Opinião: Dos livros mais engraçados que li este ano! Se precisarem de umas horinhas de férias do mundo este é o livro a ler. 4 estrelas!
“I can appreciate my body in a bikini and still want to set fire to the patriarchy.”

“The Love Hypothesis” – reparem nesta capa, por favor. Um romance entre dois cientistas passado totalmente no meio académico com cenas steamy em congressos ? Sim, por favor! Acredito que para pessoas fora do meio, este seja só mais um romance de fake dating. Mas para mim, pela forma como discutiu problemas de sexismo e disparidade de género nas áreas STEM, foi muito importante. Já para não falar de que o herói é literalmente Bioquímico Computacional. Olá, representação! A premissa é uma relação falsa, em que ambos os intervenientes têm algo a ganhar.
Opinião: Se a escrita é perfeita? Não. O plot? Não. Se tem alguns aspetos mais problemáticos (normalmente a melhor amiga da personagem principal)? Mais-ou-menos. Mas é daquele que parece ter sido escrito para mim e, por isso, foi 5 estrelas.
“I knew he was a book lover, but to be the same kind of book lover I am? It makes my insides melt.”

“Today, Tonight, Tomorrow” , da mesma autora de The Ex Talks, passa-se no secundário, entre os dois melhores alunos da escola, e concorrentes a Valedectorian. Depois de quatro anos em constante competição, e de se considerarem inimigos, os dois acabam por formar equipa no jogo que marca o final do percurso escolar, e depois de 24h juntos a resolver enigmas muita coisa acontece.
Opinião: Se estava à espera que um romance fofo entre dois adolescentes de 18 anos me fizesse chorar ? Nope, mas fez. Este livro é adorável e de aquecer o coração.
“There’s this word in Japanese: tsundoku,” Neil says.
“It’s my favorite word in any language.”
“What does it mean?”
He grins. “It means acquiring more books than you could ever realistically read.”

Desporto
Pois bem, a minha maior descoberta do ano foram mesmo os romances de desporto, muitos em estilo fanfic, com séries longas em que cada livro se foca num personagem ou casal diferente. Eu não sei o que é que põem nestes livros, mas suspeito que seja uma droga muito poderosa. São impossíveis de abandonar, e a distração perfeita. Poderiam ser classificados de guilty pleasure, mas não sinto culpa nenhuma.

Hockey no Gelo é um dos desportos mais populares neste género literário, e Elle Kennedy é uma das rainhas residentes. “The Deal” é o primeiro livro de uma equipa (ahah!) de 9. A primeira série, “Off Campus”, tem 4 livros e segue a primeira geração de jogadores; Seguem-se os 4 de “Briar-U”, com a segunda geração, e este ano saiu “The Legacy”, um vislumbre ao futuro dos personagens originais. Os livros, que se focam cada um num casal e (spoiler alert!) acabam sempre bem são muito diferentes entre si, alguns melhores e outros nem por isso. Ainda assim, dei por mim incapaz de parar de os ler, e a “poupar” as narrativas para os momentos em que mais iria precisar delas. São steamy, divertidos e despreocupados (mesmo quando tocam em temas mais pesados).

Fórmula 1 tomou de assalto os ecrãs e redes sociais de muita gente este ano. Confesso que o desporto em si não me fascina, e todo o hype me passou ao lado, mas esta saga de 4 livros (“Dirty Air”, da Lauren Asher, outra rainha do género) conquistou-me. Cada livro segue um piloto diferente, e o equilíbrio entre história / dinâmica entre personagens e o desporto em si está muito bem conseguido. Os primeiros três livros foram interessantes, cativantes muito na onda dos de hockey já referidos, mas fiquei completamente rendida ao quarto livro, que é o que mais recomendo. Ainda não vi nenhuma corrida a sério, mas continuarei a ler sobre elas enquanto Lauren Asher continuar a escrever!

Futebol Americano é provavelmente o desporto que menos me interessa no mundo. Exceto quando é um plot device em romances, aparentemente. Esta saga de quatros livros segue colegas de equipa e de casa nas suas aventuras (e desaventuras) amorosas. Muito semelhante ao estilo conseguido por Elle Kennedy, Maya Hughes constrói narrativas e personagens cativantes, ligeiramente uni-dimensionais mas faz tudo parte do charme. Confesso que me lembro pouco do plot ao certo de cada um destes livros, mas garanto que me diverti bastante. Ou seja, objetivo cumprido!

E pronto, 32 livros depois chegámos ao fim da minha aventura pelos mundos do romance em 2021. E agora é respirar, que em 2022 há mais.

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