Os Livros de Agosto – Ficção

Agosto foi um mês extremamente produtivo em termos de leituras – 13 livros (o número do azar) depois, termino o mês tendo concluído o meu desafio de 50 livros para este ano. Assim, decidi separar os livros do mês em dois posts diferentes – os de ficção descreverei aqui, e os restantes serão explorados num outro post. Ordenei acidentalmente esta lista de livro favorito para menos favorito do mês, mas acho que todos eles têm potencial para trazer algo de bom a quem os quiser ler.

Anxious People, Frederik Backman

“So it needs saying from the outset that it’s always very easy to declare that other people are idiots, but only if you forget how idiotically difficult being human is.”

A 4 meses do fim do ano atrevo-me a afirmar que encontrei um dos membros do meu top de ficção de 2021. Este foi o meu primeiro livro de Fredrik Backman, autor de A Man Called Ove e Beartown, e certamente não será o último. É daquelas histórias que vale a pena ler sabendo tão pouco quanto possível, pelo que vos deixo com uma simplificação da premissa – um assalto a um banco sem dinheiro, um grupo de estranhos a visitar um apartamento que está à venda, uma psicóloga, um homem com uma cabeça de coelho, dois polícias. Um grupo de estranhos entrelaçados pelas ansiedades inerentes à vida adulta, e um narrador tão sarcástico como perspicaz. Ingredientes que dão origem a uma narrativa comovente que prende da primeira à última página.

GHOSTS, Dolly Alderton

Maybe friendship is being the guardian of another person’s hope. Leave it with me and I’ll look after it for a while if it feels too heavy for now.

Ghosts é o primeiro trabalho de ficção de Dolly Alderton, autora de “Everything I know about Love“, uma das minhas memoirs favoritas de 2020. As minhas expectativas para este livro eram elevadas, talvez em demasia – apesar de não me ter sentido desiludida, parte de mim sabe que esperava mais. A história de Nina, que nos é contada na primeira pessoa, começa no dia do seu trigésimo primeiro aniversário, em 2018. Recentemente solteira depois de uma relação de sete anos e extretamente bem posicionada na sua carreira como autora (à semelhança de Dolly, a escritora do livro), Nina decide explorar o mundo das aplicações de encontros, e acaba por se deparar com uma das práticas mais crueis do mundo de dating moderno – ghosting. Gostei muito da construção da narrativa, ainda que a tenha achado algo previsível a certo ponto, e das personagens. Para além dos temas da vida amorosa de Nina, as relações com amigas e família e até o ex-namorado são exploradas de forma emotiva, crua e credível, e foram estes os aspectos que mais me prenderam. Acima de tudo, este livro deixou-me entusiasmada pelo futuro da carreira de Dolly Alderton, que conquistou o seu lugar na minha lista de auto-buy aythors.

Death in her hands, ottessa Moshfegh

“Life was persistent. There it was, every day. Each morning it woke me up. It was loud and brash. A bully. A lounge singer in a garish sequin dress. A runaway truck. A jackhammer. A brush fire. A canker sore. Death was different. It was tender, a mystery.”

Death in Her Hands, da mesma autora do muito aclamado My Year of Rest and Relaxation, é uma narrativa meditativa que segue a história de Vesta, um mulher de 70 anos que vive sozinha numa vila recatada. Após a morte do marido, Vesta adopta um cão, Charlie, e muda-se para uma casa isolada, estabelecendo uma rotina pacata e simples que gira à volta dos seus passeios matinais e de fim-de-tarde pela floresta. Num desses passeios encontra um bilhete misterioso com a mensagem “O nome dela era Magda. Nunca vão descobrir quem a matou. Não fui eu. Aqui está o seu corpo”. Incapaz de encontrar o corpo ou outras pistas, Vesta deixa-se envolver pelo mistério de forma imersiva e obsessiva, criando toda uma narrativa de investigação criminal em nome próprio inconsequente no mundo físico. Passei grande parte deste livro confusa, incapaz de distinguir o que era real e o que se passava apenas na cabeça de Vesta – e sinto que era precisamente esse o objectivo da autora. Apesar de adorar o modo de escrita, achei a narrativa aborrecida e arrastada em certos momentos, e se tivesse de escolher diria que My Year of Rest and Relaxation é definitivamente o meu livro favorito da Otessa até agora.

Days of distraction, alexandra chang

“Feels like I have a thousand paper cuts at the back of my head”

Days of Distraction surgiu na minha busca por livros semelhantes a Normal People, de Sally Rooney. Seguimos as reflexões e vivências da narradora na primeira pessoa, enquanto esta navega a sua existência como jovem jornalista asio-americana. A narrativa lenta e meditativa promove um ambiente melancólico e introspectivo e, apesar de normalmente gostar deste ritmo literário, confesso que senti várias vezes que este livro era demasiado longo e repetitivo. Disconectei-me durante grande parte do processo de leitura, e terminei o livro com uma expiração de alívio por ter chegado ao fim. Não acho que seja um mau livro, mas claramente não é para mim.

os livros de julho 📚

mesmo sem férias, o verão faz-me sempre ler mais. julho foi um mês de estudo e trabalho, mas também de muitas leituras, que ajudaram a lidar com o frenético dia-a-dia e algumas surpresas para as quais não estava totalmente preparada. apesar do elevado número de livros lidos, encaixam facilmente em duas categorias: ficção e romance. tenho sentido que em meses complicados gravito facilmente para estes géneros, talvez porque proporcionam um maior escape do mundo real.

FICÇÃO

Hear the Wind Sing, Haruki Murakami

O primeiro livro de Murakami é, segundo o próprio, mais uma novela do que um romance. Hear the Wint Sing encabeça uma trilogia introspectiva e melancólica, um estilo que acabou por definir o autor. Senti que esta obra foi uma espécie de ensaio acidental de Norwegian Wood, tanto pelas semelhanças no enredo e personagens, como pelo tom taciturno e sentimentos impressos no leitor.

Conta-nos a história de um estudante universitário a passar as férias de verão na sua terra natal, que passa os dias a beber, fumar e melancoliar (o legado de Murakami na língua portuguesa devia ser a criação deste verbo) com o melhor amigo num bar e que é terrível a comunicar com todas as mulheres com quem interage na vida.

Terminei este livro durante o pequeno-almoço da primeira segunda-feira do mês de julho e carreguei comigo um espírito de negrume durante todo o dia. Aliás, foi este livro que despoletou o binge reading de romance que descrevo abaixo. Ainda assim, como com todos os Murakami que li até agora, adorei a experiência e quero muito continuar a explorar a obra deste génio da tristeza.

Such a Fun Age, Kiley Reid

Este livro pertence à lista de must reads de ficção de quase toda a gente que conheço – e foi por isso que demorei tanto a pegar nele. Apesar de não me ter impressionado tanto como esperava, gostei bastante, e concordo que é uma narrativa extremamente interessante. Neste livro conhecemos Emira, uma jovem negra que trabalha part-time como babysitter de uma família branca de classe alta. Numa noite em que leva a criança ao supermercado, Emira é acusada de ter raptado a bebé da família. Seguem-se uma sequência de eventos e reflexões que desafiam o que é racismo e discriminação, e o que significa ser verdadeiramente um aliado “da causa”. É um livro curto em que acontece muita coisa, por vezes demasiado superficial, mas que recomendo.

Transcendent Kingdom, Yaa Gyasi

Na onda de Such a Fun Age, Transcendent Kingdom lida também com temas de discriminação, aliado a temas de religião e ciência. Conta-nos a história de Gifty, oriunda do Gana mas criada nos Estados Unidos, da sua mãe profundamente religiosa e (eventualmente) deprimida, e do seu irmão Nana, que sofreu uma overdose de heroína na adolescência. A história alterna entre o passado de Gifty e o presente – estudante de Doutoramento de neurociências no último ano.

É um livro muito difícil de ler que me fez chorar várias vezes e questionar muitas das coisas que tomei como certas nos últimos anos. É também um testemunho extremamente interessante da história e cultura do Gana que me ensinou muito. Foi por vezes difícil relemebrar que é um trabalho de ficção e não uma memoir, de tão crua e honesta é a escrita.

Romance

The Soulmate Equation, Christina Lauren

Oh. Meu. Deus. Este livro é perfeito. Uma frase- é um romance que a certo ponto menciona o Research Gate. Sim, a rede social dos cientistas em que podemos acompanhar a vida profissional dos nossos colegas. Este foi o meu primeiro romance do duo Christina e Lauren, e superou as minhas expectativas. Conta-nos a história de Jess Davis, uma estaticista mãe solteira, e de River Pena, PhD em genética prestes a tornar-se milionário devido à sua empresa de que emparelha pessoas com base em compatibilidade genética.

Sendo cientista tenho sempre receio de ler livros com premissas destas – se a ciência não for bem explorada fico desiludida, perco-me nos detalhes e sou incapaz de seguir a história. Mas este livro impressionou-me – não é demasiado ambicioso, mas tudo que o afirma é legítimo, possível e credível. Melhor, as personagens são realistas e empáticas, e apesar de seguir um plot típico do género e previsível, é exatamente o que promete ser – um ótimo equílibrio entre romance, drama, casualidade do dia-a-dia e spice.

Find Me, André Aciman

hum, nem sei por onde começar. Find Me foi-me apresentado como a sequela de Call Me By Your Name, o que me deixou confusa durante cerca de 70 % do livro porque – spoiler alert – o encontro de Elio e Oliver só acontece mesmo no fim. Aliás, a primeira metade do livro segue o pai de Elio e o seu próprio romance. Depois, passamos algum tempo com o Elio e o outro quase-amor da vida dele, e finalmente experienciamos o reencontro das duas personagens principais da história original. Para ser sincera, gostei muito de seguir o romance do pai de Elio, e a escrita de Andrè Aciman é tão apaixonante e romanticizada como sempre, pelo que posso perdoar a confusão. Por outro lado, senti que foi um pouco mais do mesmo, e questiono-me se a fórmula não estará algo esgotada, pelo menos para mim.

The Off-Campus Series, Elle Kennedy

Ao longo dos últimso meses obriguei-me a parar com as desculpas e explicações complexas para o porquê de ter começado a ler romances. Mas estes livros não são romances normais. São quase fanfiction publicada e bem escrita, um twilight moderno mas com jogadores de hóquei em vez de vampiros e histórias realistas em vez de lobisomens apaixonados por recém-nascidos. E talvez isto soe negativo ou crítico, mas não é todo essa a minha intenção. Cada um destes livros foca-se num jovem jogador de hóquei universitário diferente, e nas raparigas por quem eles se apaixonam. No geral, a história é sempre muito semelhante, e no particular é igualmente muito viciante. São os livros perfeitos para desligar totalmente a cabeça e relaxar, e confesso que me ajudaram em vários dos momento menos bons deste mês. Por isso, afirmo sem vergonha – em julho li quatro romances eróticos sobre jogadores de hóquei, gostei, recomendo, e pretendo continuar a explorar o género.

sobre junho.

junho 2021 – 25 anos, 3 livros lidos, 3 tatuagens novas.

OS LIVROS.

“E se fizéssemos uma tatuagem”, de Rafael Dionísio, foi uma compra precipitada na livraria do LxFactory, em Lisboa – apaixonei-me pela capa, pelo título, pelo formato. Tudo no livro gritou “compra-me”, e a descrição autobiográfica do autor na contra-capa (“Mas o que lhe interessa na vida é a amizade, os copos, o amor e escrever”) tomou a decisão por mim. Gosto imenso de descobrir livros e autores novos e aleatórios, e apesar de não ter adorado o livro como um todo estou muito feliz por o ter na minha coleção. Este livro de short stories passadas em Lisboa contém uma panóplia de contos povoados por personagens tão mundanas quanto especiais. É uma boa companhia para tardes de verão, e marcou bem o tom do meu mês (melancolia e tatuagens, como vão perceber).

“The Seven Husbands of Evelyn Hugo”, de Taylor Jenkins Reid, tem feito furor como um dos livros mais lidos e badalados dos últimos dois anos – e com razão. A premissa é simples, mas a execução é de uma beleza e perfeição tal que só me apetece spammar o Ministro da Educação com e-mails a sugerir que passe a ser leitura obrigatória. Evelyn Hugo, uma das maiores estrelas de cinema (fictícias) de todos os tempos decide, aos 70 anos e após uma vida de segredos e sete casamentos, contar finalmente toda a sua história. É impossível chegar ao fim sem estar convencido de que Evelyn Hugo tem de ter existido num universo paralelo qualquer. Um relato do que é o amor e a amizade, um testemunho ao que cada um de nós está disposto a fazer para conquistar o que deseja, um retrato de perda, doença, dor e da vida, povoado de personagens fortes, realistas, apaixonantes e diversas. Estou ansiosa por ler o resto da obra de Taylor Jenkins Reid, e algo me diz que este livro será relido muitas vezes.

“We have always been here – A Queer Muslim memoir”, de Samra Habib. Muçulmana Ahmadi, Mulher, Queer, nascida num Paquistão que nunca a aceitou como era, e do qual fugiu ainda em criança. Um dos melhores e mais importantes livros que li na vida. Sinto que tenho milhões de pensamentos a transmitir sobre o livro, e ao mesmo tempo sei que nenhum deles se compara ao texto em si. Deixo-vos apenas com algumas quotes e a recomendação exacerbada – leiam este livro.

For me, practicing Islam feeds my desire to understand the beauty and complexity of the universe and to treat everyone, regardless of their beliefs, with respect.

Being surrounded by great people isn’t a fluke. It’s almost like solving a math problem, finding variables, adding and subtracting to figure out a formula that works. Being surrounded by people who fuel you is intentional.

Azaad is a funny word in Urdu. In most instances, it means “freedom”. It’s also used liberally to slut-shame and put down a woman who shows any sign of autonomy or independence.

O ORGULHO.

pride 2021, com as minhas friends a sério Inês e Camille <3

Junho. o mês do Pride (que no Porto calha quase sempre em julho), uma Marcha diferente, mas tão válida e necessária como sempre. De máscaras, distanciados e com um percurso reduzido, gritámos pelos direitos que tardam e se diminuem e retraem. A marcha é um protesto e não uma festa, mas enche-me sempre o coração de um amor refletido em todas as cores do arco-íris, e este ano não foi excepção.

UMA MÚSICA.

UM PENSAMENTO.

Este foi um dos meses mais emocionalmente esgotantes e profissionalmente exigentes dos últimos anos. Ainda assim, esteve recheado de coisas boas, sempre trazidas por pessoas-luz que tornam os dias difíceis um bocadinho mais toleráveis. Olhando para trás, mais do que tudo, sinto-me grata (e lentamente a caminho da plenitude e aceitação). E porque sei que não agradeci nem agradeço o suficiente, o meu pensamento final do mês de junho é, pura e simplesmente, obrigada.

Os Livros de Abril e Maio

Abril e Maio foram caóticos e preenchidos. Consequentemente, acabei por ler menos do que o costume, e que decidi juntar os dois meses num só post. Focando na imagem resumo das leituras recentes, talvez reparem que os livros na fila de cima estão propositadamente representados de forma mais discreta. O Expectation da Anna Hope e o Exciting Times da Naoise Dolan serão protagonistas de um futuro post sobre (spoiler alert) livros do mesmo género de Normal People, da já famosa Sally Rooney. Os outros dois, primeiros volumes da saga Vampire Academy, que marcou a minha adolescência, não precisam de apresentação – foram leituras de conforto, distrações bem vindas e apreciadas que não exigiam muito de mim nem emocional nem intelectualmente mas permitiram abstração do mundo real. Ainda assim, se gostarem do género de fantasia young adult e de histórias de vampiros e se, por milagre, ainda não tiverem devorado a saga, recomendo.

E agora sim, vamos ao que importa, as três estrelas dos dois últimos meses.

It’s Not About the Burqa

Conheci este livro no TradeStories e cativou-me rapidamente – não estava na minha lista, mas rapidamente percebi que o queria ler. Consiste em 17 essays de diferentes mulheres muçulmanas sobre a sua vida, feminismo, relação com o Islão e religião, carreira, família, identidade sexual e de género, entre outros temas. Todos os ensaios são poderosos e impactantes, e termino este livro muito mais rica e consciente do que comecei. Ouvir histórias e testemunhos em nome e voz próprias é insubstituível, e a única forma de realmente compreendermos uma temática ou problemática. Acima de tudo, este livro fez-me confrontar vários pré-conceitos (não negativos nem pejorativos, apenas mal informados) que tinha em relação ao Islão e à diferença entre o que é cultural e o que é religioso. Refleti também muito sobre o meu feminismo e o quão inclusivo e inter-sectional este é, ou não, e vou de certeza continuar a procurar ler, pensar, refletir e aprender.

“When a woman is ‘too much’, she is essentially uncontrollable and unashamed. That makes her dangerous.”

An Absolutely Remarkable Time

Hank Green tem muitas designações – Químico, Youtuber, irmão do John Green, etc. Quando revelou que iria lançar um livro de ficção científica fiquei algo cética, e demorei a aventurar-me neste volume, apesar de ter várias recomendações positivas de pessoas cuja opinião valorizo bastante. Mas depois de encontrar uma edição de bolso em promoção na Fnac fiquei sem desculpas – e ainda bem. A nossa personagem principal, April May, é uma designer recém-licenciada e presa numa rotina de trabalho que não a satisfaz. Numa noite, ao voltar a casa, depara-se com uma estátua gigante de um robot estranho a que chama Carl. Liga ao melhor amigo e juntos gravam um vlog para o youtube. No dia seguinte, ao acordar, descobre que o vídeo viralizou e que há uma hipótese de o Carl ser resultado de atividade alienígena. E mais não digo – vale muito a pena descobrir tudo ao mesmo ritmo que a April o faz. Foi uma aventura divertida e intrigante e fiquei curiosa para ler a sequela!

“What is reality except for the things that people universally experience the same way?”

How To Fail at Flirting

tw: relações tóxicas/abusivas

Este livro encaixa perfeitamente no meu género de romance favorito – um bom equilíbrio entre momentos leves e cheesy e temáticas mais sérias e realistas. How to fail at flirting conta-nos a história de Naya, uma professora universitária que vive uma vida resguardada e isolada, consequência de uma relação abusiva passada. Cansados de a ver focada somente no trabalho, os melhores amigos convencem-na a criar uma lista de coisas entusiasmantes a fazer numa noite. Dias depois, Naya acaba sozinha num bar a uma terça-feira à noite e conhece Jake, que estava na cidade temporariamente para ir a um casamento. O que começa como um quase-one night stand acaba por evoluir e obrigar Naya a confrontar muitos dos seus traumas e fantasmas. Senti-me envolvida na história e empática para com as personagens, e recomendo a quem gostar de romances realistas!

E voilá! Um mês de leituras mais aleatórias e leves, mas que foram exatamente o que precisava para equilibrar o caos instalado no resto do dia-a-dia. Sinto que junho seguirá a mesma tendência e estou mais do que okay com isso!

Lisboa2021: highlights de uma viagem aleatória.

Começar com uma confissão – até agora, o meu conhecimento de Lisboa resumia-se ao Vasco da Gama, ao Pavilhão Atlântico/Meo/Altice Arena, ao Coliseu, Estádio da Luz e às Universidades. Como tripeira de gema que sou, sempre fiz questão de assumir o papel caricaturesco de pessoa que acha que a capital está mal escolhida. Nos últimos anos as minhas visitas resumiram-se a concertos e congressos. Recentemente apercebi-me de que o meu quase-preconceito idiota só me levava a perder experiências, e tomei a decisão de passar uns dias sozinha a explorar a cidade. A oportunidade de tirar férias surgiu no passado mês de Maio e, tendo a meteorologia a meu favor, decidi aproveitar.

Como a minha viagem foi mais improvisada do que planeada, não me sinto no direito de construir nenhum roteiro ou guia para a cidade, mas gostei imenso dos dias que por lá passei e achei que valia a pena destacar algumas das highlights do que vi, vivi e comi, com a certeza de que ficou muita coisa por ver.

(disclaimer #1 – a maioria destas fotos foi tirada para enviar aos meus pais como prova de vida/felicidade ou para partilhar no instagram, não pretendo de todo ser influencer e não acho que representem a beleza dos sítios / aspecto da comida)

(disclaimer #2 – sim, li o mesmo livro em todas as refeições e adorei, recomendo mil, e irei escrever sobre ele em breve!)

PARA VISITAR

Mosteiro dos jerónimos

maio de 2021

De todos os monumentos “chave” que nos vêm à cabeça quando pensamos em Lisboa (Belém, Padrão dos Descobrimentos, etc), o que escolhi visitar foi o Mosteiro dos Jerónimos. Porquê? Porque é grátis ao Domingo para residentes em Portugal! Para além de ser muito perto dos outros marcos culturais e, por isso, acessível a quem quiser fazer bingo de edifícios históricos, está também em frente a um jardim/parque absolutamente lindo, ideal para uma pausa pós-visita. O mosteiro é imponente e bonito, e contém os túmulos de Alexandre Herculano e Fernando Pessoa. Foi uma visita super agradável e um ótimo arranque para os meus dias em Lisboa.

MAAT + Central

Gosto de museus – aproveito sempre as minhas viagens para visitar os museus que me atraírem mais. É verdade que é um turismo mais cultural e menos focado no sítio em si, museus como o MAAT poderiam estar em qualquer cidade, mas está ali, e decidi aproveitar. O próprio edifício, a vista e a envolvência é em si uma obra de arte, e mesmo que não entrem vale a pena passar perto. Mas gostei imenso das exposições, do staff e da organização do museu. A minha parte favorita foi uma exposição de “arte como terapia” no Central, interativa e emocionalmente exigente, no melhor sentido. Não querendo dar grandes spoilers, uma das atividades que fiz (Citileaks) consistia em escrevermos o nosso maior segredo num papel a colocar numa garrafa de vidro que deixávamos depois numa sala povoada de outras garrafas. Em troca, pude escolher aleatoriamente outra garrava e ler o maior segredo de outra pessoa. E as outras atividades são ainda melhores! (E a entrada para estudantes no MAAT + central são 6 euros, in-crí-vel).

LxFactory

Bem, acho que toda a gente conhece este sítio – não há muito a dizer. Uma espécie de galerias ao ar livre, micro-comunidade instagramable e com muito boa vibe, povoada de restaurantes, cafés, bares de cerveja artesanal, lojas de roupa sustentáveis e vintage, negócios locais, um estúdio de tatuagens e, a maior atração de todas, uma livraria incrivelmente linda. Foi precisamente esta livraria que motivou a minha visita, mas o resto é igualmente interessante. Fica um pouco fora de tudo o que me interessava ver, mas como o meu principal objetivo era passear e explorar não me custou nada a viagem propositada, e valeu totalmente a pena.

PARA COMER

Pedi recomendações de restaurantes e cafés a toda a gente que conhecia que podia ter opiniões para dar – e depois não fui a nenhum deles. Mas ficaram apontados! Preferi que as minhas refeições fossem tão freestyle como o resto, e acabei por escolher sítios com base em três critérios:
1. estava com fome
2. era perto de mim
3. tinha opções vegetarianas E Super Bock (já sou fã de Lisboa, mas de Sagres nunca hei de ser)
Simples, certo? Mas eficazes! Acabei por descobrir alguns sítios muito aleatórios de que gostei bastante.

Quase Café

Num dos dias em que acordei um bocadinho mais tarde não me apeteceu o pequeno-almoço de torrada e sumo e decidi procurar um brunch. O Quase Café ficava a 3 min a pé do meu alojamento e, motivada apenas pelo bom aspecto da comida nas poucas fotos que vi, decidi-me a experimentar. E fiquei deliciada! Primeiro, a quantidade de comida é absurda, mas fiquei com imensa energia para os passeios do dia e só senti necessidade de voltar a comer à hora do jantar. Adorei a decoração do espaço e a simpatia do staff, e passei um bom bocado a comer ao meu próprio ritmo enquanto (também) devorava o meu livro.

Insano Gelato e Pizza

Esta gelataria que também serve pizzas ficava na rua do meu airbnb, e todos os dias ao partir à aventura pensava “tenho mesmo de ir ali comer um gelado”. E foi lá que fiz a minha última refeição em lisboa – e que refeição que foi! Pedi uma pizza de quatro queijos que estava deliciosa, e à sobremesa comi um cone gigantesco de gelado de oreo e de manga. Mas, apesar de a comida ser genuinamente muito boa, o melhor deste jantar não foi a refeição, mas sim a companhia do dono do estabelecimento. Um senhor extremamente simpático e claramente apaixonado pelo que faz, daquelas pessoas tão genuínas e agradecidas por termos escolhido o seu restaurante que nos tratam como se fosse o maior favor do mundo. Não consigo descrever a ternura que foi a conversa que tivemos, mas fiquei mesmo feliz e a torcer por ele. É um restaurante aleatório num canto de uma rua, tapado por uma curva vertiginosa que provocou duas quedas durante a minha estadia, mas merece toda a visibilidade do mundo!

Museu da Cerveja

Estava eu na Praça do Comércio à espera de um autocarro que me levasse ao LxFactory quando me deu a fome e decidi almoçar. A praça tem restaurantes a toda a volta, mas sendo eu quem sou dirigi-me de imediato para aquele que tinha cerveja no nome. Com pratos vegetarianos, uma esplanada agradável, e os copos de cerveja mais interessantes e leves que já vi, o Museu da Cerveja não desiludiu. Gostei imenso da comida e, principalmente (como era suposto), da cerveja, e gostaria muito de lá voltar.

Restaurante do MAAT

Eu não sei se este restaurante tinha nome, mas está à esquerda da entrada do museu, tem uma vista incrível e opções de brunch e cafetaria mito agradáveis. Foi uma ótima e conveniente experiência e paragem, e contrariamente ao que achei a princípio não era mais caro do que o típico restaurante do género, apesar de pertencer ao museu. Pareceu-me legítimo visitar o local só mesmo pela comida, mas aliado à arte que o rodeia fica ainda mais atrativo.

PARA RELAXAR

MIRADOUROS E MAIS MIRADOUROS

maio 2021

Lisboa tem imeeeeensos miradouros – dois segundos no google maps rapidamente revelam isso. Tive a sorte de ficar (acidentalmente) alojada perto de um particularmente bonito, o Miradouro das Portas do Sol (na fotografia), que para além de uma vista incrível tem um café estilo kiosk muito agradável com boa comida. Na minha busca por um sítio similar às Virtudes no Porto ou ao Morro em Gaia acabei por ir a vários outros Miradouros, e destaco o de Santa Catarina (informalmente conhecido por Adamastor), principalmente pela vista e pela vibe dos grupos que por lá estavam. Infelizmente, senti falta de espaços verdes e com relva em quase todos os sítios, mas mesmo assim valem a visita pela vista e tranquilidade, e resultaram em boas tardes de leitura.

RODA BOTA FORA

Esta recomendação é mais pessoal e “de oportunidade” – gosto imenso dos Roda Bota Fora (e de stand up, espetáculos e cultura no geral), e quando me apercebi de que iriam atuar no Villaret durante a minha estadia em Lisboa não hesitei. No fundo, a moral da história é – a cultura é segura, faz bem à saúde e vale a pena em qualquer momento, cidade, ou viagem. Foi uma ideia impulsiva e espontânea que resultou num ótimo serão!

E assim foi! Em falta estão todas as livrarias que visitei e que constituíram a atração principal da viagem, mas merecem o seu próprio post – estou muito entusiasmada com todos os livros que contei e ansiosa para escrever sobre eles. Espero que esta viagem sirva de inspiração à Rita do futuro para escolher sítios aleatórios e explorar sem expectativas nem roteiro.

res·pi·rar

verbo intransitivo

1. Aspirar e expelir consecutivamente o ar por meio dos pulmões.
2. Viver.
3. Descansar, parar.
(…)

retirado de: priberam (consultado a 31 de maio de 2021)

Respirar é viver e viver é respirar – natural, espontâneo, não premeditado. Mas viver e respirar de forma espontânea e sem intenção acarreta os seus perigos. Num mundo que se quer célere, respiramos cada vez mais rápida e superficialmente, vivemos cada vez mais depressa e sem prestar atenção, paramos cada vez menos.

Sou uma pessoa acelerada. Normalmente declaro isto com orgulho, um sorriso confiante e um brilho nos olhos característico de quem está habituada a ter de defender o ritmo frenético a que se habituou a viver. Do que me lembro, fui sempre assim. Sempre dormi pouco e fiz muito, as atividades extra e intra curriculares acumulavam-se (e acumulam-se), nunca um só livro ocupa a minha mesinha de cabeceira, raramente faço apenas uma coisa de cada vez. E se por um lado gosto de ser assim, de ter uma vida cheia e dias completos, de me sentir cansada e cheia de vida quando (finalmente) me permito ir dormir, por outro percebo cada vez mais que não é um estilo de vida sustentável. E, por muito que tenha demorado a ter coragem de o admitir a mim mesma, a verdade é esta: estou cansada.

Ou estava, vá. Antes de tirar os dias de férias e de reorganização mental (e de vida) que me levaram a esta reflexão. No início deste mês apercebi-me de que estava a viver em piloto automático – não que os meus dias fossem todos iguais, longe disso, mas eram todos demasiado. Demasiado trabalho, tempo em redes sociais, conversas, emails, livros, podcasts, música, séries, youtube, aulas, trabalhos, cursos online, crochet, pintura, limpezas, passeios etc etc etc etc Na lista não entravam verbos como respirar, parar, pensar. Descansar. Mesmo o meu descanso tinha de ser produtivo – daí o crochet, a leitura, a pintura. Estar parada e sozinha com os meus pensamentos era tão assustador que a necessidade de arranjar estímulos constantes era automática, de tal forma que demorei a aperceber-me de que o estava a fazer.

Mas percebi. E parei. Tirei uma semana de férias do laboratório, marquei um airbnb em Lisboa com zero conhecimento da cidade, e obriguei-me a não preparar rigorosamente mais nada. Vá, fiz a mala. Mas foi só isso. As minhas viagens costumam ser planeadas quase ao minuto e envolver várias folhas de excel, páginas de notion e bullet journal, horas no google maps e no zomato e trip advisor(s) desta vida. Desta vez, nada disso aconteceu. O próprio bilhete de comboio foi comprado minutos antes de embarcar. E em boa verdade, volvida agora uma semana desta pequena aventura na capital, admito – foi o melhor que podia ter feito.

Não serve este post para descrever a minha viagem (embora provavelmente outros textos terão essa finalidade), mas para reafirmar o que dela resultou – parei, respirei e vivi. Não querendo dar uma de eat pray love da loja dos trezentos que se encontrou espiritualmente em Alfama em vez de na Índia, a verdade é que o local foi o menos relevante de tudo isto. O importante foi, por mais clichê e convencido que possa parecer, eu. Eu, sozinha. Eu, sem nada para fazer, sem tarefas ou compromissos, a ignorar emails e notificações de tudo e mais alguma coisa, mas sem a culpa intrínseca do dia-a-dia. Eu a apanhar sol num miradouro aleatório sem hora de me ir embora, a ter conversas profundas com o segurança do metro da Baixa ou o dono da gelataria da Rua das Escolas Gerais, a entrar em todos os Alfarrabistas e lojas de Discos e Velharias que me apareciam à frente, a comer e beber quando e como me apetecesse, a ir dormir sem pôr despertador e mesmo assim acordar cedo e com energia. Eu a pensar, a refletir, a tomar decisões, ou simplesmente a não fazer nada.

Respirar. Só me apercebi que tinha o ar encravado e acumulado quando finalmente me deixei expirar e inspirar sem expectativa nem agenda. Não sei se é possível trazer a sensação de liberdade e tranquilidade que me tem acompanhado desde o meu regresso para o meu dia-a-dia, mas sei que vale a pena tentar. Vou continuar a ser acelerada – não duvido disso. Mas talvez haja uma forma de acelerar sem entrar em velocidade terminal, de combater a lei da inércia e alterar o movimento retilíneo e inconsequente motivado pela vida., de parar e respirar e viver.

Inspiro e expiro profundamente, uma, duas, três vezes, releio este texto e desapego-me da sensação de que é demasiado pessoal e caótico para existir no mundo real e clico em Publicar. Retomo as minhas tarefas de trabalho do dia, preparo a reunião que começa daqui a 13 minutos. Respiro. Paro. Vivo.

Poema da Semana #14

TROVA DO MÊS DE ABRIL

Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
Com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia
Na esperança de um só dia.

Foram batalhas perdidas. Foram derrotas vitórias.
Foi a vida (foram vidas). Foi a História (foram histórias)
Mil encontros despedidas. Foram vidas (foi a vida)
Por um só dia vivida.

Foi o tempo que passava como nunca se passasse.
E uma flauta que cantava como se a noite rasgasse
Toda a vida e uma palavra: liberdade que vivia
Na esperança de um só dia.

Musa minha vem dizer o que nunca então disse
Esse morrer de viver por um dia em que se visse
um só dia e então morrer. Musa minha que tecias
um só dia dos teus dias.

Vem dizer o puro exemplo dos que nunca se cansaram
musa minha onde contemplo os dias que se passaram
sem nunca passar o tempo. Nesse tempo em que daria
a vida por um só dia.

Já muitas águas correram já muitos rios secaram
batalhas que se perderam batalhas que se ganharam.
Só os dias morreram em que era tão curta a vida
Por um só dia vivida.

E as quatros estações rolaram com seus ritmos e seus ritos.
Ventos do Norte levaram festas jogos brincos ditos.
E as chamas não se apagaram. Que na ideia a lenha ardia
Toda a vida por um dia.

Fogos-fátuos cinza fria. Musa minha que cantavas
A canção que se vestia com bandeiras nas palavras:
Armas que o tempo tecia. Minha vida toda a vida
Por um só dia vivida.

Manuel Alegre

Na Minha Estante #1

Os livros que tenho na minha estante de… Clássicos

A organização das minhas estantes segue um esquema que faz muito sentido para mim – cada prateleira contém um género literário. O que faz com que um livro seja classificado como determinado género ? Me, Myself and I. Na verdade é complicado explicar o meu sistema, mas faz todo o sentido para mim e traz-me muita paz e felicidade.

Uma das prateleiras mais consensuais é aquela de que venho falar hoje, a prateleira dos Clássicos, que mistura livros em português (traduzidos) e inglês que atravessam gerações e fronteiras.

É evidente a minha paixão por Jane Austen e Louisa May Alcott, e a minha inspiração no currículo literário americano (de onde saem To Kill a Mockingbird, Frankenstein, The Scarlet Letter, The Great Gatsby e The Catcher in the Rye).

Há muitos clássicos, como The Picture of Dorian Grey e Wuthering Heights, que li e adorei mas não pertencem (ainda) à minha coleção. Dos que aqui estão, destaco Little Women, o meu livro favorito de todos os tempos, e Brave New World, que mudou muito a minha perspetiva sobre o poder da ciência e livre arbítrio.

A adornar a prateleira estão muitas velas (retiradas para a fotografia) e um mini busto de Luís de Camões que comprei numa Feira da Ladra no 5º ano – não sei se ele concordaria com as minhas escolhas de clássicos, e provavelmente ficaria confuso com a falta de livros dele, mas sinto que complementa a aesthetic da prateleira muito bem.

P.s. – os clássicos da literatura portuguesa estão noutra estante. prometo que também leio em português.

waiting room.

Trigger Warning: Mental Health / Anxiety / Panic

Waiting rooms are some of the most stressful places on earth for anxious people. The more modern and automatized they become, the worst it gets. You’d think it would be the other way around – not having to talk to other people would be less anxiety-inducing. But that’s only the case if every automated thing goes smoothly, and that rarely happens. If there is a delay, if the clock is stretching beyond the predicted and expected timeline and the automatic panel doesn’t automatically shout the number automatically printed on your automatically issued ticket, anxiety arises.

Is the doctor running late? Did she lose track of time in a consult, or get lost on the highway and ended up drifting down a cliff? Did I get the wrong time or day or month? Or maybe I am on the wrong floor, perhaps I should have gone up to floor number 3 even though the paper the machine spit out says floor number 4? Maybe they canceled the appointment and I missed it. So I check my email, one, two, three times, the inbox, and the junk and spam folders, just in case. Maybe they texted it to me but the text never came through. They could have sent it in those 23 seconds it took me to go through a tunnel and the message got lost in the place where messages go to get lost.

When it’s an hour after the appointment scheduled time I start to worry I got the wrong hospital altogether, 10 more minutes and I’ll start questioning if I’m even in the right city or country or planet at all. By this point, my upper lip starts to get sweaty and my throat is dry. My hands start shaking and my vision is blurry and my glasses are foggy. I take out my earbuds to check whether I’m breathing too loud externally or if it’s only inside my head. I feel the hyperventilation striving to break through my lungs, the anxiety gathering in bumbles of panic that just need to find a way out of me.

I am suddenly too exhausted to keep overthinking.

And yet, somehow, overthinking is all I can do.

Eventually, I accept my fate. I accept that I am in the wrong universe and there was never any appointment at all and I’ll just turn to dust while sitting in this chair.

Perhaps by now, you’re wondering why I’ve spent a whole hour panicking and writing this and pushing myself in and out of an anxiety attack instead of just asking a real non-automated person for help. I don’t wonder anymore. Anxiety is a gloomy monster that I’ve become too accustomed to, and very little amount of reassuring can turn a situation like this one around. But worry not, I go to therapy. That’s precisely where I was when this episode and related attacked took place. And I have my coping mechanisms, and most days are okay and good and I’m happy with a metaphorical sun shining inside my brain. But anxiety doesn’t ever fully go away. Writing myself out of an attack is one of my favorite strategies, and this time I decided to share my experience. I am aware that this is an ever-present feeling in the lives of many people, and I don’t expect my experience will change or remotely affect anyone else’s. However, putting this out there helps, because now it’s not just inside my head, it is a shared experience.

BookBuyingTales#2 – JAN/MAR

livros comprados entre janeiro e março de 2021

Eu tenho muitos livros.

Não há forma de contornar esta realidade – estou convencida de que comprar e coleccionar livros é todo um hobbie à parte do prazer de efectivamente os ler. Gosto de olhar para as minhas estantes, de as reorganizar e reconstruir, de sentir a ligação com cada um dos volumes nas prateleiras.

Para além disto, desde que comecei também a ler ebooks no Ipad o universo de livros ao meu dispor aumentou ainda mais, literalmente até ao infinito. Anda assim, e apesar de estar a gostar de ler no digital, o bichinho de comprar livros físicos não foi a lado nenhum.

E por isso, decidi partilhar convosco os livros que comprei neste primeiro trimeste do ano, de janeiro a março:

BookDepository

O BookDepository fez uma promoção IRRESÍSTIVEL em janeiro dos livrinhos clássicos e essenciais da Penguin, e eu decidi investir em alguns dos que estão na minha lista infinita. Gosto muito destas coleções, são uma boa forma de explorar autores e ideias.

Em fevereiro fiz pre-order de “Act your Age, Eve Brown” da Talia Hibbert, o terceiro volume da saga das irmãs Brown. No ano passado li “Get a Life, Chloe Brown” e “Take a Hint, Dani Brown” e adorei, e estou ansiosa por ler este último volume, que muitos dizem ser o melhor da série!

TradeStories

Não é segredo nenhum que eu adoooooooro o TradeStories , uma plataforma portuguesa de venda e compra de livros em segunda mão (escrevi sobre livros em segunda mão aqui), e este mês tive não só a sorte de vender alguns dos meus livros mas a sorte ainda maior de encontrar alguns livros que queria mesmo muuuuuito a preços incríveis. Já li um deles (Livros de Março) e estou ansiosa por pegar nos outros!