os livros de abril.

Abril foi um daqueles meses que passou simultaneamente demasiado depressa e demasiado devagar. Foi um mês cheio de coisas boas, e felizmente as leituras não foram exceção. Sete livros lidos, 2581 páginas, e uma classificação média de 4.1 (spoiler alert, só não gostei de um dos livros!). Li três livros em formato físico, dois da minha coleção e um emprestado por uma amiga, e os restantes quatro em formato e-book. Foi um mês de ficção literária e romance, os meus dois géneros favoritos, que prometeu novos autores e histórias favoritas.

Comecei com “O Que Dizer das Flores”, da Maria Isaac, uma das autoras portuguesas que prometi explorar este ano. Gostei tanto do livro que já tenho o seu irmão, “Onde Cantam os Grilos”, e estou ansiosa por lhe pegar. A narrativa passa-se na pequena terra de Mont-o-Ver, e é construída por personagens caricatas e intrigantes, desde o Padre Elias ao Zé Mau e à pequena Catalina. É uma história deliciosa, cheia de mal entendidos e dramas corriqueiros próprios de uma comunidade pequena e mexeriqueira, e um grande mistério desesperadamente a precisar de ser resolvido.

Seguiu-se “Disorientation”, de Elaine Hsieh Chou, um livro que mais parece um sonho febril. É daquelas histórias com momentos tão surreais e com uma narradora tão pouco confiável que nunca sabemos bem se o que nos é dito aconteceu mesmo ou não, e é precisamente isso que o torna especial. A protagonista tem 29 anos e está há 7 a tentar terminar o seu Doutoramento. Já não é novidade que sou fã de livros em que pessoas sofrem durante o Doutoramento, já que me relaciono facilmente com muitas das lutas e queixas que têm. Para além de ser uma narrativa extremamente bem construída e aliciante, há também uma exploração de estereótipos que muitas mulheres asiáticas sentem ao crescer na América do Norte. Espero seriamente que a minha defesa de Doutoramento seja bem menos dramática que a da Ingrid, mas a dela foi certamente mais animada. Recomendo muito!

Abril foi o mês em que me senti finalmente com coragem de pegar em “My Dark Vanessa”, de Kate Elizabeth Russell, um dos livros mais badalados dos últimos anos. Está traduzido para português com o título “Minha Sombria Vanessa” e, apesar de brilhante (foi um cinco estrelas automático!), é um livro muito pesado e difícil de recomendar. Ao mesmo tempo que é uma narrativa importante, não acho que seja para toda a gente – debruça-se em temas de abuso sexual de menores, e apesar de tratar muito bem os assuntos, é extremamente gráfico e revoltante de ler. Tive de parar várias vezes a leitura por me sentir enjoada, e nunca tinha sentido tanta raiva ao ler um livro (chorei de raiva!). Ainda assim, estou feliz por o ter lido – é um importante testemunho fictício de algo que é muito real, e uma excelente estreia da autora.

Depois da pesada experiência de conhecer Vanessa e a sua história, passei o resto do mês a ler romances e comédias românticas – estava a precisar de me lembrar que o mundo até tem coisas e pessoas boas. Infelizmente, esta maratona começou mal, com “The Road Trip”, de Beth O’Leary, que O-DI-EI. A sério, odiei mesmo, foi daqueles que terminei só mesmo pela necessidade de confirmar que era terrível até ao fim. Não compreendo como tem tão boa classificação no goodreads, quero ficar feliz por quem gostou mas nem isso consigo fazer bem. Já percebi que os livros da Beth são muito hit or miss para mim: adorei um (The Switch), odiei um (The Road Trip) e sinto-me bastante indiferente ao terceiro (The Flat Share). Saiu um novo este mês, que estou curiosa para ler. Mas bem, a história tem uma premissa simples: a caminho do casamento de uma amiga em comum dá-se um acidente de viação que obriga cinco pessoas a fazer a longa viagem em conjunto: dois ex-namorados, o ex-melhor amigo do rapaz, a irmã da rapariga, e um desconhecido que tinha pedido boleia através do facebook. Sinceramente, não consegui criar ligação com nenhuma das personagens nem ter interesse pela história em si, que se arrastou por 480 longas páginas. Parece que há quem tenha gostado, infelizmente eu não fui uma dessas pessoas.

Prometo que a negatividade fica por aqui! Seguem-se três bons romances que recomendo a todos os que gostarem do género. Começamos com “The Bromance Book Club”, de Lyssa Kay Adams, que foi só adorável e hilariante, como uma boa comédia romântica deve ser. As duas personagens principais estão a iniciar o processo de divórcio, depois de três anos de casamento e de terem duas filhas gémeas. Desesperado por salvar o casamento, Gavin, um famoso jogador de baseball, pede ajuda ao melhor amigo, que o inclui num Clube De Leitura com outros jogadores. Neste clube, os homens leem romances em conjunto, e procuram aplicar as aprendizagens que fizeram às suas próprias vidas e relações. É inexplicavelmente fofo a forma como eles reagem e absorvem os ensinamentos deste género literário de que tanto gosto. A narrativa está muito bem construída, fluída e viciante, e as personagens são cativantes. Felizmente o livro pertence a uma série com 5 volumes, que irei certamente devorar em breve!

Seguiu-se “One True Loves”, da Taylor Jenkins Reid, autora do famoso “The Seven Husbands of Evelyn Hugo” e “Maybe in Another Life”, que li no ano passado. Mal soube da premissa de One True Loves fiquei cheia de vontade de o ler, e estava com imenso receio de sair dali desiludida, mas felizmente todas as expectativas foram correspondidas. Deixo-vos com a primeira frase do livro: “I am finishing up dinner with my family and my fiancé when my husband calls”. Yup, leram direito. E acho que não precisam de saber mais. É uma história apaixonante com alguns elementos mais pesados (luto e relações familiares, principalmente) muito bem trabalhados e incluídos no romance. É daquelas histórias em que uma pessoa ou adora ou odeia o final, e eu fui das que adorou – aconteceu exatamente o que eu queria que acontecesse. E mais não digo. É ler!

Finalmente, temos o quarto volume de Heartstopper, a série de graphic novels de Alice Oseman que foi agora (muitíssimo bem) adaptada ao pequeno ecrã pela Netflix. Já tinha lido os três primeiros volumes no ano passado, e gostei tanto da série (que cobre apenas os primeiros dois) que devorei imediatamente o último livro lançado. Esta história é um abraço quentinho em todas as páginas e episódios, e estou já com vontade de reler e rever. É uma história mesmo muito querida com adolescentes LGBTQAI+ que representa fielmente muitas das experiências, dores e alegrias que sentimos na adolescência, durante o processo de autoconhecimento e de sair do armário. Adorava ter tido uma série destas quando eu tinha a idade das personagens e me estava a descobrir, e acho que é essencial que os jovens (e pais) dos dias de hoje a vejam.

os livros de março.

Este foi um dos meses de leitura mais bizarros dos últimos tempos. Começou com um livro de que gostei imenso, Lola, da Cátia Vieira. Este livro estava na minha lista de autores portugueses a ler este ano, e não desiludiu. Apesar de sentir que poderia ter havido mais algum trabalho de edição, acho que Cátia tem nas mãos uma estreia absolutamente bem sucessida, com uma história moderna e contemporânea sobre uma jovem mulher do Norte (que vive em Faria Guimarães, no Porto!) a fazer um doutoramento na FLUP, que está a tentar descobrir quem é e o que quer ser. Eu também sou do Porto, também estou a fazer um doutoramento, e também tenho passado por algumas crises existenciais, pelo que me senti espelhada em vários momentos e reflexões deste livro. Acho que é daqueles que acabarei por reler eventualmente, e estou muito feliz que este livro (e esta autora) exista!

Seguiu-se Open Water, de Caleb Azumah Nelso. Apesar de ter gostado, a obra deixou-me com a chamada ressaca literária. Durante cerca de uma semana tentei começar mais de uma dezena de livros, e acabei a pousar todos – senti-me amaldiçoada. O livro é muito curto, e essencialmente sobre duas pessoas que se conhecem num bar e percebem imediatamente que têm uma ligação muito forte, mas são terríveis a comunicar os seus sentimentos de forma clara e honesta. Está escrito de forma poética e bela, e apesar de ter sublinhado imensas passagens acho que o ritmo da escrita não resultou bem comigo, daí a ressaca induzida.

Pelo caminho, enquanto recuperava de Open Water, entretive-me com contos curtos, de Afonso Cruz e Rui Zink, disponíveis gratuitamente online, de que gostei bastante.

Eventualmente lá consegui voltar aos livros “inteiros”. Mas a maldição não tinha terminado! Li dois livros de que não gostei nada: Sex and Vanity, de Kevin Kwan, e The Bookish Life of Nina Hill, de Abbi Waxman. O primeiro, do autor de Crazy Rich Asians, é um dos livros que mais me irritou na vida – não gosto de ser cruel, mas não encontro outra forma de dizer isto. Sinceramente, é daqueles livros que não precisava de todo de existir. A premissa é um casamento de pessoas muito ricas algures em Itália, que junta a nata da nata da sociedade. O enredo é… bem, é isto. Só isto. O The Bookish Life of Nina Hill tinha taaaanto potencial – até meio, estava plenamente convencida de que seria um novo favorito, costumo adorar livros que são sobre livros e livrarias, mas acabou por me desiludir imenso na segunda metade. Caiu em falácias típicas de algumas comédias românticas que me irritam seriamente, como a necessidade de referir dez vezes por página que a protagonista é tão baixa e tão pequena, e uma relação instantânea e não credível com personagens unidimensionais. Apesar disto, o livro está muito bem avaliado no goodreads e conheço muita gente que gostou, pelo que talvez o problema seja meu.

A estas desilusões seguiram-se mais uns dias a ignorar a minha estante, até que me cruzei com Trans Like Me, de C.N.Lester, uma espécie de memoir educativa sobre a experiência de C.N.Lester como pessoa não binária. Adorei este livro, e valeu por todos os outros que me desiludiram – é obrigatório, necessário, e brilhante, e quero muito escrever um post inteiramente sobre ele.

Terminei o mês (literalmente, li este no dia 31!) com o The Fine Print, da Lauren Asher, autora de uma saga de romances de Fórmula 1 que devorei no ano passado. Este livro, também um romance daqueles bem spicy, foi exatamente o que precisava para terminar bem o mês – divertido, viciante, e imersivo. Como é habitual nos livros de Lauren Asher, alterna entre as perspetivas dos personagens principais masculino e feminino. Segue a conhecida trope de grumpy and sunshine, e valeu-me umas boas gargalhadas. Recomendo a quem gostar do género!

Olhando para trás, foi um mês confuso – sinto que não li nada, mas tudo somado li 8 livros (se contarmos os contos como um livro), correspondendo a um total de 1912 páginas. Acho que o meu sentimento tem a ver como não ter adorado vários dos livros que li, por múltiplas razões, e de identificar alguma falta de intencionalidade nas minhas escolhas literárias. Agora que me sinto renovada, comecei Abril com uma ida à minha livraria favorita, e estou positiva de que este mês me trará melhores leituras.

4 podcasts sobre livros

Os últimos anos presentearam-nos com uma quantidade elevada de podcasts – é impossível acompanhar tudo, mesmo que só tentemos ouvir o que realmente nos interessa. No entanto, como apaixonada pela leitura que sou, atrevo-me a dizer que podcasts sobre livros nunca serão de mais, principalmente em português.

Tenho a sorte de contar com estes quatro (e quem conhecer mais que se acuse, faz favor!), que me fazem companhia frequentemente e me dão novas recomendações e visões da leitura que, de outra forma, não teria. Um aviso: se ao ler este post vos parecer que foi escrito por uma fangirl que sonha frequentemente ser o tipo de pessoa que é convidada para todos estes podcasts, não se assustem – é a mais pura das verdades.

Ponto Final, Parágrafo

O Ponto Final, Parágrafo, dinamizado pela Magda Cruz (repórter em construção e podcaster, segundo a própria), é um dos podcasts que ouço há mais tempo e de forma mais consistente. Segundo a descrição do Instagram, sabemos que “Quinzenalmente às quartas, Magda Cruz entrevista amantes da literatura na ESCS-FM e CCA“.

Com o Ponto Final, Parágrafo, a Magda criou uma comunidade de amantes da literatura que já vai muito para além do podcast e das suas entrevistas – conta com um clube de leitura mensal das obras de José Saramago, iniciado este ano; são também dinamizados lives ocasionais temáticos no Instagram (tive o privilégio de ler um poema no live do Dia da Poesia em 2021); com newsletters escritas pela própria; e até uma conta no Patreon com conteúdo extra e sorteios de livros.

Os convidados são variados, mas todos ligados à escrita e à literatura de alguma forma (já sabem que vou falar do Afonso Cruz, certo? Confesso que é dos meus episódios favoritos, surpreendendo um total de zero pessoas!). Trazem com eles uma pequena lista de livros, e a entrevista parte dos títulos para falar da vida, dos hábitos de leitura, das mais variadas opiniões e experiências.

Livra-te

O Livra-te, dinamizado por Rita da Nova e Joana da Silva, começou em outubro de 2021 e ocupa um lugar muito especial no meu coração e na minha semana. Sai semanalmente, às quartas-feiras, e é o podcast de sonho de todas as pessoas que, como eu, são viciadas em BookTube e BookTook (comunidades de livros do YouTube e to TikTok).

A Rita e a Joana são amigas, e eu gostava muito (muito!) de ser amiga delas também. Quem me conhece já sabe da minha admiração pela Rita, autora de um dos meus blogues favoritos, que sigo há anos. Quando descobri o blogue da Rita tinha poucos amigos que gostavam de ler, e sentia-me um pouco incompreendida nos meus hábitos de leitura – já lia maioritariamente em inglês, e passava horas agarrada a títulos de que em Portugal pouco se falava. Com a Rita encontrei muitas recomendações que encaixavam perfeitamente no que procurava, e já encontrei vários favoritos graças às suas reviews.

Tal como a Rita, gosto demasiado de livros que fazem chorar. Tal como a Joana, gosto demasiado de rom-coms e outros que tais, como evidenciado pelos 32 romances que li no ano passado. A cada episódio, a minha lista de Para Ler aumenta consideravelmente, principalmente agora que surgiu o Clube do Livra-te, em que todos os meses nos são sugeridos dois títulos em conjunto a ser discutidos no último episódio do mês. E têm até stickers no instagram! Uma das minhas coisas favoritas é a forma como todos os episódios começam: a Rita e a Joana partilham o livro que estão a ler no momento e, sendo eu uma pessoa muito cusca que adora saber o que os outros andam a ler, fico logo muito feliz.

Eu sei que depois disto tudo não parece, mas prometo que a minha obsessão pelo Livra-te e pelas suas incríveis podcasters é totalmente saudável. Se não acreditam, têm bom remédio – é ouvir, e prometo que vão ficar como eu (viciadas e mais pobres, que vão sair dali diretamente para a Fnac).

Vale a Pena

Descobri recentemente o Vale a Pena, dinamizado pela locutora, guionista e autora Mariana Alvim, e rapidamente devorei todos os episódios. Sai semanalmente, à terça-feira, e consiste em conversas com as mais variadas personalidades, algumas obviamente ligadas aos livros, como a autora Helena Magalhães, e outras com uma ligação menos óbvia, como o Carlão ou o Luís Franco Bastos.

Este podcast tem sido uma ótima companhia nas minhas deslocações , e é raro o episódio em que não acrescento novos livros à minha lista de para ler. Para além disso, conhecer os hábitos e gostos literários de personalidades que seguimos e admiramos, ou até que só conhecemos de nome, é das melhores formas de nos sentirmos mais próximos de alguém. Como se diz (ou devia dizer), as estantes de uma pessoa são a verdadeira porta para a sua essência.

PALAVRA podcast

O PALAVRA podcast, da autora Maria Isaac, apareceu-me recomendado pelo Spotify durante a minha maratona de episódios do Vale a Pena. Confesso que ainda não li nenhum dos seus livros, apesar de estarem na lista para este ano, mas tenho gostado muito de acompanhar o podcast.

Primeiro, o podcast tem uma das aberturas mais catchy de sempre: “Bem vindo ao Palavra! Aqui, as noites são literárias.”. Segundo, os episódios são curtinhos, perfeitos para ouvir enquanto tomo o meu café da manhã, e sempre sobre temas muito diferentes mas muito interessantes. Para além da rúbrica “O que aprendi com..”, que se debruça sobre vários autores, somos presenteados com ótimas reflexões que nos deixam a pensar sobre os nossos próprios hábitos de leitura. É-me impossível escolher um episódio favorito, e acho mesmo que todos valem a pena. Estou cada vez mais ansiosa por ler os seus livros para poder desbloquear todo o conteúdo relacionado que também está publicado na página do podcast.

E chegámos ao fim! Aqui ficam quatro sugestões de podcasts portugueses de literatura que eu acompanho regularmente. Como bónus final, recomendo este episódio do podcast 10.000 horas, do Público, em que Afonso Cruz fala sobre o que é preciso para se ser um bom escritor. E se alguém há de saber, é certamente ele. Espero que gostem!

música de fevereiro.

Todos os meses faço uma playlist aleatória e caótica das músicas que vou encontrando ou que mais me marcam durante o mês.

Não são playlists temáticas ou bem organizadas, e normalmente contêm músicas muito diferentes e pouco harmoniosas entre si, mas é a melhor forma que tenho de acumular as músicas que me marcam ao longo do mês.

E na verdade poupo trabalho ao Spotify: a minha playlist de final de ano podia simplesmente ser uma coleção das playlists mensais, e em princípio estava tudo certo.

No espírito de sharing is caring e de guardar para a posterioridade, aqui ficam as minhas músicas de fevereiro de 2022:

Os Livros De Fevereiro

O mês de fevereiro, naturalmente mais curto e caótico, trouxe-me leituras muito polarizadas. Os primeiros três livros que li este mês arrebataram umas indiscutíveis 5 estrelas (em 5!), e prometiam um mês de boas leituras. Ainda por cima foram três livros muito diferentes – uma memoir, uma comédia romântica e um ficção literária.

Infelizmente, os últimos dois livros que li destoaram, tendo-me desiludido bastante. Li pela primeira vez um Murakami de que não gostei, e ainda não ultrapassei o desastre.

Algumas métricas: 5 livros lidos, com um total cumulativo de 1538 páginas, resultanto numa média de 308 páginas pro livro. A classificação média (de 0 a 5) foi de 4, e li dois livros em formato físico e três em e-book.

Mas vá, vamos começar pelas coisas boas e deixar as más (ou menos boas) para o fim. Aqui ficam as minhas leituras de fevereiro de 2022:

“I am malala”, malala yousafzai

“Education is education. We should learn everything and then choose which path to follow” (…) “Education is neither Eastern nor Western, it is human”

“Eu, Malala”, editado em Portugal pela Editorial Presença, conta-nos, na primeira pessoa, a história da “rapariga que lutou pela educação e foi atacada pelos Taliban”. Mas mais do que isso, conta-nos a história de um povo, e de todo o contexto geopolítico que levou o Afeganistão e a Palestina ao regime Taliban em que os conhecemos. O tiro dos Taliban não conferiu nenhuma importância ou legitimidade à luta de Malala – o seu espírito e a sua força eram dignos de consideração muito antes do terrível incidente de que foi vítima. Ler este livro foi uma experiência emocionalmente pesada, mas totalmente necessária. Aprendi imenso, e penso nele e em muitas das suas palavras e considerações praticamente todos os dias. Uma leitura obrigatória sobre educação, religião, compaixão, Direitos Humanos e fraternidade. Resumindo, uma obra prima.

“Weather girl”, rachel lynn solomon

“It’s not easy,” he says, “to keep loving someone who’s given up on you”

Lançado no fim de janeiro de 2022, esta era uma das minhas comédias românticas mais antecipadas para este ano, e não desiludiu. Rachel Lynn Solomon, autora de “The Ex Talk” (recentemente editado em português com o título “Fala com o Ex”) e de “Today Tonight Tomorrow”, dois romances que li no ano passado, prometia com “Weather Girl” uma comédia romântica divertida mas com um sub-tom mais sério. Aqui conhecemos Ari, metereologista num canal televisivo de Seattle, e Russell, jornalista desportivo no mesmo canal. Começam o livro como amigos e, cansados de aturar as discussões ridículas dos seus chefes recém-divorciados, decidem formular um plano para que estes se re-apaixonem. O tom sério vem de eventos da vida pessoal de cada um dos protagonistas: Ari vive com depressão, medicada e controlada, mas constantemente preocupada em esconder os seus dias sombrios do mundo; Russell foi pai com apenas 17 anos, e é agora responsável por uma divertida pré-adolescente de 12 anos.

Reumo deste livro numa frase: simplesmente adorável, delicioso, e totalmente digno de ser lido de uma só vez. Com lenços e gelado por perto, como é característico do género.

“a man called ove”, Fredrik backman

“He was a man of black and white. And she was color. All the color he had”
“Ove had never been asked how he lived before he met her. But if anyone had asked him, he would have answered that he didn’t”

Pára tudo, vão imediatamente comparar este livro e buscar 5 a 7 caixas de lenços, limpem a agenda e peguem numa manta – mais um favorito do ano encontrado. Depois da incrível experiência de leitura de “Anxious People” (Em português, “Pessoas Ansiosas”), e conhecendo a reputação de “A Man Called Ove” (Em português, “Um Homem Chamado Ove”), as minhas expectativas estavam em alta. E, adivinhem o que lhes aconteceu? Foram superadas!

“A Man Called Ove” conta-nos a história de Ove, um homem rabugento, solitário e pacato, que só se mostrava verdadeiramente à mulher, a sua pessoa favorita no mundo. Na sua ausência, perde a vontade de viver, e começa à procura de maneiras de terminar a própria vida. Mas o universo, sob a forma de vizinhos curiosos e sem quaisquer noções de privacidade, está constantemente a estragar-lhe os planos.

Esta é uma narrativa comovente, cheia de humanidade, fraternidade, e sentido de presença; é um atestado de amor, de luto, de superação e de alegria. É daqueles livros capazes de fazer rir às gargalhadas e chorar aos oluços, e por vezes até os dois ao mesmo tempo. Confiem em mim: precisam de conhecer o Ove. E ele também precisa de vos conhecer.

“The roughest draft”, emily and austen

“I was close to having what I wanted, and if I had what I wanted I could lose it.”

À semelhança do segundo livro desta lista, “The Roughest Draft” era um dos meus romances mais antecipados do ano, e o primeiro que me desiludiu. Apesar de não conhecer os autores, fiquei fascinanda com a premissa – para além de ser um livro sobre livros (e sobre escritores), o método de escrita imita o descrito no livro.

Katrina e Nathan, amigos de longa data, escreveram e publicaram um bestseller que revolucionou a indústria literária. Depois do sucesso, deixam de se falar (muito mistério é criado em redor da razão para a zanga), e o contrato que prometia um novo livro fica por cumprir. Pressionados pelas circunstâncias a pôr as diferenças de lado e a escrver um último livro, aceitam re-encontrar-se na casa onde fizeram o seu mais prolífico retiro literário, e tentar repetir a fórmula do sucesso.

Dei a este livro 3 estrelas – não foi uma má experiência de leitura, mas está longe de ter sido memorável ou ao nível das expectativas que tinha. Para ser sincera, parecia genuinamente que estava a ler o rascunho de um livro ainda por editar. O livro tem dois autores, um casal de escritores que alternou na escrita dos capítulos, produzindo assim duas vozes muito distintas para as duas personagens, o que é certamente positivo. Ainda assim, e apesar de aplaudir a capacidade de criar tensão e momentos de antecipação, senti a narrativa arrastada e com mais buildup do que era necessário.

“sputnik sweetheart”, haruki murakami

“No matter how deep and fatal the loss, no matter how important the thing that’s stolen from us, (..) even if we are left completely changed people with only the outer layer of skin from before, we continue to play out our lives this way – in silence.”

*suspiro* quem me conhece sabe que adoro Murakami – digo frequentemente que é um dos meus autores favoritos, e sou (era?) assumidademente presidente do clube “dêm o Nobel a este homem, já!”. Por tudo isto ainda não aceitei bum uma realidade que não posso negar – não gostei deste livro.

Apesar de a prosa ser belíssima, ao estilo a que Murakami já nos habituou, senti que a narrativa e as personagens eram repetitivas e recicladas, demasiado semelhantes a “Norwegian Wood”, considerada uma das obras primas do autor. Para além disto, senti-me incomodada com algumas descrições da personagem principal, uma jovem mulher que sonha ser escritora mas não sabe bem como cumprir o seu objetivo.

Com a ressalva de que obviamente não li o livro na sua língua original (o japonês), existe sempre a hipótese de os comentários que me incomodaram terem sido produzidos pela tradução. Não obstante, apesar de ter gostado muito do narrador da história (algo que nem sempre me acontece com Murakami), a minha opinião geral foi negativa.

E assim chegamos ao fim de Fevereiro: espero que as leituras de Março sejam tão boas como as primeiras, e declaradamente melhores do que as duas últimas. A ver vamos!

Leituras de Janeiro.

Janeiro é sempre o mês que dura por dois – e com os confinamentos e dias em tele-trabalho ainda se arrastou mais. Apesar de ter sido um mês ocupado e frenético (ou talvez mesmo por isso), li bastante, e fiquei feliz com o que li. O ano ainda tem muito caminho para andar, mas suspeito que estão já encontrados alguns dos favoritos de 2022.

O Pódio

Livros favoritos do mês de janeiro de 2022

Nem sempre me faz sentido seleccionar um top do mês, mas desta vez foi quase natural – três livros conquistaram o meu coração e as 5 estrelas no sistema de avaliação do goodreads. Espreitem em baixo para saber mais sobre cada um deles!

Ficção

Depois de ter lido Autumn no ano passado, apressei-me a comprar os restantes três volumes desta coleção da Ali Smith. Apesar de não ser uma saga e não haver continuidade de personagens, foi evidente a mudança de tom e atmosfera entre o Outono e o Inverno. Ali Smith escreve de forma mágica e cativante, e apesar de passarmos o início do livro muito confusos, somos rapidamente compensados pela beleza da prosa. Neste volume conhecemos uma família – uma mãe, a sua irmã, o seu filho, e a nova namorada. As relações são turbulentas, com muitos mal entendidos e diferenças de ideias, e tudo culmina numa noite de Natal. Com o Brexit e o atual clima político em pano de fundo, foi uma leitura apaixonante. E está traduzido para português!

Sim, mesmo com dezenas de livros novos por ler tanto na estante como no e-reader tomei a decisão de reler “Normal People”, quase dois anos depois do meu primeiro encontro com o volume. Entretanto já vi a série e li mais dois livros de Sally Rooney, mas a experiência com Normal People foi tão ou mais apaixonante do que a primeira leitura. Classifico este livro como Ficção e não Romance porque o acho muito pouco romântico, é mais humano e realista. É sobre Marianne e Connel, Connel and Marianne. Sobre crescer, relações saudáveis e outras que nem por isso, saúde mental, amizades, e muito mais. É uma obra prima, que está traduzida para português com o título Pessoas Normais.

Há uns anos li “Life Class”, de Pat Barker, e adorei. “Silence of the Girls” atraiu-me pela premissa de recontar a guerra de Troia da perspectiva das mulheres, com especial foco em Briseis, atribuída a Aquiles. Apesar de o ritmo da narrativa ser bastante lento, a forma como a história está construída é cativante, mesmo que em momentos tenha sentido que certas cenas se arrestavam demasiado. Depois de ler The Song of Achiles, achei este reconto mais realista e cruel, um espelho mais fidedigno de homens em guerra e do que acontece às mulheres com que se cruzam. Está traduzido para português e faz parte do Plano Nacional de Leitura.

1Q84, um livro dividido em três partes, é uma das obras icónicas de Haruki Murakami. E rapidamente percebi porquê – este mês li a primeira parte, e tive de me controlar para não devorar (com calma, que no total são quase 1400 áginas) as restantes. Aqui conhecimeos duas curiosas personagens: Aomame e Tengo. Duas narrativas paralelas com a constante promessa de um eventual cruzamento, e o ambiente saturado de mágico-realismo a que Murakami já me habitou. São 500 páginas que passam a voar, e cada vez mais se afirma a minha admiração por este escritor. Querida academia, onde está o Nobel?!? Está traduzido para português com o mesmo título.

Romance

Aaaaaaaaai que livro IN-CRÍ-VEL. Este livro foi-me recomendado por várias pessoas, e mergulhei de cabeça com as expectativas em alta. Pois bem, superou todas as expectativas. A história de Eva e Shane, que viveram um romance atribulado de uma semana quando se conheceram no secundário e se reencontram, em adultos, treze anos mais tarde, é apaixonante. São ambos escritores, negros, com carreiras diferentes mas igualmente poderosas. Pelo diálogo, a construção de narrativa, as personagens, os momentos de ternura – quem me dera que este livro nunca chegasse ao fim. É daqueles que parte o coração ao mesmo tempo que o restaura, e é sobre tão mais do que apenas o romance entre Eva e Shane. Vale a pena as lágrimas, prometo!

Confissão: li este livro por acidente. Queria ler o The Switch para o clube do livro do Livra-te (um podcast que adoro e sobre o qual vou escrever para a semana!) e enganei-me. E o livro foi… okay. Não foi terrível, nem incrível. Primeiro, importante, falta aqui um trigger warning: há uma relação abusiva. Posto isto, neste livro conhecemos Tiff e Leon, que por dificuldades financeiras decidem partilhar o mesmo apartamento (que só tem um quarto / cama. yup) sob a premissa de que nunca lá estarão ao mesmo tempo – Tiff trabalha durante o dia, Leon durante a noite. Vão-se conhecendo através de post-its que deixam um ao outro, e eventualmente em pessoa, e tudo se move daí. Duas grandes razões para não ter adorado este livro -desnecessariamente longo e arrastado, e as personagens secundárias eram, na sua maioria, demasiado uni-dimensionais e pouco desenvolvidas. Conheço quem tenha adorado, mas não foi o meu caso. Está traduzido para português com o título “Apartamento, Partilha-se”

Mais uma voltinha, mais uma rom-com! Desta vez temos Laura, uma escritora e produtora de lifestyle, que perdeu recentemente a mãe. Apaixonada pela história de amor dos pais, decide fazer uma viagem à ilha onde eles se conheceram para escrever um artigo para a revista. No aeroporto, troca acidentalmente a mala com a de outro passageiro, e depois de abrir a mala errada fica convencida de que o dono desta é o homem perfeito para ela. Inicia-se uma aventura de tentar encontrar o homem do aeroporto e escrever o artigo, tudo na companhia de um caricato taxista-que-não-o-é bem que a leva pela ilha fora. Um livro super divertido, com um ritmo acelerado, personagens carismáticas e bem desenvolvidas. Literalmente, a good time.

E aqui está ele, o livro de Beth O’Leary que efectivamente quis ler! E ainda bem que o fiz, porque gostei muito mais deste. Nada do que me tinha desiludido em “Flatshare” aconteceu aqui. Este livro alterna entre duas perspectivas: Lena, que se vê obrigada a tirar dois meses de férias depois de um ataque de ansiedade durante uma apresentação; e a sua avó, Eileen (que é só a melhor personagem de sempreeee!!), que passou recentemente por um divórcio e está cansada da sua vida quotidiana. As duas decidem então trocar de apartamentos, e de vida! Eileen vai para Londres durante dois meses, e Lena muda-se para a aldeia em que cresceu. Apesar de achar que o final poderia estar melhor executado, gostei tanto das personagens e do ritmo da história que perdoo esta pequena falha, e recomendo! Está traduzido para português com o título “A Troca”.

Não-Ficção

Se não soubessem já que as Eleições Legislativas tinham acontecido este mês ficavam agora a saber – basta ver os livros de não-ficção que me chamaram. Gosto de política, de estar informada e constantemente a aprender e desafiar as minhas visões, e este ano pretendo ler cada vez mais sobre o tema.

Este livro é uma ótima introdução a quem se sente um bocadinho perdido no meio de tantos partidos e definições e eixos políticos. Sou aquela pessoa que confunde a esquerda e a direita quando me dão direções, mas se já estava convicta do eixo político em que me encaixava, depois de ler este livro fiquei ainda mais convencida. Está dividido em duas partes – uma visão geral de como surgiram os conceitos de Esquerda e Direita, e o que os distingue; e uma segunda parte focada na política nacional. Rui Tavares escreve imensamente bem, e apesar de o livro ter pouco mais de 100 páginas acho que aprendi pelo menos uma dezena de palavras novas. Uma leitura essencial!

Adoro estes pequenos livros da Penguin que colecionam ensaios de grandes pensadores da História. Não há muito a dizer – num livro de menos de 50 páginas estão reunidos alguns ensaios sobre diversos temas, uns mais interessantes que outros. No geral, foi uma leitura interessante e imersiva, e pretendo continuar a coleccionar e explorar o género.

Poesia

E por último mas marcadamente não menos importante: paz traz paz, o livro de poesia de Afonso Cruz. Vale reler este livro todos os meses até morrer ? Vale. Tem de valer. A arte está incrível, os poemas são incríveis, tudo está incrível. E mais não digo – leiam, leiam, leiam. Vão apaixonar-se.

E pronto, aqui fica o resumo das minhas leituras de Janeiro de 2022. Espero que vos tenha inspirado a ler algum destes livros, e prometo ter mais atenção ao que está, ou não, traduzido para português a partir de agora. Boas leituras!

em português.

Em 2021 li apenas três livros de autores portugueses, e decidi usar o novo ano para dar a volta a esta tendência. Serve este artigo para colecionar as obras e os autores que mais quero ler ao longo dos próximos 12 meses, quase em jeito de compromisso público. Acima de tudo, é uma ótima lista para levar comigo às Feiras do Livro que hei de visitar este ano. Vamos a isto!

Poesia no Feminino

No ano passado li o “Vem à quinta-feira”, da Filipa Leal, e comprei entretanto o “fósforos e metal sobre imitação do ser humano”, que estou a guardar para um fim-de-semana em que o possa devorar junto ao mar. Atentem ao quão bem ele fica entre o Adolfo e a Amanda, as mnhas plantinhas!

Recentemente comprei o “jóquei”, o primeiro livro de poemas de Maria Campilho, por recomendação de uma amiga. Confesso que nunca tinha ouvido falar da autora e estou ansiosa por explorar a sua obra.

O “ver no escuro” da Cláudia R. Sampaio é dos meus livros favoritos de todos os tempos – e a minha cópia, relida inúmeras vezes, reflete essa estima. Assim, estou curiosa para ler “Já não me deito em pose de morrer”, a outra coleção da autora. Espero encontrar um novo favorito!

E, por último, “Estar em casa”, de Adília Lopes, que é a perfeita transição para o próximo ponto, por ser uma das poetisas favoritas da minha mãe. Com tantos livros dela tão pertinho de mim, não posso deixar passar mais um ano sem ler pelo menos um.

Na Estante da Minha Mãe

E por falar nos livros da minha mãe, as suas estantes estão recheadas de volumes que me despertam imensa curiosidade e gostaria muito de ler nos próximos meses. A saber: “A Gorda”, da Isabel Figueiredo, “O Retorno”, da Dulce Maria Cardoso, e “As Esquinas do Tempo”, de Rosa Lobato Faria.

Afonso Cruz

Não perco uma oportunidade de mencionar Afonso Cruz, o meu autor favorito. Na verdade, não preciso de listas nem de compromissos para pegar nestes livros, mas vale sempre a pena relembrar este gigante da literatura. Comecei o ano com o “paz traz paz”, uma coleção de poesia, e o próximo há de ser “Nem Todas as Baleias Voam”. Tenho ainda o “Flores” na estante, à minha espera.

Valter Hugo Mãe

Olá, o meu nome é Rita, tenho 25 anos e nunca li nada de Valter Hugo Mãe. Eu sei, imperdoável. Maaaaas não desistam já de mim! Já comprei o “a máquina de fazer espanhóis” e o “Homens imprudentemente poéticos” no meu e-reader e tenho uma belíssima edição do “O paraíso são os outros” na minha estante. E, a acreditar no hype que persegue o autor, não me irei ficar por estes.

Novas Autoras

Tal como a música portuguesa, sinto que a literatura tem sofrido uma (merecida) revolução nos últimos anos, com vários nomes a desafiar a norma e entrar na equação. Novas autoras como Helena Magalhães, (“Raparigas Como Nós” e “Ferozes”, Maria Isaac (“Onde Cantam os Grilos” e “O que Dizer das Flores”), Cátia Vieira (“Lola”), Lénia Rufino (“O lugar das Árvores Tristes”) e Maria Cunha e Silva (“Encontrar-me, Encontrar-te, Encontrá-lo”) são alguns dos nomes que mais me despertam a curiosidade. Não sei se terei oportunidade de as ler a todas, mas vou certamente tentar.

José Saramago

Não podia faltar – José Saramago não precisa de apresentações nem justificações. Até ver, apenas li o “Ensaio Sobre a Cegueira”, o “Memorial do Convento” e o “Conto da Ilha Desconhecida”. E os últimos dois nem devem contar bem, pois foram lidos em contexto escolar. Este ano juntei-me ao clube de leituras de Saramago promovido pelo podcast Ponto Final, Parágrafo, em que vamos ler uma obra de Saramago por mês. Ou seja, este último ponto está bem encaminhado!

E voilà, assim se conclui a minha lista! Faltam de certeza muitos autores e livros potencialmente incríveis, e estarei atenta e recetiva a sugestões e vontades súbitas que surjam ao longo do ano. Acima de tudo, quero continuar a apaixonar-me pela língua e literatura portuguesa, e valorizar cada vez mais o que é nosso e que por cá que se faz, que é bom (e dá milhões!).

Os Livros de 2021 III – Não-Ficção

Confesso que compro muito mais livros de não-ficção do que aqueles que leio. Como sabemos, comprar livros e ler livros são dois hobbies totalmente distintos, e neste género literário o fosso alarga-se. Ainda assim, apaixonei-me por vários volumes de não-ficção que li este ano, que receberam todos 5 estrelas, e recomendo a todos que tiverem interesse!

Vou começar por dizer que TODA A GENTE DEVIA LER ESTE LIVRO. Lori Gottlieb, uma psicóloga americana, traz-nos uma narrativa hilariante e comovente sobre a sua relação com alguns dos seus pacientes, mas também com o próprio psicólogo. O livro, marcado pela honestidade, introduz uma perspetiva fresca, humana e despida de pré-conceitos sobre a saúde mental, o porquê de ir ao psicólogo, e a magia que criamos quando trabalhamos em nós próprios. Numa altura em que a saúde mental está coletivamente sob-ameaça, ler este livro trouxe-me muito conforto e companheirismo, e dou por mim a regressar frequentemente às minhas passagens ou capítulos favoritos.

Uma peça de literatura feminista icónica, The Vagina Monologues não perde relevância mesmo mais de 20 anos depois da publicação original. No seus primórdios, o manuscrito resultou de conversas com mais de 2 centenas de mulheres sobre as suas experiência sexuais e relação com a sua vagina. Alternando entre crónicas resultantas das entrevistas e momentos de spoken word que saltam da página, esta peça funciona em papel quase tão bem como ao vivo. Tive a sorte de ver a peça no Coliseu do Porto, e foi um fascínio ver os momentos ganharem vida no palco. Leiam, vejam, sintam e levem os ensinamentos para casa. Vale a pena!

A memoir de Samra Habib, muçulmana e queer, nas palavras da própria, deu-me uma nova perspetiva sobre muitos dos temas que circundam a relação ente a identidade sexual e religiosa de uma mulher muçulmana. A honestidade de Samra é refrescante, e a sua história de vida, pautada por vários eventos traumáticos e revoltantes, é um testemunho ao tanto que ainda falta fazer na luta pelos direitos de ambas comunidades, com uma terceira frente: a interação entre a comunidade LGBT e muçulmana, e o julgamento frequente que dela resulta. Samra é, sem dúvida, inspiradora, e dei por mim a desejar poder contar com a amizade dela na minha vida.

Comprei este livro por impulso no TradeStories, a plataforma de compra e venda de livros em segunda mão, sabendo muito pouco sobre ele. Esta é coleção de 17 ensaios ou crónicas de várias mulheres muçulmanas sobre as suas experiências e relação com o feminismo, a burqa, a religião, o casamento, as relações, entre muitos outros temas. Cada mulher tem uma voz distinta, e cada crónica desafia o nosso pensamento e as noções ou crenças que possuímos. Uma pequena pedra preciosa cheia de poder, que recomendo a todos que tenham interesse no tema.

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah. Este livro activou todo o meu espírito de fangirl de Gilmore Girls, uma das minhas séries favoritas que revejo frequentemente. Lauren Graham, que é Lorelai Gilmore, presenteia-nos com uma memoir hilariante que revisita toda a sua carreira, pontilhada com momentos caricatos e episódios da visa pessoal, e carregada de conselhos tão insólitos como potencialmente úteis. Recomendo a leitura no formato audiobook, narrado pela própria, que confere uma personalidade extra a toda a experiência.

Três Músicas Para Janeiro

Em 2021 apaixonei-me por muita música portuguesa, principalmente pela Bárbara Tinoco, que tive a sorte de ver em concerto. Apesar de ela não constar desta lista (mas ocupar todas as minhas playlists), foi através dela que encontrei estas três músicas que tenho ouvido sem parar e vos recomendo. Ora vejam (e ouçam):

Ainda Estamos Aqui – Miguel Araújo

Mais Ou Menos Isto – Rita Rocha

Onde Vais – Bárbara Bandeira & Carminho