Os Livros de Abril e Maio

Abril e Maio foram caóticos e preenchidos. Consequentemente, acabei por ler menos do que o costume, e que decidi juntar os dois meses num só post. Focando na imagem resumo das leituras recentes, talvez reparem que os livros na fila de cima estão propositadamente representados de forma mais discreta. O Expectation da Anna Hope e o Exciting Times da Naoise Dolan serão protagonistas de um futuro post sobre (spoiler alert) livros do mesmo género de Normal People, da já famosa Sally Rooney. Os outros dois, primeiros volumes da saga Vampire Academy, que marcou a minha adolescência, não precisam de apresentação – foram leituras de conforto, distrações bem vindas e apreciadas que não exigiam muito de mim nem emocional nem intelectualmente mas permitiram abstração do mundo real. Ainda assim, se gostarem do género de fantasia young adult e de histórias de vampiros e se, por milagre, ainda não tiverem devorado a saga, recomendo.

E agora sim, vamos ao que importa, as três estrelas dos dois últimos meses.

It’s Not About the Burqa

Conheci este livro no TradeStories e cativou-me rapidamente – não estava na minha lista, mas rapidamente percebi que o queria ler. Consiste em 17 essays de diferentes mulheres muçulmanas sobre a sua vida, feminismo, relação com o Islão e religião, carreira, família, identidade sexual e de género, entre outros temas. Todos os ensaios são poderosos e impactantes, e termino este livro muito mais rica e consciente do que comecei. Ouvir histórias e testemunhos em nome e voz próprias é insubstituível, e a única forma de realmente compreendermos uma temática ou problemática. Acima de tudo, este livro fez-me confrontar vários pré-conceitos (não negativos nem pejorativos, apenas mal informados) que tinha em relação ao Islão e à diferença entre o que é cultural e o que é religioso. Refleti também muito sobre o meu feminismo e o quão inclusivo e inter-sectional este é, ou não, e vou de certeza continuar a procurar ler, pensar, refletir e aprender.

“When a woman is ‘too much’, she is essentially uncontrollable and unashamed. That makes her dangerous.”

An Absolutely Remarkable Time

Hank Green tem muitas designações – Químico, Youtuber, irmão do John Green, etc. Quando revelou que iria lançar um livro de ficção científica fiquei algo cética, e demorei a aventurar-me neste volume, apesar de ter várias recomendações positivas de pessoas cuja opinião valorizo bastante. Mas depois de encontrar uma edição de bolso em promoção na Fnac fiquei sem desculpas – e ainda bem. A nossa personagem principal, April May, é uma designer recém-licenciada e presa numa rotina de trabalho que não a satisfaz. Numa noite, ao voltar a casa, depara-se com uma estátua gigante de um robot estranho a que chama Carl. Liga ao melhor amigo e juntos gravam um vlog para o youtube. No dia seguinte, ao acordar, descobre que o vídeo viralizou e que há uma hipótese de o Carl ser resultado de atividade alienígena. E mais não digo – vale muito a pena descobrir tudo ao mesmo ritmo que a April o faz. Foi uma aventura divertida e intrigante e fiquei curiosa para ler a sequela!

“What is reality except for the things that people universally experience the same way?”

How To Fail at Flirting

tw: relações tóxicas/abusivas

Este livro encaixa perfeitamente no meu género de romance favorito – um bom equilíbrio entre momentos leves e cheesy e temáticas mais sérias e realistas. How to fail at flirting conta-nos a história de Naya, uma professora universitária que vive uma vida resguardada e isolada, consequência de uma relação abusiva passada. Cansados de a ver focada somente no trabalho, os melhores amigos convencem-na a criar uma lista de coisas entusiasmantes a fazer numa noite. Dias depois, Naya acaba sozinha num bar a uma terça-feira à noite e conhece Jake, que estava na cidade temporariamente para ir a um casamento. O que começa como um quase-one night stand acaba por evoluir e obrigar Naya a confrontar muitos dos seus traumas e fantasmas. Senti-me envolvida na história e empática para com as personagens, e recomendo a quem gostar de romances realistas!

E voilá! Um mês de leituras mais aleatórias e leves, mas que foram exatamente o que precisava para equilibrar o caos instalado no resto do dia-a-dia. Sinto que junho seguirá a mesma tendência e estou mais do que okay com isso!

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