Poema da Semana #1 – The Only Poem

“The Only Poem” by Leonard Cohen

THE ONLY POEM
This is the only poem I can read
I am the only one can write it
I didn’t kill myself when things went wrong
I didn’t turn to drugs or teaching
I tried to sleep
But when I couldn’t sleep
I learned to write
I learned to write
What might be read
On nights like this
By one like me

Leonard Cohen

If Cats Disappeared From The World

Lido: Janeiro 2020
Rating: 4/5

“If Cats Disappeared From the World”, de Genki Kawamura, conta-nos a história de um jovem carteiro de 30 anos. No início do livro, o protagonista descobre que tem um tumor cerebral incurável – e seis meses para viver. Confuso e aterrorizado com a sua mortalidade iminente, começa a fazer uma lista de 10 coisas a fazer antes de morrer – apenas para se perceber que não tem boas ideias. A única coisa que quer é não morrer.

The future you will never get to see is what you regret missing the most when you die.

If Cats Disappeared From the World – Genki Kawamura

Quando chega ao apartamento que partilha com o seu gato Cabbage, encontra-se com o diabo, ou uma estranha versão moderna deste, vestido com uma camisa havaiana e calções. O diabo, tão sarcástico e mesquinho como sempre, diz-lhe que os médicos estão errados e que em vez de meses o jovem tem apenas um dia de vida.

E é nesse momento que as coisas se tornam interessantes.

Life is a tragedy when seen in close-up, but a comedy in long-shot.

O diabo faz uma proposta – por cada coisa que o nosso protagonista retirar do mundo (fazer desaparecer), ganha um dia de vida. A princípio parece uma solução simples, mas não se enganem. O diabo deixa pouco espaço de manobra para o nosso jovem decidir o que quer que desapareça do mundo, e as coisas que sugere (desde relógios, telemóveis, filmes até aos gatos) vão sendo cada vez mais relevantes.

Cats simply allow us the pleasure of their company.

O livro está dividido em capítulos por cada dia de vida que o nosso carteiro ganha, e consequentemente por cada coisa que ele retira do Mundo. Seguimo-lo enquanto ele tenta explicar ao melhor amigo, à ex-namorada e até à família da qual se afastou que está a morrer, e temos um lugar privilegiado para testemunhar as suas reflexões, inquietações, memórias e decisões.

Instead of thinking of family as just being there, you need to think of it as something you do. Family is a verb – you do Family.

O tema do livro é bastante pesado, sim – mas a história em si é bastante simples, assim como a linguagem. Dá ideia de que o “trabalho” de reflexão profunda deve ser feito pelo leitor e não pelo autor, algo de que gostei bastante. Cada momento vivido e decisão tomada pelo nosso protagonista mundano levam-nos a pensar na nossa própria vida, e no que faríamos no seu lugar. Foi definitivamente um bom primeiro livro para o ano de 2020, que me proporcionou bons momentos durante a leitura, mas momentos ainda melhores enquanto pensava e escrevia sobre o livro e o que os pensamentos e sentimentos que vieram com ele.

I don’t know whether I’m happy or unhappy. But there’s one thing I do know – you can convince yourself to be happy or unhappy. It just depends on how you chose to see things.

O início – Nas Minhas Pantufas

Eu sempre disse que queria criar um blog – era uma resolução constante na minha lista de ano novo, ano após ano. Mas nunca o fiz, e todos os anos surgiam novas razões para justificar o porquê de não o fazer. Recentemente apercebi-me de que as minhas razões eram simplesmente desculpas. E agora, com quase 24 anos e no início da minha carreira profissional pós-mestrado, senti que já chegava de pensar que “um dia” iria criar um blogue. Decidi que hoje era o dia.

Como sempre, precipitei-me e falei antes de fazer, contei a todos os meus amigos do blogue ainda antes de haver um. E descobri (ou confirmei) que tenho a sorte de ter amigos incríveis, alguns dos quais são responsáveis pelo FCiências (e lendas da FCUP), que me sugeriram alojar o blogue aqui. O facto de terem acreditado em mim deu-me ainda mais motivação, e é provavelmente ao seu entusiasmo que devo a existência deste post.

Surgiu então a questão do nome. Depois de muitos brainstormings e de ideias terríveis, surgiu a ideia de “Nas Pantufas da Rita” (Crédito: Juliana Rocha e Henrique Fernandes), pois vários dos temas que vou tratar aqui são coisas que faço e vejo “nas minhas pantufas”. E, assim, quem visitar este blogue pode ter uma pequena visão do que é viver… “nas minhas pantufas”. Sim, é uma metáfora algo cheesy, mas eu gosto.

E pronto, assim surgiu o “Nas Pantufas da Rita”. Bem vindos! Aqui irei falar de livros, filmes, séries, restaurantes e comida no geral, viagens, poemas etc, para além de partilhar pedaços da minha própria mente através de textos de ficção ou opinião. Espero que gostem. Mas, acima de tudo, espero que eu goste.