Os Livros de Agosto – Ficção

Agosto foi um mês extremamente produtivo em termos de leituras – 13 livros (o número do azar) depois, termino o mês tendo concluído o meu desafio de 50 livros para este ano. Assim, decidi separar os livros do mês em dois posts diferentes – os de ficção descreverei aqui, e os restantes serão explorados num outro post. Ordenei acidentalmente esta lista de livro favorito para menos favorito do mês, mas acho que todos eles têm potencial para trazer algo de bom a quem os quiser ler.

Anxious People, Frederik Backman

“So it needs saying from the outset that it’s always very easy to declare that other people are idiots, but only if you forget how idiotically difficult being human is.”

A 4 meses do fim do ano atrevo-me a afirmar que encontrei um dos membros do meu top de ficção de 2021. Este foi o meu primeiro livro de Fredrik Backman, autor de A Man Called Ove e Beartown, e certamente não será o último. É daquelas histórias que vale a pena ler sabendo tão pouco quanto possível, pelo que vos deixo com uma simplificação da premissa – um assalto a um banco sem dinheiro, um grupo de estranhos a visitar um apartamento que está à venda, uma psicóloga, um homem com uma cabeça de coelho, dois polícias. Um grupo de estranhos entrelaçados pelas ansiedades inerentes à vida adulta, e um narrador tão sarcástico como perspicaz. Ingredientes que dão origem a uma narrativa comovente que prende da primeira à última página.

GHOSTS, Dolly Alderton

Maybe friendship is being the guardian of another person’s hope. Leave it with me and I’ll look after it for a while if it feels too heavy for now.

Ghosts é o primeiro trabalho de ficção de Dolly Alderton, autora de “Everything I know about Love“, uma das minhas memoirs favoritas de 2020. As minhas expectativas para este livro eram elevadas, talvez em demasia – apesar de não me ter sentido desiludida, parte de mim sabe que esperava mais. A história de Nina, que nos é contada na primeira pessoa, começa no dia do seu trigésimo primeiro aniversário, em 2018. Recentemente solteira depois de uma relação de sete anos e extretamente bem posicionada na sua carreira como autora (à semelhança de Dolly, a escritora do livro), Nina decide explorar o mundo das aplicações de encontros, e acaba por se deparar com uma das práticas mais crueis do mundo de dating moderno – ghosting. Gostei muito da construção da narrativa, ainda que a tenha achado algo previsível a certo ponto, e das personagens. Para além dos temas da vida amorosa de Nina, as relações com amigas e família e até o ex-namorado são exploradas de forma emotiva, crua e credível, e foram estes os aspectos que mais me prenderam. Acima de tudo, este livro deixou-me entusiasmada pelo futuro da carreira de Dolly Alderton, que conquistou o seu lugar na minha lista de auto-buy aythors.

Death in her hands, ottessa Moshfegh

“Life was persistent. There it was, every day. Each morning it woke me up. It was loud and brash. A bully. A lounge singer in a garish sequin dress. A runaway truck. A jackhammer. A brush fire. A canker sore. Death was different. It was tender, a mystery.”

Death in Her Hands, da mesma autora do muito aclamado My Year of Rest and Relaxation, é uma narrativa meditativa que segue a história de Vesta, um mulher de 70 anos que vive sozinha numa vila recatada. Após a morte do marido, Vesta adopta um cão, Charlie, e muda-se para uma casa isolada, estabelecendo uma rotina pacata e simples que gira à volta dos seus passeios matinais e de fim-de-tarde pela floresta. Num desses passeios encontra um bilhete misterioso com a mensagem “O nome dela era Magda. Nunca vão descobrir quem a matou. Não fui eu. Aqui está o seu corpo”. Incapaz de encontrar o corpo ou outras pistas, Vesta deixa-se envolver pelo mistério de forma imersiva e obsessiva, criando toda uma narrativa de investigação criminal em nome próprio inconsequente no mundo físico. Passei grande parte deste livro confusa, incapaz de distinguir o que era real e o que se passava apenas na cabeça de Vesta – e sinto que era precisamente esse o objectivo da autora. Apesar de adorar o modo de escrita, achei a narrativa aborrecida e arrastada em certos momentos, e se tivesse de escolher diria que My Year of Rest and Relaxation é definitivamente o meu livro favorito da Otessa até agora.

Days of distraction, alexandra chang

“Feels like I have a thousand paper cuts at the back of my head”

Days of Distraction surgiu na minha busca por livros semelhantes a Normal People, de Sally Rooney. Seguimos as reflexões e vivências da narradora na primeira pessoa, enquanto esta navega a sua existência como jovem jornalista asio-americana. A narrativa lenta e meditativa promove um ambiente melancólico e introspectivo e, apesar de normalmente gostar deste ritmo literário, confesso que senti várias vezes que este livro era demasiado longo e repetitivo. Disconectei-me durante grande parte do processo de leitura, e terminei o livro com uma expiração de alívio por ter chegado ao fim. Não acho que seja um mau livro, mas claramente não é para mim.

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