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os livros de abril.

Abril foi um daqueles meses que passou simultaneamente demasiado depressa e demasiado devagar. Foi um mês cheio de coisas boas, e felizmente as leituras não foram exceção. Sete livros lidos, 2581 páginas, e uma classificação média de 4.1 (spoiler alert, só não gostei de um dos livros!). Li três livros em formato físico, dois da minha coleção e um emprestado por uma amiga, e os restantes quatro em formato e-book. Foi um mês de ficção literária e romance, os meus dois géneros favoritos, que prometeu novos autores e histórias favoritas.

Comecei com “O Que Dizer das Flores”, da Maria Isaac, uma das autoras portuguesas que prometi explorar este ano. Gostei tanto do livro que já tenho o seu irmão, “Onde Cantam os Grilos”, e estou ansiosa por lhe pegar. A narrativa passa-se na pequena terra de Mont-o-Ver, e é construída por personagens caricatas e intrigantes, desde o Padre Elias ao Zé Mau e à pequena Catalina. É uma história deliciosa, cheia de mal entendidos e dramas corriqueiros próprios de uma comunidade pequena e mexeriqueira, e um grande mistério desesperadamente a precisar de ser resolvido.

Seguiu-se “Disorientation”, de Elaine Hsieh Chou, um livro que mais parece um sonho febril. É daquelas histórias com momentos tão surreais e com uma narradora tão pouco confiável que nunca sabemos bem se o que nos é dito aconteceu mesmo ou não, e é precisamente isso que o torna especial. A protagonista tem 29 anos e está há 7 a tentar terminar o seu Doutoramento. Já não é novidade que sou fã de livros em que pessoas sofrem durante o Doutoramento, já que me relaciono facilmente com muitas das lutas e queixas que têm. Para além de ser uma narrativa extremamente bem construída e aliciante, há também uma exploração de estereótipos que muitas mulheres asiáticas sentem ao crescer na América do Norte. Espero seriamente que a minha defesa de Doutoramento seja bem menos dramática que a da Ingrid, mas a dela foi certamente mais animada. Recomendo muito!

Abril foi o mês em que me senti finalmente com coragem de pegar em “My Dark Vanessa”, de Kate Elizabeth Russell, um dos livros mais badalados dos últimos anos. Está traduzido para português com o título “Minha Sombria Vanessa” e, apesar de brilhante (foi um cinco estrelas automático!), é um livro muito pesado e difícil de recomendar. Ao mesmo tempo que é uma narrativa importante, não acho que seja para toda a gente – debruça-se em temas de abuso sexual de menores, e apesar de tratar muito bem os assuntos, é extremamente gráfico e revoltante de ler. Tive de parar várias vezes a leitura por me sentir enjoada, e nunca tinha sentido tanta raiva ao ler um livro (chorei de raiva!). Ainda assim, estou feliz por o ter lido – é um importante testemunho fictício de algo que é muito real, e uma excelente estreia da autora.

Depois da pesada experiência de conhecer Vanessa e a sua história, passei o resto do mês a ler romances e comédias românticas – estava a precisar de me lembrar que o mundo até tem coisas e pessoas boas. Infelizmente, esta maratona começou mal, com “The Road Trip”, de Beth O’Leary, que O-DI-EI. A sério, odiei mesmo, foi daqueles que terminei só mesmo pela necessidade de confirmar que era terrível até ao fim. Não compreendo como tem tão boa classificação no goodreads, quero ficar feliz por quem gostou mas nem isso consigo fazer bem. Já percebi que os livros da Beth são muito hit or miss para mim: adorei um (The Switch), odiei um (The Road Trip) e sinto-me bastante indiferente ao terceiro (The Flat Share). Saiu um novo este mês, que estou curiosa para ler. Mas bem, a história tem uma premissa simples: a caminho do casamento de uma amiga em comum dá-se um acidente de viação que obriga cinco pessoas a fazer a longa viagem em conjunto: dois ex-namorados, o ex-melhor amigo do rapaz, a irmã da rapariga, e um desconhecido que tinha pedido boleia através do facebook. Sinceramente, não consegui criar ligação com nenhuma das personagens nem ter interesse pela história em si, que se arrastou por 480 longas páginas. Parece que há quem tenha gostado, infelizmente eu não fui uma dessas pessoas.

Prometo que a negatividade fica por aqui! Seguem-se três bons romances que recomendo a todos os que gostarem do género. Começamos com “The Bromance Book Club”, de Lyssa Kay Adams, que foi só adorável e hilariante, como uma boa comédia romântica deve ser. As duas personagens principais estão a iniciar o processo de divórcio, depois de três anos de casamento e de terem duas filhas gémeas. Desesperado por salvar o casamento, Gavin, um famoso jogador de baseball, pede ajuda ao melhor amigo, que o inclui num Clube De Leitura com outros jogadores. Neste clube, os homens leem romances em conjunto, e procuram aplicar as aprendizagens que fizeram às suas próprias vidas e relações. É inexplicavelmente fofo a forma como eles reagem e absorvem os ensinamentos deste género literário de que tanto gosto. A narrativa está muito bem construída, fluída e viciante, e as personagens são cativantes. Felizmente o livro pertence a uma série com 5 volumes, que irei certamente devorar em breve!

Seguiu-se “One True Loves”, da Taylor Jenkins Reid, autora do famoso “The Seven Husbands of Evelyn Hugo” e “Maybe in Another Life”, que li no ano passado. Mal soube da premissa de One True Loves fiquei cheia de vontade de o ler, e estava com imenso receio de sair dali desiludida, mas felizmente todas as expectativas foram correspondidas. Deixo-vos com a primeira frase do livro: “I am finishing up dinner with my family and my fiancé when my husband calls”. Yup, leram direito. E acho que não precisam de saber mais. É uma história apaixonante com alguns elementos mais pesados (luto e relações familiares, principalmente) muito bem trabalhados e incluídos no romance. É daquelas histórias em que uma pessoa ou adora ou odeia o final, e eu fui das que adorou – aconteceu exatamente o que eu queria que acontecesse. E mais não digo. É ler!

Finalmente, temos o quarto volume de Heartstopper, a série de graphic novels de Alice Oseman que foi agora (muitíssimo bem) adaptada ao pequeno ecrã pela Netflix. Já tinha lido os três primeiros volumes no ano passado, e gostei tanto da série (que cobre apenas os primeiros dois) que devorei imediatamente o último livro lançado. Esta história é um abraço quentinho em todas as páginas e episódios, e estou já com vontade de reler e rever. É uma história mesmo muito querida com adolescentes LGBTQAI+ que representa fielmente muitas das experiências, dores e alegrias que sentimos na adolescência, durante o processo de autoconhecimento e de sair do armário. Adorava ter tido uma série destas quando eu tinha a idade das personagens e me estava a descobrir, e acho que é essencial que os jovens (e pais) dos dias de hoje a vejam.

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