Leituras de Janeiro.

Janeiro é sempre o mês que dura por dois – e com os confinamentos e dias em tele-trabalho ainda se arrastou mais. Apesar de ter sido um mês ocupado e frenético (ou talvez mesmo por isso), li bastante, e fiquei feliz com o que li. O ano ainda tem muito caminho para andar, mas suspeito que estão já encontrados alguns dos favoritos de 2022.

O Pódio

Livros favoritos do mês de janeiro de 2022

Nem sempre me faz sentido seleccionar um top do mês, mas desta vez foi quase natural – três livros conquistaram o meu coração e as 5 estrelas no sistema de avaliação do goodreads. Espreitem em baixo para saber mais sobre cada um deles!

Ficção

Depois de ter lido Autumn no ano passado, apressei-me a comprar os restantes três volumes desta coleção da Ali Smith. Apesar de não ser uma saga e não haver continuidade de personagens, foi evidente a mudança de tom e atmosfera entre o Outono e o Inverno. Ali Smith escreve de forma mágica e cativante, e apesar de passarmos o início do livro muito confusos, somos rapidamente compensados pela beleza da prosa. Neste volume conhecemos uma família – uma mãe, a sua irmã, o seu filho, e a nova namorada. As relações são turbulentas, com muitos mal entendidos e diferenças de ideias, e tudo culmina numa noite de Natal. Com o Brexit e o atual clima político em pano de fundo, foi uma leitura apaixonante. E está traduzido para português!

Sim, mesmo com dezenas de livros novos por ler tanto na estante como no e-reader tomei a decisão de reler “Normal People”, quase dois anos depois do meu primeiro encontro com o volume. Entretanto já vi a série e li mais dois livros de Sally Rooney, mas a experiência com Normal People foi tão ou mais apaixonante do que a primeira leitura. Classifico este livro como Ficção e não Romance porque o acho muito pouco romântico, é mais humano e realista. É sobre Marianne e Connel, Connel and Marianne. Sobre crescer, relações saudáveis e outras que nem por isso, saúde mental, amizades, e muito mais. É uma obra prima, que está traduzida para português com o título Pessoas Normais.

Há uns anos li “Life Class”, de Pat Barker, e adorei. “Silence of the Girls” atraiu-me pela premissa de recontar a guerra de Troia da perspectiva das mulheres, com especial foco em Briseis, atribuída a Aquiles. Apesar de o ritmo da narrativa ser bastante lento, a forma como a história está construída é cativante, mesmo que em momentos tenha sentido que certas cenas se arrestavam demasiado. Depois de ler The Song of Achiles, achei este reconto mais realista e cruel, um espelho mais fidedigno de homens em guerra e do que acontece às mulheres com que se cruzam. Está traduzido para português e faz parte do Plano Nacional de Leitura.

1Q84, um livro dividido em três partes, é uma das obras icónicas de Haruki Murakami. E rapidamente percebi porquê – este mês li a primeira parte, e tive de me controlar para não devorar (com calma, que no total são quase 1400 áginas) as restantes. Aqui conhecimeos duas curiosas personagens: Aomame e Tengo. Duas narrativas paralelas com a constante promessa de um eventual cruzamento, e o ambiente saturado de mágico-realismo a que Murakami já me habitou. São 500 páginas que passam a voar, e cada vez mais se afirma a minha admiração por este escritor. Querida academia, onde está o Nobel?!? Está traduzido para português com o mesmo título.

Romance

Aaaaaaaaai que livro IN-CRÍ-VEL. Este livro foi-me recomendado por várias pessoas, e mergulhei de cabeça com as expectativas em alta. Pois bem, superou todas as expectativas. A história de Eva e Shane, que viveram um romance atribulado de uma semana quando se conheceram no secundário e se reencontram, em adultos, treze anos mais tarde, é apaixonante. São ambos escritores, negros, com carreiras diferentes mas igualmente poderosas. Pelo diálogo, a construção de narrativa, as personagens, os momentos de ternura – quem me dera que este livro nunca chegasse ao fim. É daqueles que parte o coração ao mesmo tempo que o restaura, e é sobre tão mais do que apenas o romance entre Eva e Shane. Vale a pena as lágrimas, prometo!

Confissão: li este livro por acidente. Queria ler o The Switch para o clube do livro do Livra-te (um podcast que adoro e sobre o qual vou escrever para a semana!) e enganei-me. E o livro foi… okay. Não foi terrível, nem incrível. Primeiro, importante, falta aqui um trigger warning: há uma relação abusiva. Posto isto, neste livro conhecemos Tiff e Leon, que por dificuldades financeiras decidem partilhar o mesmo apartamento (que só tem um quarto / cama. yup) sob a premissa de que nunca lá estarão ao mesmo tempo – Tiff trabalha durante o dia, Leon durante a noite. Vão-se conhecendo através de post-its que deixam um ao outro, e eventualmente em pessoa, e tudo se move daí. Duas grandes razões para não ter adorado este livro -desnecessariamente longo e arrastado, e as personagens secundárias eram, na sua maioria, demasiado uni-dimensionais e pouco desenvolvidas. Conheço quem tenha adorado, mas não foi o meu caso. Está traduzido para português com o título “Apartamento, Partilha-se”

Mais uma voltinha, mais uma rom-com! Desta vez temos Laura, uma escritora e produtora de lifestyle, que perdeu recentemente a mãe. Apaixonada pela história de amor dos pais, decide fazer uma viagem à ilha onde eles se conheceram para escrever um artigo para a revista. No aeroporto, troca acidentalmente a mala com a de outro passageiro, e depois de abrir a mala errada fica convencida de que o dono desta é o homem perfeito para ela. Inicia-se uma aventura de tentar encontrar o homem do aeroporto e escrever o artigo, tudo na companhia de um caricato taxista-que-não-o-é bem que a leva pela ilha fora. Um livro super divertido, com um ritmo acelerado, personagens carismáticas e bem desenvolvidas. Literalmente, a good time.

E aqui está ele, o livro de Beth O’Leary que efectivamente quis ler! E ainda bem que o fiz, porque gostei muito mais deste. Nada do que me tinha desiludido em “Flatshare” aconteceu aqui. Este livro alterna entre duas perspectivas: Lena, que se vê obrigada a tirar dois meses de férias depois de um ataque de ansiedade durante uma apresentação; e a sua avó, Eileen (que é só a melhor personagem de sempreeee!!), que passou recentemente por um divórcio e está cansada da sua vida quotidiana. As duas decidem então trocar de apartamentos, e de vida! Eileen vai para Londres durante dois meses, e Lena muda-se para a aldeia em que cresceu. Apesar de achar que o final poderia estar melhor executado, gostei tanto das personagens e do ritmo da história que perdoo esta pequena falha, e recomendo! Está traduzido para português com o título “A Troca”.

Não-Ficção

Se não soubessem já que as Eleições Legislativas tinham acontecido este mês ficavam agora a saber – basta ver os livros de não-ficção que me chamaram. Gosto de política, de estar informada e constantemente a aprender e desafiar as minhas visões, e este ano pretendo ler cada vez mais sobre o tema.

Este livro é uma ótima introdução a quem se sente um bocadinho perdido no meio de tantos partidos e definições e eixos políticos. Sou aquela pessoa que confunde a esquerda e a direita quando me dão direções, mas se já estava convicta do eixo político em que me encaixava, depois de ler este livro fiquei ainda mais convencida. Está dividido em duas partes – uma visão geral de como surgiram os conceitos de Esquerda e Direita, e o que os distingue; e uma segunda parte focada na política nacional. Rui Tavares escreve imensamente bem, e apesar de o livro ter pouco mais de 100 páginas acho que aprendi pelo menos uma dezena de palavras novas. Uma leitura essencial!

Adoro estes pequenos livros da Penguin que colecionam ensaios de grandes pensadores da História. Não há muito a dizer – num livro de menos de 50 páginas estão reunidos alguns ensaios sobre diversos temas, uns mais interessantes que outros. No geral, foi uma leitura interessante e imersiva, e pretendo continuar a coleccionar e explorar o género.

Poesia

E por último mas marcadamente não menos importante: paz traz paz, o livro de poesia de Afonso Cruz. Vale reler este livro todos os meses até morrer ? Vale. Tem de valer. A arte está incrível, os poemas são incríveis, tudo está incrível. E mais não digo – leiam, leiam, leiam. Vão apaixonar-se.

E pronto, aqui fica o resumo das minhas leituras de Janeiro de 2022. Espero que vos tenha inspirado a ler algum destes livros, e prometo ter mais atenção ao que está, ou não, traduzido para português a partir de agora. Boas leituras!

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