Poema da Semana #7

I dwell in Possibility

I dwell in Possibility –
A fairer House than Prose –
More numerous of Windows –
Superior – for Doors –

Of Chambers as the Cedars –
Impregnable of eye –
And for an everlasting Roof
The Gambrels of the Sky –

Of Visitors – the fairest –
For Occupation – This –
The spreading wide my narrow Hands
To gather Paradise –

                                     Emily Dickinson
Londres, 2018

Poema da Semana #5 – Amor como em casa

Amor como em casa

Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa.
Faço de conta que não é nada comigo.
Distraído percorro o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro.
Devagar te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no amor como em casa.

Manuel António Pina

Poema da Semana #3

Melhor destino que o de conhecer-se
Não frui quem mente frui. Antes, sabendo,
Ser nada, que ignorando:
Nada dentro de nada.
Si não houver em mim poder que vença
As parcas três e as moles do futuro,
Já me deem os deuses
O poder de sabê-lo;
E a beleza, incriável por meu sestro,
Eu goze externa e dada, repetida
Em meus passivos olhos,
Lagos que a morte seca.

Ricardo Reis
22-10-1923

Poema da Semana #2 – Mulher ao Espelho

Mulher ao Espelho (Eugénio de Andrade)

A beleza não é lugar de perfeição.
Quando te vês ao espelho é a morte
que contemplas na sua chama. Até o sol,
que nos teus cabelos tanto aquecia
as mãos daqueles a quem davas o calor
mais íntimo, é agora um lugar frio.
Não digas que não és culpada: a traição
morava contigo, e sempre os homens,
sejam reis ou pastores, foram brutais
no seu desejo, como se amar uma mulher
não fosse o seu desígnio mais fundo
e só vingassem nela uma ferida oculta.
Não te escondas para chorar no escuro.
De nada te servem lágrimas agora
nem a lembrança furtiva de noites
abertas à demência, ao vigor, à raiva
de membro que ao rasgar-te a carne
te convertiam em sucessivas vagas
de luminosa sombra prolongadas.
Tu, coroada pelo amor de um rei,
já não despertas mais que piedade,
se tão cruel veneno pode ter um nome.
Estás só na casa imensa. Só e velha.
Escuta, são as pombas que regressam,
um ar fresco do sul varre o balcão,
traz sílabas leves, feitas de memória:
“Muito me tarda o meu amigo, muito…”
Fecha as portadas. Agora dorme. Dorme.

Eugénio de Andrade
1985

Dia Mundial da Poesia

Hoje celebra-se o dia mundial da poesia. Como tal, decidi partilhar alguns dos meus livros de poesia favoritos escritos por autores portugueses. Sempre gostei muito de ler poesia. Gosto de a ler em voz alta, repetir estrofes e frases vez após vez, até sentir que percebi o que queriam dizer. Ás vezes, confesso, sou obrigada a desistir e seguir em frente frustrada – parece que o sentido das palavras ou frases me escapa. Ainda assim, muitos defendem que a poesia é para ser sentida e não entendida, pelo que continuo a ler com gosto.

Muitos dos meus poetas favoritos são extremamente conhecidos e de renome, o que é normal – os seus livros povoam as estantes dos meus pais, e o gosto pela sua obra foi-me transmitido por eles e por provessores de Português ao longo do tempo. Ainda assim, há alguns “poetas da nova onda”, se é que posso dizer isto, de que gosto bastante. Destaco Amadeu Liberto Fraga e Cláudia R. Sampaio. Colecciono as obras destes dois autores desde que os descobri, e gosto cada vez mais do seu trabalho.

Sempre que há uma Feira do Livro ou encontro um alfarrabista, gosto de comprar livros de poesia “desconhecidos”, baratos e, tipicalmente, mal tratados. Acabo sempre por descobrir autores e poemas interessantes que nunca teria descoberto numa livraria comum ou online. Talvez um dia faça um post sobre eles!

Mas, por agora e sem mais demoras, segue a lista dos meus poetas portugueses favoritos:

  • Alexandre O’Neil
  • Florbela Espanca
  • Eugénio de Andrade
  • Sophia de Mello Breyner Andresen
  • Manuel António Pina
  • Elisabete Brito
  • Cláudia R. Sampaio
  • António Pinheiro
  • Amadeu Liberto Fraga
  • Fernando Pessoa

Recomendo que explorem todos estes autores, se ainda não os conhecerem! Nos mais estabelecidos ou conhecidos costumo começar por antologias poéticas. São normalmente uma coleção extensa e completa das principais obras que definem os autores.

Boas leituras.

Poema da Semana #1 – The Only Poem

“The Only Poem” by Leonard Cohen

THE ONLY POEM
This is the only poem I can read
I am the only one can write it
I didn’t kill myself when things went wrong
I didn’t turn to drugs or teaching
I tried to sleep
But when I couldn’t sleep
I learned to write
I learned to write
What might be read
On nights like this
By one like me

Leonard Cohen