BEST OF 2020 – Não Ficção

Ao longo deste ano apercebi-me de que colecciono livros de Não Ficção a uma velocidade muito superior àquela a que os leio. Isto deve-se principalmente a muitos dos livros que me atraem se relacionarem com temas pesados nos quais passo já grande parte do meu dia-a-dia a pensar, principalmente Ciência e Direitos Humanos. Assim, e sendo para mim a leitura uma atividade principalmente de lazer e escapismo do mundo real, acabam por ficar esquecidos. Apercebi-me, no entanto, de que há livros de não ficção mais “leves” e igualmente eficazes como escape – as biografias e memoirs. E foi precisamente sobre este subgénero que me debrucei mais este ano, e que culminou nesta lista. Em 2021 espero combater a preguiça de ignorar todos os “pesados” da não ficção que me ocupam as prateleiras, mas por agora fiquem com as minhas memoirs favoritas do ano.

1º – Everything I Know About Love

Autor: Dolly Alderton
Lido: Dezembro 2020

Dolly Alderton é jornalista, escritora, colunista do Sunday Times e (acima de tudo) hilariante. Esta memoir é um retrato da sua vida desde a escola básica até chegar aos 30, com todo o crescimento pessoal, histórias embaraçosas e corações partidos que isso acarreta. Com um perfeito equilíbrio entre momentos leves/engraçados e tópicos pesados/dolorosos, à semelhança da vida real, Dolly conseguiu um retrato fidedigno, relacionável e importante da vida de uma millenial no século XXI.

Destaque ainda para a forma importante como relata os seus problemas de saúde mental e a procura de ajuda profissional.

“I am always half in life, half in a fantastical version of it in my head.”

2º – Lab Girl

Autor: Hope Jahren
Lido: Abril 2020

“Lab Girl – A story of trees, science and love” é a memoir de Hope Jahren, uma reconhecida investigadora e professora universitária de Paleobiologia. Segundo a própria, é um livro sobre “trabalho e amor, e sobre as montanhas que se podem mover quando estas duas coisas se juntam.” Estando eu a iniciar o meu PhD em Biomedicina e tendo aspirações de seguir uma carreira académica, este livro foi muito importante – um testemunho de resiliência, trabalho árduo e, acima de tudo, amor pela ciência, que me encontrou precisamente no momento certo.

Review completa: https://naspantufasdarita.fciencias.com/2020/06/30/lab-girl-by-hope-jahren/

Science has taught me that everything is more complicated than we first assume, and that being able to drive happiness from discovery is a recipe for a beautiful life.

3º – This is Going to Hurt

Autor: Adam Kay
Lido: Dezembro 2020

Este é certamente um dos livros mais badalados do ano – esteve nos tops e nas mesinhas de cabeceira de toda a gente o ano todo, e talvez por isso tenha resistido à sua leitura. Mas em dezembro decidi finalmente pegar-lhe e todo o hype fez finalmente sentido. Adam Kay, ex-médio da NHS e agora comediante, compilou os seus diários de quando era um junior doctor a avançar na carreira como obstetra e ginecologista.

As entradas em forma de diário são curtas e diretas, as explicações de termos e conceitos médicos acessíveis, e o tom é humanista e carregado de humor e crítica social.

Num ano em que os profissionais de saúde se destacaram (ainda mais), as críticas que Adam faz ao sistema de saúde, aos horários e condições dos profissionais e a tudo o que envolve a carreira médica são da mais alta importância. Se procuram um livro informativo, intrigante e engraçado que vos prenda do início ao fim então “This is Goin to Hurt” é perfeito.

“I notice that every patient on the ward has a pulse of 60 recorded in their observation chart so I surreptitiously inspect the healthcare assistant’s measurement technique. He feels the patient’s pulse, looks at his watch and meticulously counts the number of seconds per minute.”

Menção Honrosa: Notes on a Nervous Planet, Matt Haig (lido Outubro 2020)

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