Os Livros de Março

Livros lidos em Março de 2020

Março foi um mês peculiar, por razões que de certeza todos conhecem e compreendem. Passei metade do mês em casa, em isolamento social e tele-trabalho, pelo que acabei por conseguir ler mais do que o costume. Ainda assim, a ansiedade provocada pela situação que estamos a atravessar e as dificuldades que estou a sentir na adaptação a esta nova rotina “caseira” não me permitiram ler ainda mais. De qualquer forma, gostei de quase todos os livros que li este mês, e até encontrei dois livros que (quase) de certeza irão estar presentes no meu top de livros do ano.

Sem mais demoras, fiquem então com os livros que li em Março, um resumo simples e a classificação que dei a cada um. Irei escrever posts individuais sobre alguns destes livros, tanto aqui como no instagram (@naspantufasdarita).

  1. Letter to My Daughter, by Maya Angelou
    Este livro é uma colecção de ensaios e crónicas escritos por Maya Angelou ao longo da vida dela. Segundo a própria autora, é um conjunto de histórias, reflexões e conselhos para mulheres e raparigas do Mundo todo, consideradas por ela como as suas “filhas”. É uma leitura rápida e interessante, e algumas das crónicas são genuinamente poderosas. Infelizmente, achei que não havia grande fio condutor entre os ensaios, e que a coleção é um pouco aleatória. Ainda assim, recomendo este livro a qualquer pessoa interessada em Direitos Humanos, e irei definitivamente ler mais obras da autora.
    Rating: 4/5
  2. The Night Circus, de Erin Morgenstern
    Este livro foi IN-CRÍ-VEL. Definitivamente o meu favorito do mês, e um concorrente forte a livro favorito do ano. É uma obra de fantasia e realismo mágico, ou seja, passa-se no mundo “real” mas incorpora um sistema de magia muito particular e bem desenvolvido. Conta-nos a história de um Circo que só abre à noite, e que é diferente de todos os Circos que alguma vez existiram (e irão existir, infelizmente – é impossível ler esta história sem desejar que este circo fosse real). Ao longo do livro percebemos que o Circo é uma arena para um duelo entre dois aprendizes de mágicos, Celia e Marco. O ponto forte desta obra é definitivamente a capacidade que a autora tem de construir a atmosfera e as personagens. Irei em breve fazer um post sobre o “Night Circus”!
    Rating: 5/5
  3. Carta de uma Desconhecida, de Stefan Zweig
    Este livro é extremamente curto e rápido de ler – eu li-o numa tarde de domingo enquanto apanhava sol na varanda, e gostei bastante. É literalmente o que o títutlo diz que é: uma carta, escrita por uma mulher, enviada ao homem que ela considera o “amor da vida dela”, mas que não sabe o nome nem a verdadeira identidade dela. Ao longo da carta, vamos descobrindo qual a ligação entre a mulher e o homem, um conhecido romancista, e como se desenrolou a sua história de amor. É um livro bonito e poético com uma mensagem algo devastadora – que o amor não correspondido, aliado à falta de amor próprio ou auto-estima, pode ser tão destrutivo como a mais perigosa das doenças.
    Rating: 4/5
  4. Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago
    Este livro e autor dispensam apresentações. Considerada por muitos a obra prima de Saramago, “Ensaio Sobre a Cegueira” conta-nos a história de uma sociedade muito semelhante à nossa, na qual um vírus com consequências horríveis começa a infectar a população e a espalhar-se rapidamente. Parece familiar, certo? Foi precisamente pelos paralelismos com a situação que atravessamos atualmente que decidi ler este livro agora. No caso da obra, o vírus é o da cegueira – ao longo de vários dias, toda a população cega. Toda, com a excepção de uma mulher, cujo nome nunca chegamos a saber. Tratada apenas como “a mulher do médico”, esta heroína trágica é bem mais do que isso – é definitivamente a sua própria pessoa, essencial para o desenrolar da narrativa e sobrevivência de todos os que a rodeiam. Acima de tudo, esta é uma história sobre a natureza Humana, e a forma como o Ser Humano responde à adversidade e reage quando obrigado a entrar em modo de sobrevivência. É um livro para ser lido, relido e discutido várias vezes ao longo da vida, que recomendo a toda a gente. Apesar de ter gostado do “Memorial do Convento” quando o li no secundário, gostei bem mais deste, e fiquei com muita curiosidade de ler a sequela (“Ensaio Sobre a Lucidez“) e outras obras do reconhecido autor.
    Rating: 5/5
  5. Life Class, de Pat Barker
    Esta obra de ficção histórica passa-se durante a primeira Guerra Mundial, numa prestigiosa escola de artes em Londres. Conta-nos a história de Paul, um jovem que sonha ser pintor mas receia não ter nem o talento nem a vontade necessária para alcançar a sua aspiração. Na primeira parte do livro, vemos o mundo de Paul através dos seus próprios olhos – os seus amores e desamores, as aulas de pintura e as saídas boémia aos fins de semana. Somos apresentados ao seu grupo íntimo, no qual se destaca Elinor, que acabará por ser a segunda protagonista do livro, e com quem Paul viverá um romance intenso. Quando começa a guerra, Paul voluntaria-se com a cruz vermelha e é enviado para a Bélgica, primeiro como enfermeiro e depois como motorista de ambulâncias. Aí, vivemos com ele os horrores da guerra e o sofrimento que esta causou a muitos homens e mulheres, e somos testemunhas do impacto que a guerra tem na relação de Paul e Elinor, através das cartas que estes trocam. Este livro é delicioso – apesar de me ter partido o coração, adorei a narrativa e a forma como esta é construída e guiada, e gostei mutio de Paul. No entanto, detestei a Elinor, que me fez revirar os olhos várias vezes ao longo da obra. Ainda assim, gostei muito, e vou definitivamente ler a sequela, que se foca no irmão de Elinor, Toby.
    Rating: 4.5/5
  6. Steelheart, de Branson Sanderson
    Brandon Sanderson é considerado um dos mais prestigiados autores de Fantasia da atualidade. Mais conhecido pelas suas obras de Fantasia Épica, “Steelheart” inicia uma das trilogias mais suaves do autor, uma mistura de Fantasia, Aventura e Ficção Científica. Conta-nos a história de um mundo em alguns seres humanos, os Epics, começaram a desenvolver capacidades acima da média, equiparadas aos “poderes” que os Super-Heróis tradicionais que conhecemos têm. No entanto, e ao contrário dos Super-Heróis clássicos, neste mundo todos aqueles que têm poderes são maus, cruéis e assassinos. A personagem principal deste livro, David, é um rapaz normal que não se conforma com o Mundo em que foi condenado a viver, e que dedica toda a sua juventude a procurar formas de combater os Epics, juntando-se a um grupo de rebeldes com alta tecnologia e desejo de sangue. Esta aventura corrida é extremamente interessante, e o mundo está muito bem conseguido e construído. Acho que Sanderson está definitivamente de parabéns pela narrativa que assina. No entanto, as personagens e o diálogo foram uma desilusão – são unidimensionais, não evoluem, e é muito díficil conseguirmos gostar a sério de qualquer uma delas, pois sabemos demasiado pouco sobre quem realmente são. Ainda assim, foi uma leitura divertida e fácil, pelo que irei ler a sequela, e talvez até acabar a trilogia.
    Rating: 3.5/5

E assim, ficam aqui todos os livros que li em Março! E vocês? TIveram um bom mês de leituras?

2 comentários em “Os Livros de Março”

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